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                                <title><![CDATA[Correio do Estado - Assinantes]]></title>
                    
                                <subtitle>Feed de notícias de Assinantes do Correio do Estado</subtitle>
                                                    <updated>2026-11-03T22:01:38+00:00</updated>
                        <entry>
            <title><![CDATA[Meta não é estratégia comercial]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Arthur Maximiliano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[“Precisamos vender mais.” A frase aparece em reuniões de empresas de todos os tamanhos. Normalmente, vem acompanhada de um número: crescer 20%, conquistar cinquenta novos clientes, aumentar o ticket m...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>“Precisamos vender mais.”</p>

<p>A frase aparece em reuniões de empresas de todos os tamanhos. Normalmente, vem acompanhada de um número: crescer 20%, conquistar cinquenta novos clientes, aumentar o ticket médio ou alcançar determinado faturamento até o fim do mês.</p>

<p>Definir metas é importante. O problema começa quando o número é tratado como se fosse uma estratégia comercial.</p>

<p>Uma meta informa aonde a empresa deseja chegar. Ela não explica como chegará.</p>

<p>Se uma organização pretende faturar um milhão de reais, ainda precisa responder quantas oportunidades serão necessárias, qual deverá ser o valor médio das vendas, quanto tempo cada negociação levará e qual será a taxa de conversão esperada.</p>

<p>Também precisa saber de onde virão os clientes, quem fará o primeiro contato, como as oportunidades serão qualificadas e qual rotina será utilizada para acompanhar as propostas.</p>

<p>Sem essas respostas, o objetivo comercial não é um plano. É uma expectativa.</p>

<p>Essa diferença costuma aparecer com clareza quando o mês se aproxima do fim. A liderança percebe que o resultado está distante, aumenta a cobrança e pede mais esforço da equipe. Os vendedores intensificam contatos, oferecem descontos e tentam recuperar negociações que ficaram semanas sem acompanhamento.</p>

<p>O que deveria ser gestão transforma-se em urgência.</p>

<p>No mês seguinte, o ciclo começa novamente.</p>

<p>Essa dinâmica cria uma cultura comercial baseada em pressão, não em previsibilidade. Durante boa parte do período, a empresa acompanha pouco. Nos últimos dias, cobra muito.</p>

<p>O vendedor passa a enxergar a meta como um número imposto pela liderança, e não como o resultado de uma operação que ele consegue compreender e influenciar.</p>

<p>Metas não deveriam servir apenas para medir o resultado final. Deveriam orientar o comportamento necessário para construí-lo.</p>

<p>Uma empresa que deseja aumentar as vendas precisa entender quais ações acontecem antes do fechamento. Quantas oportunidades entram no funil? Quantas avançam? Em qual etapa as negociações param? Quantas propostas são enviadas? Quantas recebem acompanhamento? Quais motivos aparecem nas perdas?</p>

<p>O faturamento é uma consequência tardia. Quando ele aparece no relatório, quase tudo que poderia produzi-lo já aconteceu ou deixou de acontecer.</p>

<p>Por isso, administrar apenas o número final é como dirigir olhando exclusivamente para o retrovisor.<br />
Uma gestão comercial consistente acompanha os sinais que antecedem o resultado. Isso permite corrigir o caminho enquanto ainda existe tempo.</p>

<p>Se há poucas oportunidades, o problema pode estar na prospecção. Se muitas reuniões não viram propostas, talvez a qualificação esteja inadequada. Se as propostas não avançam, pode existir falha na construção de valor, na negociação ou no acompanhamento.</p>

<p>Sem observar essas etapas, toda dificuldade recebe o mesmo diagnóstico: o vendedor precisa vender mais.<br />
A meta também precisa conversar com a capacidade real da empresa. Não basta aumentar o objetivo em relação ao mês anterior e esperar que a equipe encontre uma solução.</p>

<p>Se a organização deseja crescer, precisa avaliar se possui mercado, carteira, pessoas, canais e estrutura para sustentar esse crescimento. Em alguns casos, a meta exige contratar. Em outros, desenvolver a equipe, rever preços, ampliar a prospecção ou melhorar a retenção dos clientes atuais.</p>

<p>Um número maior sem uma operação diferente costuma produzir apenas uma frustração maior.</p>

<p>A tecnologia pode ajudar nesse processo. Um sistema comercial organiza oportunidades, registra interações e mostra onde as negociações estão paradas. A inteligência artificial pode apoiar análises, preparar abordagens e identificar padrões.</p>

<p>Mas nenhuma ferramenta corrige uma estratégia que não existe.</p>

<p>Um CRM alimentado de forma inconsistente é apenas uma agenda cara. Um painel com dados desatualizados transforma informação em aparência de controle. Uma automação aplicada sobre um processo confuso acelera a confusão.</p>

