Diversos pontos "comuns" à sociedade moderna - principalmente a ansiedade - podem causar perda de memória, associada inclusive ao hipotireoidismo, alteração no sono, depressão, uso de remédios, doenças neurológicas e até infecções.
Ainda assim, não é raro estar em uma situação em que não se recorda o nome de alguém; em que vai à geladeira e não lembra o que ia pegar ou perder o assunto que ia dizer na sequência durante uma conversa; por isso, é importante estar atento para quando esse esquecimento é meramente inofensível, e quando sinaliza para algo mais grave.
Nesse contexto, existem várias formas de estimular o cérebro e "driblar" essas dificuldades que aparecem cotidianamente, como explica o Dr. Marcos Estevão, psiquiatra da Unimed Campo Grande.
Ele ressalta que dentro da memória há diversos campos específicos, estudados tanto pela psiquiatria quanto pela neurologia.
"Temos locais específicos dela, onde fixamos o que vemos e aprendemos e depois conseguimos evocar o que foi visto anteriormente. É o processo de memória", comenta.
- Memória de curto prazo: guarda algumas informações que o alguém precisa temporariamente, (lista de compras).
- Memória de longo prazo: armazena, como bem sugere o nome, as lembranças (ex: nome da escola, do primeiro bairro) por mais tempo.
Desde a infância, como complementa o médico, é a memória quem auxilia no processo de entender o que pode e o que não, na base das experiências positivas e negativas da vida, que advém da prática diária.
"Portanto, a memória é necessária para nossa sobrevivência, é, inclusive, uma característica animal. Então, sim, nos tornamos reféns da memória, pois ela é, exatamente, um ato de sobrevivência, fundamental", diz o Dr. Estevão.
Ainda, ele comenta uma característica cruel desses tempos atuais, que proporciona uma quantidade enorme de informações e acabam dificultando as coisas para a memória, que precisa de atenção para trabalhar de forma eficaz.
"Não tem como ter atenção em algo se muitas coisas estão vindo e, por diversas vezes, ao mesmo tempo. Esse excesso traz um conflito muito grande para as conexões de nossos neurônios, com isso a atenção é dissipada. Ocorre que vemos muitas coisas, mas acabamos não ficando com nada na cabeça", esclarece o psiquiatra.
Ginástica cerebral
Conforme o Dr. Marcos, é possível fazer "neuróbica", uma ginástica cerebral, como, por exemplo, usar a mão não dominante ao escovar os dentes, para obter mais foco na tarefa.
Ainda que nem sempre seja benéfica, uma rotina agendada é necessária para não haver prejuízos, segundo o psiquiatra.
"Um ponto importante é que, apesar de o hábito diário ser necessário, é preciso adotar mecanismos, como, por exemplo, fazer uma lista com os itens que precisam ser comprados no supermercado, mas, não usá-la, tentando finalizar a compra corretamente. Isto exercita o cérebro", afirma ele.
Ainda, o mesmo pode ser feito no trabalho, elencando na agenda os afazeres como em uma lista de mercado.
"Até porque o trabalho exige um tempo menor e produtividade, tudo acompanhado de pressões sem poder errar", pontua o especialista.
Sono e a memória
Segundo o psiquiatra, quando a função da pessoa começa a ficar prejudicada pela falta de memória, é importante acender um sinal de alerta e buscar um profissional de saúde.
Para evitar esse e outros problemas, Dr. Marcos completa frisando a importância de uma boa noite de sono como "primordial".
"Pois é o momento que se consegue reter praticamente tudo o que foi visto durante o dia. Um ponto importante que não só o tempo, que varia entre seis e oito horas de sono, mas a qualidade de sono é muito importante para estar desperto no dia seguinte", finaliza ele.