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Juca Kfouri

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E o supercampeão perdeu

Que não existe time invencível é sabido. Esperar mais do São Paulo é otimismo

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O São Paulo foi à Campinas e perdeu por 2 a 0 para a Ponte Preta, resultado mais que normal para qualquer time que vá ao Moisés Lucarelli, exceção feita ao Manchester City, ao Liverpool, ao Real Madrid e, talvez, ao Bayer Leverkusen.

Depois de quebrar a escrita em Itaquera e ganhar do Palmeiras a Supercopa do Brasil nos pênaltis, o torcedor tricolor tomou-se de uma certa soberba, estimulado pelo cartola que dirige o clube. Bobagem.

O São Paulo tem um elenco forte para as condições brasileiras, pode disputar com chances torneios em mata-mata como serão a Copa do Brasil e a Libertadores, mas nada indica que fará frente, por ordem alfabética, ao Atlético Mineiro, Flamengo, Palmeiras e até mesmo, fora da ordem, aos dois gaúchos de Porto Alegre, no Campeonato Brasileiro.

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Em homenagem a Mané Maria

Anos bissextos são como Copas do Mundo, só a cada quatro anos: viva o dia 29/2!

29/02/2024 00h01

Juca Kfouri

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Jornalista, autor de “Confesso que Perdi”. É formado em ciências sociais pela USP

Tinha pena, quando criança, dos que nasciam em 29 de fevereiro, pois achava que só ganhavam presentes de quatro em quatro anos. Daí aprendi que a comemoração em anos não bissextos poderia ser feita no dia anterior ou no 1º de março.

Quem completa hoje 76 anos é Manoel Maria, ex-ponta-direita do Santos, tão bom, mas tão bom, driblador de primeira, que recebeu o apelido de Mané Maria, referência a Mané Garrincha. Ele chegou a ser cogitado para a Copa do Mundo de 1970, quando constou da lista dos 40 jogadores pré-convocados e houve quem defendesse seu nome para substituir o ponta botafoguense Rogério, machucado, mas resolveu-se chamar um terceiro goleiro, Emerson Leão.

Grave acidente automobilístico ceifou-lhe a carreira ainda em 1970, frustração enorme para quem surgia como substituto ideal do grande Dorval, aquele que compunha o ataque mais infernal do Planeta Bola, com Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Essa coisa de se ligar em datas e efemérides é curiosa.

José Trajano é o responsável por fazer com que vira e mexe eu, que não dou a menor bola para o meu aniversário, procure saber o que há de redondo em dias passados. Anos atrás, aqui, celebrei o mês de outubro, o que reúne o maior número de nascimentos de gênios do futebol.

O Rei Pelé, Mané Garrincha e Diego Maradona são outubrinos, com o perdão do neologismo.

Basta, não é? Sim, bastaria, mas não bastava. 

Porque Didi, o Príncipe Etíope, também é do mês 10.

Como o holandês Marco Van Basten, os brasileiros Careca e Paulo Roberto Falcão (que me fez torcer pelo Internacional tricampeão brasileiro), o francês Raymond Kopa, o inglês Boby Charlton, o sueco Zlatan Ibrahimovic, o argentino Omar Sivori e o liberiano George Weah, Bola de Ouro em 1995, além do goleiro russo Lev Iashin, o Aranha Negra.

Goleiro tem também o brilhante brasileiro Dida, como zagueiros têm o uruguaio Darío Pereyra e o ídolo palmeirense Waldemar Fiume, o centroavante inglês Wayne Rooney, o ponta-esquerda espanhol Gento e o grande capitão alemão Fritz Walter.
O encantamento com outubro fez com que eu pesquisasse os demais meses e publicasse em colunas sucessivas a relação de craques nascidos em cada um. Achava uma delícia.

Até o dia em que o querido Clóvis Rossi mandou mensagem: "Pare, Juca! Pelo amor de Deus! Está faltando assunto? Quem procura efemérides está com falta do que dizer ou em crise de criatividade", apelou.
Bateu-me dúvida cruel: e agora, o que fazer? E os meses ainda não citados? Sigo em frente e não dou bola ao mestre? Explico à rara leitora e ao raro leitor a razão da interrupção?

Honestamente não me lembro o que fiz nem tive paciência, agora, para pesquisar, convencido de que, pelo menos desta vez, a busca por alguém célebre nascido em 29 de fevereiro não foi por falta de assunto.
E prometo esperar mais quatro anos.