<p>Antes da tecnologia, a liderança precisa estabelecer método.</p>

<p>Isso significa traduzir a meta em etapas, responsabilidades, indicadores e rotinas de acompanhamento. Significa conversar com a equipe antes que o mês esteja perdido. Significa compreender os obstáculos e melhorar o processo, não apenas repetir a cobrança.</p>

<p>A maturidade comercial de uma empresa não pode ser medida somente pela ambição de seus objetivos. Ela aparece na capacidade de transformar essa ambição em execução organizada.</p>

<p>Metas continuam sendo necessárias. Elas direcionam, desafiam e permitem avaliar o desempenho.<br />
Mas não vendem sozinhas.</p>

<p>Porque escrever um número no quadro é fácil. Construir uma operação capaz de alcançá-lo é estratégia.</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <category term="Extra" />
                        <published>2026-11-03T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:36+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Servidor público e aposentadoria: entre a dedicação ao estado e a incerteza sobre o próprio futuro]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/30/servidor-publico-e-aposentadoria-entre-a-dedicacao-ao-estado-e-a-incerteza-sobre-o-proprio-futuro.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Juliane Penteado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[No dia 28 de outubro, celebramos o Dia do Servidor Público. Uma data que deveria nos convidar não apenas a homenagear aqueles que dedicam suas vidas ao funcionamento do Estado, mas também a refletir s...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>No dia 28 de outubro, celebramos o Dia do Servidor Público. Uma data que deveria nos convidar não apenas a homenagear aqueles que dedicam suas vidas ao funcionamento do Estado, mas também a refletir sobre a proteção social que lhes é assegurada depois de décadas de trabalho.</p>

<p>Professores, profissionais da saúde, agentes de segurança, servidores administrativos e tantos outros trabalhadores são responsáveis pela concretização de direitos fundamentais da população. São eles que, diariamente, fazem com que as políticas públicas saiam do papel e alcancem a sociedade.</p>

<p>Mas há uma contradição que merece nossa atenção: quem dedica a vida à garantia dos direitos da população nem sempre conhece os próprios direitos previdenciários.</p>

<p>Ao longo da minha atuação na advocacia previdenciária, tenho observado que muitos servidores públicos chegam próximos da aposentadoria sem compreender as regras que serão aplicadas, quanto poderão receber ou mesmo se terão direito à integralidade e à paridade.</p>

<p>E essa insegurança não é fruto apenas da falta de informação. É também consequência de um sistema previdenciário que se tornou cada vez mais complexo, especialmente depois da Reforma da Previdência de 2019.</p>

<h2>A aposentadoria do servidor público não segue uma regra única</h2>

<p>Diferentemente dos trabalhadores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo INSS, os servidores titulares de cargos efetivos podem estar vinculados aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).</p>

<p>Isso significa que as regras de aposentadoria podem variar conforme o ente federativo ao qual o servidor está vinculado.</p>

<p>A Emenda Constitucional nº 103/2019 estabeleceu mudanças profundas na Previdência brasileira, mas nem todas foram automaticamente estendidas aos estados e municípios.</p>

<p>Na União, por exemplo, a regra permanente de aposentadoria voluntária para os servidores abrangidos pela reforma prevê idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além de outros requisitos de contribuição, tempo de serviço público e permanência no cargo.</p>

<p>Entretanto, essas exigências não podem ser reproduzidas indiscriminadamente para todos os servidores estaduais e municipais.</p>

<p>Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, é indispensável distinguir a legislação previdenciária estadual daquela aplicável aos servidores dos municípios, inclusive de Campo Grande.</p>

<p>Não existe planejamento previdenciário responsável sem conhecer a legislação do regime ao qual o servidor pertence.</p>

<p>E é justamente nesse ponto que muitos equívocos começam.</p>

<h2>A data de ingresso pode representar uma diferença significativa na aposentadoria</h2>

<p>Um dos aspectos mais relevantes da aposentadoria do servidor público é a data de ingresso no serviço público.</p>

<p>Dois servidores com a mesma idade, exercendo funções semelhantes e possuindo o mesmo tempo de contribuição podem ter direitos previdenciários bastante diferentes.</p>

<p>Isso acontece porque as sucessivas reformas estabeleceram regras de transição, preservaram direitos adquiridos e modificaram os critérios de cálculo dos benefícios.</p>

<p>Para determinados servidores que ingressaram no serviço público até 31 de dezembro de 2003, por exemplo, ainda pode existir a possibilidade de aposentadoria com integralidade e paridade, desde que cumpridos os requisitos legais específicos.</p>

<p>A integralidade, nas hipóteses legalmente previstas, permite que os proventos sejam calculados com base na remuneração do cargo efetivo. Já a paridade assegura critérios de reajustamento vinculados à remuneração dos servidores em atividade.</p>

<p>Não são direitos automáticos, tampouco foram preservados indistintamente para todos.</p>

