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Michel Constantino: A hegemonia dos carros elétricos movido a ciência

Michel Constantino

08/04/2026 - 10h00

O cenário nas ruas brasileiras está mudando rapidamente. Uma análise recente dos dados de mercado revela que a adoção de carros elétricos e híbridos não é apenas uma tendência passageira, mas a maior transformação na indústria automobilística em mais de um século.

Os números confirmam a percepção visual nas ruas. Em janeiro do último ano, a participação de mercado dos veículos elétricos e híbridos no Brasil atingiu a marca de 19%. Para se ter uma ideia do ritmo acelerado de crescimento, apenas um ano antes esse índice era de 10%, e no início de 2023, representava tímidos 4%.

No entanto, o que chama a atenção não é apenas o volume de vendas, mas quem está liderando essa mudança. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) referentes a 2025 mostram um domínio impressionante das montadoras asiáticas. As marcas chinesas respondem por 50% das vendas de carros híbridos e por esmagadores 85% no segmento de veículos 100% elétricos.

Período

Participação de Mercado (Elétricos e Híbridos)

Início de 2023

4%

Janeiro do ano anterior

10%

Janeiro último

19%

A chave para entender essa rápida popularização está no componente mais caro desses veículos: a bateria de íons de lítio. Uma análise histórica dos preços revela uma queda vertiginosa que viabilizou a tecnologia comercialmente.

Em 1991, o custo por quilowatt-hora (kWh) de uma bateria ultrapassava os 9.000 dólares. Atualmente, esse valor despencou para apenas 78 dólares — uma redução de mais de 99%. Apenas nos últimos sete anos, o preço caiu pela metade, e a tendência é que essa trajetória de queda continue.

Essa redução drástica nos custos de produção reflete diretamente no bolso do consumidor. A diferença de preço entre um carro elétrico e um modelo equivalente a combustão, que há poucos anos era proibitiva para a maioria, vem diminuindo consideravelmente a cada ano.

Desafios e o Futuro do Mercado

Apesar do cenário promissor, o setor ainda enfrenta desafios. A reposição da bateria, por exemplo, ainda representa um custo considerável. Se não equacionado, esse fator poderia inviabilizar a manutenção de um veículo elétrico a longo prazo. Contudo, a expectativa é que o barateamento contínuo da tecnologia resolva essa questão em um futuro próximo.

O que se observa no Brasil é o reflexo de um fenômeno global que está reconfigurando as forças do mercado. Historicamente, a introdução de tecnologias disruptivas causa a substituição de empresas tradicionais por novos players mais adaptados à nova realidade.

Estamos testemunhando, possivelmente, a mudança mais profunda na história de mais de 100 anos da indústria automobilística. O futuro sobre quatro rodas, ao que tudo indica, será movido a eletricidade.

Notas de Rodapé:

[1] Bateria de íons de lítio: Tipo de bateria recarregável muito utilizada em equipamentos eletrônicos e veículos elétricos devido à sua alta densidade de energia, leveza e ausência de "efeito memória" (não vicia).

[2] Players: Termo em inglês frequentemente utilizado no jargão de negócios para se referir às empresas, marcas ou participantes ativos e competitivos em um determinado mercado.

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