EM TEMPO

Na coluna passada, sobre por quem torcer, faltou mencionar o Santos, talvez por ter sido contemplado em 9 de dezembro último, quando, a pretexto de lamentar a queda do clube, contei que, além de dever ao time alguns dos mais belos momentos vividos no futebol, devo, também, dois anos de saúde sem fumar, promessa feita antes da virada sobre o Milan em 1963.

Quem, então, deixasse de torcer pelo Santos não gostava de futebol.

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JUCA KFOURI

Por que torcemos e para quem

Se a escolha de um time vem de berço, novas alternativas se abrem para torcer

26/02/2024 00h04

Juca Kfouri

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Em regra, nascemos carimbados com o time de nossos pais.

Há, é claro, os que fogem à regra. E tudo bem.

A escolha de um time para torcer, quando não vem de berço, varia de cada um para cada um.

Esconder o time de coração é fraqueza que também fica por conta de cada um.

Jamais escondi o meu e me sentiria simplesmente ridículo se o fizesse.

Como olhar para minha família, meus amigos, enfim, para quem me conhece?

Daí a distorcer vai enorme distância.

Aliás, apanho mais de corintianos que dos demais torcedores.

À medida que o tempo passa, novas preferências se instalam, sem prejudicar a do DNA.

O Barcelona, pela Catalunha, chegou antes até mesmo de ser também o de Johan Cruyff, ou de Romário, Ronaldos, Rivaldo, Xavi, Iniesta, Lionel Messi e, principalmente, Pep Guardiola.

Torcer contra Guardiola é quase torcer contra o futebol, ainda mais quando ao lado dele tem um belga genial como Kevin De Bruyne.

Mas e Jürgen Klopp? Como não torcer por ele?

Ainda mais, repita-se o ainda mais, quando dirige o Liverpool, da torcida mais comovente do Planeta Bola com o seu hino "Você nunca caminhará sozinho", sem poder escalar 11 jogadores, seis deles titulares, numa decisão de taça, como a Copa da Liga Inglesa, contra o Chelsea e no santuário de Wembley, lotado, dividido civilizadamente entre vermelhos e azuis.

O gol de Virgil Van Dijk ao faltarem três minutos para acabar a prorrogação de jogo que deveria ter acabado 3 a 3 —e terminou 0 a 0 por causa de defesas monstruosas de ambos os goleiros e da travessura das duas traves—, fez justiça.

O Liverpool disputou a decisão com apenas cinco titulares e não foi porque quis, não foi por usar time alternativo, mas pela escalação do time possível, tantos são os jogadores entregues ao departamento médico.

Klopp, em temporada de despedida dos Reds, queria porque queria ir embora com títulos. E já garantiu um, além de poder ainda vencer a Premier League, que lidera, um ponto acima do Manchester City de Guardiola, em busca do inédito tetracampeonato inglês.

Telê Santana já me fez torcer pelo São Paulo, exceção feita quando o adversário era o Corinthians…
Aliás, ele se recusava a conversar comigo em véspera de Majestosos.

Mané Garrincha, Didi e Nilton Santos fizeram de mim um garoto botafoguense, exceção feita quando o adversário era o Corinthians…

Tostão me fez cruzeirense e Reinaldo me fez atleticano.

Transferi-me com Rivellino com armas e bagagens para o Fluminense quando a Fiel cometeu contra ele a maior injustiça de sua heroica história.

Como não se deixar levar no Maracanã sob o som de "Oh, meu Mengão, eu gosto de você" e a bola nos pés de Zico?

Há quem diga que corinthiano, com h, não gosta de futebol, gosta do Corinthians.

Devo ser exceção à regra, porque a cada meio e fim de semana gosto mais do jogo e fiquei comovido com a épica conquista do capitão Van Dijk e a garotada de Klopp em Londres, tão fria e distante de São Paulo.

Porque o futebol nos transporta para uma dimensão de sonho que só quem gosta é capaz de entender.
Às vezes, nem quem gosta entende.

USTRAPALOOZA

Celso Rocha de Barros brilhou ao batizar.

O que vimos na Paulista limitou-se a ato neopentecostal de adoradores de torturador como o coronel Ustra e nem sequer os pneus compareceram.

Os democratas só não podem subestimar os golpistas.

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