<p>Mas também não desapareceram para todos com a Reforma da Previdência.</p>

<p>Por isso, afirmar que a reforma retirou integralidade e paridade de todos os servidores é tão equivocado quanto prometer esses direitos sem analisar a trajetória funcional de cada trabalhador.</p>

<p>O Direito Previdenciário não pode ser interpretado por frases prontas. Exige conhecimento técnico, análise histórica e compreensão das particularidades de cada caso.</p>

<h2>O servidor que trabalhou na iniciativa privada precisa ter atenção redobrada</h2>

<p>Outra situação bastante comum envolve servidores que, antes do concurso público, trabalharam na iniciativa privada e contribuíram para o INSS.</p>

<p>Esse tempo pode ser aproveitado no RPPS por meio da Certidão de Tempo de Contribuição (CTC), observadas as exigências legais.</p>

<p>Entretanto, a decisão de transferir períodos contributivos de um regime para outro não deve ser automática.<br />
Dependendo da trajetória profissional, pode ser mais vantajoso utilizar determinados períodos no regime próprio ou preservá-los para uma eventual aposentadoria pelo INSS.</p>

<p>É importante lembrar que o mesmo tempo não pode ser utilizado em duplicidade para a concessão de benefícios previdenciários.</p>

<p>Uma escolha equivocada pode comprometer possibilidades futuras de aposentadoria.</p>

<p>Daí a importância do planejamento previdenciário antes mesmo de solicitar a certidão ou averbar períodos contributivos.</p>

<h2>Aposentadoria especial e as desigualdades na proteção previdenciária</h2>

<p>Outro tema que merece destaque é a aposentadoria dos servidores que trabalham expostos a condições prejudiciais à saúde.</p>

<p>Profissionais da enfermagem, trabalhadores da saúde e outros servidores submetidos a agentes nocivos podem ter direito a regras diferenciadas, conforme a atividade, a comprovação da exposição e a legislação aplicável.</p>

<p>Entretanto, o reconhecimento desse direito nem sempre é simples.</p>

<p>A existência de regimes próprios, as diferenças legislativas e as exigências documentais frequentemente transformam o acesso à aposentadoria em uma verdadeira disputa administrativa ou judicial.</p>

<p>Há ainda uma dimensão que considero indispensável: a perspectiva de gênero.</p>

<p>As mulheres representam parcela expressiva de diversas carreiras públicas, especialmente na educação, na saúde e na assistência social.</p>

<p>Muitas acumulam jornadas profissionais intensas com responsabilidades familiares e trabalho doméstico não remunerado.</p>

<p>Embora essas atividades de cuidado sejam fundamentais para a reprodução da vida e para o funcionamento da sociedade, permanecem insuficientemente reconhecidas na organização da proteção previdenciária.</p>

<p>Uma análise previdenciária comprometida com os direitos fundamentais não pode ignorar essas desigualdades.</p>

<p>A aplicação das regras deve considerar as particularidades das trajetórias profissionais e observar, quando pertinente, as diretrizes do julgamento com perspectiva de gênero, sem desconsiderar os requisitos estabelecidos em lei.</p>

<p>A Previdência Social não deve ser compreendida apenas como um sistema de cálculos e contribuições, mas como instrumento de proteção da dignidade humana.</p>

<h2>Aposentar agora ou continuar trabalhando?</h2>

<p>Outra questão que merece atenção é o momento de requerer a aposentadoria.</p>

<p>Nem sempre o primeiro momento em que o servidor preenche os requisitos representa a escolha mais vantajosa.</p>

<p>Em determinadas situações, permanecer em atividade pode permitir o recebimento do abono de permanência, conforme a legislação aplicável, ou melhorar as condições da futura aposentadoria.</p>

<p>Em outras, adiar o requerimento pode não trazer vantagem financeira significativa.</p>

<p>Também é necessário verificar a incidência das regras de previdência complementar, especialmente para servidores que ingressaram após sua instituição no respectivo ente federativo.</p>

<p>A depender do caso, os benefícios do regime próprio podem estar limitados ao teto do INSS, alterando substancialmente as expectativas de renda na aposentadoria.</p>

<p>Portanto, a pergunta que o servidor deve fazer não é apenas: “Quando poderei me aposentar?”</p>

<p>Mas também: “Qual regra me assegura o melhor benefício e quais serão as consequências financeiras e funcionais dessa escolha?”</p>

<p>Essa diferença de perspectiva é o que transforma uma simples contagem de tempo em um verdadeiro planejamento previdenciário.</p>

<h2>A aposentadoria é um direito social, não um favor do Estado</h2>

<p>Defendo que o debate sobre a aposentadoria dos servidores públicos precisa ultrapassar a lógica exclusivamente fiscal que frequentemente domina as discussões sobre reformas previdenciárias.</p>

<p>É evidente que os regimes previdenciários precisam de sustentabilidade financeira e atuarial. Entretanto, essa preocupação não pode eliminar sua finalidade constitucional de proteção social.</p>

