{"id":1806,"date":"2025-07-19T14:00:00","date_gmt":"2025-07-19T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mix.correiodoestado.com.br\/?p=1806"},"modified":"2025-07-16T16:40:28","modified_gmt":"2025-07-16T19:40:28","slug":"enfim-revelado-por-que-quase-nao-vimos-filhotes-de-pombos-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestado.com.br\/mix\/enfim-revelado-por-que-quase-nao-vimos-filhotes-de-pombos-nas-ruas\/","title":{"rendered":"Enfim revelado por que quase n\u00e3o vimos filhotes de pombos nas ruas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 quase imposs\u00edvel andar pelas grandes cidades sem notar a presen\u00e7a constante dos pombos. Eles se espalham pelas pra\u00e7as, sobrevoam avenidas movimentadas e se agrupam em locais com grande circula\u00e7\u00e3o de pessoas \u2014 especialmente em pontos tur\u00edsticos, onde h\u00e1 comida com fartura. Apesar disso, muitos parecem debilitados, com penas em p\u00e9ssimo estado ou at\u00e9 mesmo membros ausentes. Ainda assim, continuam se adaptando e sobrevivendo aos desafios urbanos. O que intriga muita gente, no entanto, \u00e9 a raridade de se ver filhotes dessas aves perambulando pelas ruas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A origem urbana dos pombos e seu h\u00e1bito de esconder os ninhos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pombos que habitam os centros urbanos descendem diretamente de aves domesticadas, criadas pelo ser humano h\u00e1 mais de dez mil anos. Durante muito tempo, essas aves serviram a m\u00faltiplas finalidades: alimenta\u00e7\u00e3o, rituais, experimentos cient\u00edficos, companhia e, principalmente, envio de mensagens, gra\u00e7as \u00e0 not\u00e1vel capacidade de orienta\u00e7\u00e3o que possuem \u2014 ainda utilizada em competi\u00e7\u00f5es e cerim\u00f4nias. Com o tempo, muitos escaparam dos cativeiros e se adaptaram ao ambiente urbano, formando as col\u00f4nias que hoje dominam os c\u00e9us das cidades ao redor do mundo, exceto em regi\u00f5es extremamente in\u00f3spitas, como os polos e desertos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses pombos modernos s\u00e3o descendentes do pombo-das-rochas, esp\u00e9cie encontrada originalmente na Europa, norte da \u00c1frica e sul da \u00c1sia. Essa ave, em seu habitat natural, constr\u00f3i ninhos em penhascos e fal\u00e9sias. Nas cidades, a arquitetura substituiu essas forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas: sacadas, frestas, v\u00e3os de telhados, andaimes e chamin\u00e9s passaram a cumprir esse papel. S\u00e3o esses esconderijos urbanos, muitas vezes invis\u00edveis aos nossos olhos, que explicam por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil flagrar um filhote de pombo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reprodu\u00e7\u00e3o dessas aves tamb\u00e9m tem peculiaridades. O macho escolhe um local para o ninho e tenta atrair a f\u00eamea com seu canto. Depois, ele re\u00fane gravetos e outros materiais, enquanto ela monta um ninho simples. A postura costuma ser de dois ovos por ciclo, com incuba\u00e7\u00e3o feita pelo macho durante o dia e pela f\u00eamea \u00e0 noite. Os filhotes nascem fr\u00e1geis, com pele rosada, olhos fechados e sem penas. Durante semanas, s\u00e3o alimentados com uma subst\u00e2ncia especial \u2014 o chamado \u201cleite de pombo\u201d, regurgitado pelos pais \u2014 e s\u00f3 saem do ninho ap\u00f3s um m\u00eas e meio, quando j\u00e1 est\u00e3o quase do tamanho dos adultos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo ap\u00f3s sa\u00edrem do ninho, os jovens mant\u00eam algumas caracter\u00edsticas distintas: t\u00eam uma penugem amarelada nas penas, o brilho met\u00e1lico ainda n\u00e3o aparece no pesco\u00e7o, e a cabe\u00e7a \u00e9 levemente desproporcional ao corpo. No entanto, por serem t\u00e3o semelhantes aos adultos em tamanho, muitos passam despercebidos. O fato de permanecerem tanto tempo escondidos at\u00e9 se tornarem independentes \u00e9 um dos principais motivos pelos quais raramente os vemos nas ruas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em caso de encontrar um filhote no ch\u00e3o, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 tentar devolv\u00ea-lo ao ninho, se for poss\u00edvel localiz\u00e1-lo. Ao contr\u00e1rio do que se acredita, os pais n\u00e3o rejeitam o filhote por ter sido tocado por humanos. Quando n\u00e3o h\u00e1 como recoloc\u00e1-lo, o ideal \u00e9 procurar um centro de reabilita\u00e7\u00e3o de animais silvestres, onde o filhote pode receber os cuidados necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a constante dos pombos nas cidades ainda gera debates, mas seu comportamento reprodutivo e suas origens ajudam a explicar um dos maiores mist\u00e9rios da vida urbana: por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ver um pombo beb\u00ea perambulando pelas cal\u00e7adas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 quase imposs\u00edvel andar pelas grandes cidades sem notar a presen\u00e7a constante dos pombos. Eles se espalham pelas pra\u00e7as, sobrevoam avenidas movimentadas e se agrupam em locais com grande circula\u00e7\u00e3o de pessoas \u2014 especialmente em pontos tur\u00edsticos, onde h\u00e1 comida com fartura. 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