<p>A aposentadoria não representa um privilégio concedido pelo Estado. É um direito construído ao longo da trajetória contributiva e funcional, condicionado aos requisitos constitucionais e legais.</p>

<p>Quando as regras são modificadas sucessivamente, sem informação acessível e orientação adequada, aumenta-se a insegurança de trabalhadores que organizaram suas vidas com base em determinadas expectativas de proteção.</p>

<p>A segurança jurídica, a transparência e o respeito aos direitos adquiridos devem permanecer no centro dessa discussão.</p>

<p>Também é preciso reconhecer que servidores públicos não constituem um grupo homogêneo. Existem diferenças expressivas de remuneração, condições de trabalho, exposição a riscos e possibilidades de aposentadoria.</p>

<p>Tratar todas essas realidades como se fossem iguais significa ignorar desigualdades que o próprio Direito Previdenciário deveria ajudar a enfrentar.</p>

<h2>Planejar a aposentadoria é também uma forma de valorizar o servidor público</h2>

<p>O planejamento previdenciário permite identificar direitos adquiridos, comparar regras de transição, avaliar a possibilidade de integralidade e paridade, organizar certidões, examinar períodos especiais e projetar o valor dos futuros proventos.</p>

<p>Mais do que antecipar uma data, significa oferecer ao servidor condições para tomar decisões conscientes sobre o encerramento de sua vida profissional.</p>

<p>Depois de décadas de dedicação ao serviço público, ninguém deveria descobrir apenas no momento da aposentadoria que poderia ter feito escolhas mais vantajosas.</p>

<p>Neste Dia do Servidor Público, minha homenagem vai a todos aqueles que, muitas vezes enfrentando condições difíceis de trabalho, continuam sustentando os serviços essenciais à população.</p>

<p>Mas a homenagem também precisa vir acompanhada de uma reflexão: valorizar o servidor público não significa apenas reconhecer sua importância enquanto está em atividade. Significa também respeitar seu direito de envelhecer com dignidade e segurança previdenciária.</p>

<p>Afinal, quem dedicou tantos anos à proteção dos direitos da sociedade também merece ter seus próprios direitos protegidos.</p>

<p><em>* Juliane Penteado Santana -  Advogada previdenciarista, professora e escritora.</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <category term="Cidades" />
                        <category term="Filmes e Séries" />
                        <published>2026-10-30T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:35+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Quando a recomendação de investimento vira prejuízo: o que o investidor pode cobrar na Justiça]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/29/quando-a-recomendacao-de-investimento-vira-prejuizo-o-que-o-investidor-pode-cobrar-na-justica.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Leandro Provenzano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Um aposentado vende um imóvel, recebe o dinheiro de uma vida inteira e procura ajuda para aplicá-lo. No questionário que preenche, declara que é conservador, que pode precisar do dinheiro a qualquer m...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Um aposentado vende um imóvel, recebe o dinheiro de uma vida inteira e procura ajuda para aplicá-lo. No questionário que preenche, declara que é conservador, que pode precisar do dinheiro a qualquer momento e que não tolera perdas. Meses depois descobre que boa parte do patrimônio está presa num produto estruturado com vencimento em cinco anos, sem resgate antecipado, rendendo pouco diante do risco que carrega. A pergunta que ele faz ao advogado é sempre a mesma: eu posso fazer alguma coisa?</p>

<p>Antes da resposta jurídica, é preciso fixar uma premissa simples. Não existe investimento bom ou ruim em abstrato. Existe investimento adequado ou inadequado para determinada pessoa, determinados objetivos, em determinada fase da vida. Quem tem trinta anos e renda estável suporta oscilação e prazo longo. Quem tem setenta, vive de aposentadoria e pode precisar custear um tratamento de saúde precisa de liquidez. O mesmo papel pode ser excelente para o primeiro e desastroso para o segundo.</p>

<p>Isso não é opinião de advogado: é norma. A Resolução CVM nº 30/2021 impõe a corretoras, distribuidoras e assessores o dever de verificar a adequação dos produtos, serviços e operações ao perfil do cliente, o chamado “suitability”. O perfil do investidor não é formalidade de cadastro, nem papel que se assina para liberar a venda. É limite de atuação de quem recomenda.</p>

<p>Há ainda um detalhe que o investidor raramente enxerga. Quem recomenda costuma ser remunerado de forma variável, conforme o produto distribuído, e os produtos mais complexos e menos líquidos tendem a remunerar melhor quem os vende. Justamente por isso a Resolução CVM nº 179/2023 passou a exigir o envio de um extrato trimestral de remuneração, documento que o investidor tem direito de receber e quase nunca abre. Ele mostra quanto a instituição ganhou com aquela carteira. É um bom lugar para começar a entender por que certas recomendações se repetiram tanto.</p>

<p>Os sinais de alerta são conhecidos de quem atua na área: produtos estruturados de longo prazo oferecidos a quem declarou precisar de dinheiro disponível; previdência privada com taxas de carregamento e administração que corroem o rendimento ano após ano; títulos de crédito privado apresentados como renda fixa segura, sem explicação clara sobre o risco do emissor e sobre a dificuldade de vender antes do vencimento; e a sucessão de operações sem objetivo definido, que gera taxas e encolhe o patrimônio.</p>

<p>Aqui entra a parte que exige honestidade. Prejuízo decorrente da oscilação do mercado é risco de quem investe: ninguém garante rentabilidade, e a assessoria é obrigação de meio, não de resultado. O que pode ser indenizável é coisa diferente, o prejuízo causado por falha concreta no dever de adequação, pela omissão em informar com clareza os riscos e os custos, ou por recomendação contaminada por conflito de interesses.</p>

<p>Nessas hipóteses, é possível buscar na Justiça a devolução de ao menos parte da perda, acionando tanto a instituição que ofertou o produto quanto a assessoria que conduziu a operação.</p>

<p>Não se trata, porém, de ação de êxito garantido, e quem disser o contrário não está sendo honesto. Em maio deste ano, ao julgar caso de perdas em fundo de investimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça afastou a responsabilização automática de todos os participantes da cadeia, restringiu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor e exigiu a demonstração da falha específica de cada agente. A decisão não fecha a porta. Ela mostra onde está a chave: a prova.</p>

<p>Por isso, quem se sente lesado deve reunir o questionário de perfil que preencheu, as mensagens trocadas com o assessor, os e-mails, eventuais gravações de ligações, os extratos da carteira e o extrato trimestral de remuneração. E convém não demorar: o prazo para pleitear reparação varia conforme o enquadramento jurídico da relação, e o tempo corre contra quem espera.</p>

<p>Investir envolve risco, e perder faz parte. Ser levado a perder por um conselho que servia melhor a quem o deu é problema de outra natureza, e esse, sim, o Judiciário pode examinar.</p>

<p><em><strong>Leandro Amaral Provenzano – OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.</strong></em></p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-29T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:38+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Se o funcionário sair, o conhecimento sai junto?]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/27/se-o-funcionario-sair-o-conhecimento-sai-junto.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a630-73d7-9f4c-516dd73f928b</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Arthur Maximiliano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Existe uma pergunta desconfortável que todo empresário deveria fazer: Se determinada pessoa não trabalhar amanhã, o que deixa de funcionar? Em muitas empresas, a resposta seria: quase tudo. Há sempre...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Existe uma pergunta desconfortável que todo empresário deveria fazer: Se determinada pessoa não trabalhar amanhã, o que deixa de funcionar?</p>

<p>Em muitas empresas, a resposta seria: quase tudo.</p>

<p>Há sempre alguém que conhece os clientes mais importantes, domina determinado sistema, sabe onde estão os documentos e entende os detalhes de processos que nunca foram registrados. Essa pessoa resolve problemas rapidamente e, por isso, torna-se cada vez mais necessária.</p>

<p>À primeira vista, parece uma grande profissional.</p>

<p>E provavelmente é.</p>

<p>Mas, do ponto de vista da gestão, sua indispensabilidade também pode revelar uma fragilidade: a empresa não transformou conhecimento individual em conhecimento organizacional.</p>

<p>Enquanto esse profissional permanece disponível, o problema fica escondido. Quando entra de férias, adoece, muda de função ou deixa a empresa, a operação percebe que não perdeu apenas uma pessoa.</p>

<p>Perdeu parte de sua memória.</p>

<p>Clientes deixam de receber o mesmo atendimento. Processos ficam mais lentos. Decisões antigas precisam ser reconstruídas. A equipe começa a procurar informações em conversas, e-mails, planilhas e documentos espalhados.</p>

<p>Em alguns casos, ninguém consegue explicar por que determinada atividade é executada daquela maneira. A resposta é apenas: “Sempre foi assim”.</p>

<p>A empresa possui uma rotina, mas não domina o próprio conhecimento.</p>

<p>Essa dependência não nasce de um dia para o outro. Ela é construída sempre que uma decisão importante não é registrada, um processo permanece na cabeça de alguém ou uma reunião termina sem encaminhamentos claros.</p>

<p>Com o tempo, algumas pessoas transformam-se em arquivos vivos da organização.</p>

<p>O problema de um arquivo vivo é que ele pode ir embora.</p>

<p>Processos não existem para eliminar a importância das pessoas. Existem para impedir que elas precisem carregar sozinhas tudo o que a empresa sabe.</p>

<p>Quando o conhecimento está organizado, os profissionais conseguem evoluir. Deixam de gastar energia repetindo explicações, procurando informações e corrigindo os mesmos erros. Podem se dedicar a decisões mais relevantes.</p>

<p>Registrar também não significa criar manuais enormes que ninguém consulta.</p>

<p>A maioria das empresas não precisa documentar cada movimento da equipe. Precisa identificar quais informações não podem desaparecer.</p>

<p>Como os principais processos funcionam? Quem responde por cada etapa? Quais decisões foram tomadas? Por que foram tomadas? O que já foi testado? O que não funcionou? Quais compromissos foram assumidos com os clientes?</p>

<p>Essas respostas formam a memória da empresa.</p>

<p>A inteligência artificial pode acelerar essa construção. Reuniões podem ser transcritas, documentos podem ser resumidos e bases de conhecimento podem se tornar pesquisáveis. Em vez de procurar manualmente uma informação, a equipe pode fazer uma pergunta e localizar decisões, históricos e referências relacionadas.<br />
Mas a tecnologia não resolve a ausência de método.</p>

<p>Se a empresa não sabe o que precisa preservar, apenas armazenará uma quantidade maior de informações desorganizadas. Ter milhares de documentos digitais não significa ter conhecimento acessível.</p>

<p>Antes de utilizar inteligência artificial para consultar a memória da empresa, é necessário construir essa memória.</p>

<p>O assunto também afeta o crescimento.</p>

<p>Uma operação baseada na experiência de poucas pessoas pode funcionar enquanto a equipe é pequena. Porém, quando a empresa contrata mais profissionais, abre unidades ou aumenta o volume de clientes, o conhecimento informal deixa de acompanhar a expansão.</p>

<p>O fundador passa a responder às mesmas perguntas. Os profissionais mais antigos tornam-se gargalos. Os novos colaboradores aprendem por tentativa, erro e observação.</p>

<p>A empresa cresce, mas continua dependendo das mesmas cabeças.</p>

<p>Uma organização verdadeiramente preparada não é aquela que consegue impedir a saída de todos os bons profissionais. Isso seria impossível. É aquela que cria condições para que o conhecimento construído pelas pessoas permaneça e continue gerando valor.</p>

<p>Pessoas insubstituíveis podem parecer sinal de uma equipe forte.</p>

<p>Muitas vezes, são sinal de uma empresa frágil.</p>

<p>Porque, se todo o conhecimento sair pela porta junto com um funcionário, talvez ele nunca tenha pertencido realmente à empresa.</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <category term="Informe Publicitário" />
                        <category term="Extra" />
                        <published>2026-10-27T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:33+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Última vencedora do Nobel de Literatura: "Se a prosa é uma casa, a poesia é um homem em chamas"]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/25/ultima-vencedora-do-nobel-de-literatura-se-a-prosa-e-uma-casa-a-poesia-e-um-homem-em-chamas.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Anne Carson conquistou o prêmio Nobel de Literatura em 8 de outubro de 2026, consolidando reconhecimento internacional para uma trajetória que desafia categorias tradicionais. A autora canadense const...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Anne Carson conquistou o prêmio Nobel de Literatura em 8 de outubro de 2026, consolidando reconhecimento internacional para uma trajetória que desafia categorias tradicionais. A autora canadense construiu uma obra singular que entrelaça poesia, prosa, tradução e estudos clássicos, frequentemente apagando as divisões entre esses gêneros.</p>

<p>Avessa à exposição pública, Carson raramente concede entrevistas, mas suas reflexões sobre o ato de escrever e sua potência transformadora emergiram ao longo dos anos em textos que revelam uma pensadora profunda sobre a linguagem. Suas frases marcantes expõem a complexidade do trabalho com palavras e o efeito que a linguagem produz naquem a lê.</p>

<h2>Sobre tradução e a incompletude da linguagem</h2>

<p>Carson vê a tradução como empreendimento impossível de se completar perfeitamente. Para ela, traduzir é como mergulhar num poço sem fundo, onde toda tentativa de boa execução fracassa inevitavelmente e força o tradutor a abandonar seu melhor trabalho.</p>

<p>Apesar da frustração, ela reconhece que é assim que o jogo funciona — uma aceitação da perda inerente ao transportar significados entre idiomas.</p>

<h2>Adjetivos, substantivos e a ilusão da objetividade</h2>

<p>A escritora analisa como as palavras carregam suas próprias limitações e parcialidades. Adjetivos, segundo ela, revelam subjetividade: ao escolher um, o escritor expõe seu próprio ângulo de relação com aquilo que descreve, traindo uma certa parcialidade. Substantivos e verbos, por outro lado, possuem maior capacidade de se disfarçar como fatos objetivos, oferecendo a ilusão de maior neutralidade ao leitor.</p>

<h2>O poema como ação da mente</h2>

<p>Carson descreve o poema como congelamento de um momento de pensamento em movimento captado numa página. Quando o poema funciona de verdade, ele registra uma ação mental completa, e o leitor que se envolve com ele precisa entrar nessa mesma ação, replicando mentalmente o que o poema oferece. O ato de ler um poema não é passivo, mas participativo.</p>

<h2>Pensamento poético versus acúmulo de dados</h2>

<p>A lógica da poesia opera de modo distinto da lógica racional. Quando se pensa poeticamente, não se acumula dados esperando chegar a uma conclusão; em vez disso, salta-se — como quem pula de um prédio, metaforicamente falando. Naquele instante, sabe-se apenas o que se sabe, sem caminho intermediário.</p>

<p>Há algo libertador nessa ausência de cálculo prévio, nessa entrega ao conhecimento imediato.</p>

<h2>A poesia em chamas dentro da prosa</h2>

<p>Talvez sua imagem mais memorável compare os dois gêneros: se a prosa fosse uma casa, a poesia seria um homem em chamas correndo muito rápido por dentro dela. A imagem captura a velocidade, a intensidade e o perigo transformador que a poesia traz quando irrompe no espaço mais seguro e contido da prosa.</p>

<h2>Mover a mente do leitor</h2>

<p>Carson vê sua missão como escritora de agitar a mente das pessoas, tarefa nada natural ao ser humano. Existe uma inércia natural em nós, uma tendência ao repouso, ao ouvir passivamente.</p>

<p>Mas é realmente importante encontrar um jeito — qualquer jeito — de fazer a mente se mover para um lugar onde nunca esteve antes, provocando transformação através da experiência com a linguagem.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-25T15:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:33+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Aposentadoria do Médico: Quem cuida de vidas também precisa cuidar do próprio futuro]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/opiniao/2026/10/23/aposentadoria-do-medico-quem-cuida-de-vidas-tambem-precisa-cuidar-do-proprio-futuro.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Juliane Penteado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[No dia 18 de outubro, celebramos o Dia do Médico. Uma data que nos convida a reconhecer profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado com a saúde, ao enfrentamento de doenças e, muitas vezes, à pres...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p align="justify">No dia 18 de outubro, celebramos o Dia do Médico. Uma data que nos convida a reconhecer profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado com a saúde, ao enfrentamento de doenças e, muitas vezes, à preservação da própria existência humana.</p>

<p align="justify">Mas, para além das homenagens, considero importante trazer uma reflexão que raramente ocupa espaço nas discussões sobre a carreira médica: quem cuida do futuro previdenciário daqueles que passaram décadas cuidando de outras pessoas?</p>

<p align="justify">Ao longo de mais de 25 anos de atuação na advocacia previdenciária e também como professora na área, tenho observado que a aposentadoria dos médicos apresenta particularidades que exigem atenção muito antes do encerramento da atividade profissional.</p>

<p align="justify">Diferentemente de outras categorias, é bastante comum que o médico construa sua trajetória a partir de múltiplos vínculos. Trabalha em hospitais, realiza plantões, mantém consultório particular, presta serviços em clínicas e, não raramente, ocupa cargos públicos.</p>

<p align="justify">Essa multiplicidade de atividades, embora represente uma característica da profissão, também pode transformar a aposentadoria em uma questão juridicamente complexa.</p>

<p align="justify">E aqui está um dos maiores equívocos que observo: acreditar que uma carreira marcada por rendimentos elevados e contribuições previdenciárias durante décadas necessariamente resultará em uma aposentadoria capaz de preservar o mesmo padrão de vida.</p>

<p align="justify">Nem sempre isso acontece.</p>

<p align="justify">No Regime Geral de Previdência Social, administrado pelo INSS, existe um teto para o salário de contribuição e para o valor dos benefícios. Isso significa que um médico pode receber remunerações de diferentes fontes, contribuir simultaneamente e, ainda assim, ter sua aposentadoria limitada pelas regras previdenciárias.</p>

<p align="justify">Por isso, o planejamento não deve responder apenas à pergunta sobre quando será possível se aposentar. É necessário compreender quanto poderá receber, quais direitos foram construídos e quais escolhas podem proporcionar maior segurança financeira.</p>

<p align="justify">A aposentadoria especial e o reconhecimento dos riscos da atividade médica</p>

<p align="justify">A Medicina é uma profissão que envolve responsabilidades extraordinárias e, em determinadas especialidades e ambientes de trabalho, exposição habitual a agentes prejudiciais à saúde.</p>

<p align="justify">Médicos que atuam em hospitais, unidades de terapia intensiva, centros cirúrgicos, serviços de urgência e outros ambientes assistenciais podem estar expostos a agentes biológicos, entre outros riscos ocupacionais.</p>

<p align="justify">É justamente para proteger trabalhadores submetidos a condições prejudiciais à saúde que existe a aposentadoria especial.</p>

<p align="justify">No caso dos médicos, quando comprovada a exposição nas condições exigidas pela legislação, o enquadramento geralmente envolve a modalidade de aposentadoria especial com 25 anos de atividade nociva.</p>

<p align="justify">Entretanto, é necessário esclarecer que o simples exercício da Medicina não garante automaticamente esse direito.</p>

<p align="justify">Até 28 de abril de 1995, a legislação permitia o reconhecimento de determinadas atividades especiais pelo enquadramento da categoria profissional, incluindo a atividade médica.</p>

<p align="justify">A partir da Lei nº 9.032/1995, passou a ser necessária a comprovação da efetiva exposição a agentes nocivos, observadas as regras probatórias aplicáveis a cada período.</p>

<p align="justify">Por isso, documentos como o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), laudos ambientais e registros das atividades profissionais podem ser determinantes para o reconhecimento do direito.</p>

<p align="justify">Uma carreira de 30 ou 35 anos pode reunir períodos submetidos a diferentes legislações, e a ausência de documentação adequada pode comprometer o reconhecimento de direitos construídos ao longo de décadas.</p>

<p align="justify">O STF e o fim da idade mínima para a aposentadoria especial: uma decisão histórica</p>

<p align="justify">Uma das discussões previdenciárias mais importantes de 2026 envolveu justamente a aposentadoria especial.</p>

<p align="justify">No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6.309, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a exigência de idade mínima instituída pela Emenda Constitucional nº 103/2019 para a aposentadoria especial dos trabalhadores do Regime Geral de Previdência Social expostos a agentes nocivos.</p>

<p align="justify">A Reforma da Previdência de 2019 havia estabelecido, para a modalidade de aposentadoria especial com 25 anos de exposição, a exigência de 60 anos de idade na regra permanente.</p>

<p align="justify">Na prática, isso poderia obrigar um profissional que já havia completado o tempo de exposição nociva a permanecer trabalhando em condições prejudiciais à saúde apenas porque ainda não havia atingido a idade exigida.</p>

<p align="justify">O Supremo reconheceu a incompatibilidade dessa exigência com a finalidade protetiva da aposentadoria especial.</p>

<p align="justify">Considero essa decisão extremamente relevante.</p>

<p align="justify">Afinal, qual seria a lógica de reconhecer que determinada atividade prejudica a saúde do trabalhador e, ao mesmo tempo, obrigá-lo a permanecer exposto ao risco por mais anos para alcançar a idade mínima?</p>

<p align="justify">A aposentadoria especial não foi criada para representar um privilégio profissional. Sua finalidade é proteger a saúde e a integridade física dos trabalhadores.</p>

<p align="justify">A decisão representa, portanto, uma importante reafirmação dessa proteção constitucional.</p>

<p align="justify">Entretanto, é necessário observar que o julgamento não afastou todos os dispositivos da Reforma da Previdência relacionados à aposentadoria especial.</p>

<p align="justify">O STF manteve a vedação à conversão de tempo especial em comum para períodos trabalhados após 13 de novembro de 2019, bem como os novos critérios de cálculo do benefício.</p>

<p align="justify">Além disso, o reconhecimento do direito continua condicionado à comprovação da exposição nociva e ao preenchimento dos demais requisitos aplicáveis.</p>

<p align="justify">Para os médicos, a decisão torna ainda mais relevante a análise individualizada do histórico previdenciário, especialmente daqueles que já acumularam longos períodos de atividade em ambientes de risco.</p>

<p align="justify">O médico autônomo também pode ter direito à aposentadoria especial</p>

<p align="justify">Outra decisão importante foi proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Tema Repetitivo nº 1.291.</p>

<p align="justify">O STJ reconheceu que o contribuinte individual não cooperado pode ter períodos de atividade especial reconhecidos mesmo após a Lei nº 9.032/1995, desde que comprove a efetiva exposição a agentes nocivos.</p>

<p align="justify">O Tribunal também estabeleceu que não se pode exigir desse profissional, necessariamente, o mesmo formulário emitido por uma empresa empregadora para comprovar a atividade especial.</p>

<p align="justify">Essa decisão possui grande relevância para médicos que trabalham de forma autônoma, especialmente aqueles que mantêm consultórios ou prestam serviços profissionais sem vínculo empregatício.</p>

<p align="justify">A ausência de um empregador não pode, por si só, representar a exclusão da proteção previdenciária.</p>

<p align="justify">Naturalmente, isso não dispensa a produção de provas sobre as condições reais de trabalho.</p>

<p align="justify">O avanço está justamente no reconhecimento de que a legislação previdenciária precisa considerar as diferentes formas de exercício profissional.</p>

<p align="justify">Múltiplos vínculos: uma vantagem profissional que exige cuidado previdenciário</p>

<p align="justify">Outro aspecto que merece atenção é a situação dos médicos que possuem vínculos simultâneos.</p>

<p align="justify">Imagine um profissional que trabalha em um hospital privado, realiza plantões em outra instituição e mantém consultório particular.</p>

<p align="justify">Embora existam diferentes fontes de remuneração, todas essas atividades podem estar vinculadas ao mesmo Regime Geral de Previdência Social.</p>

<p align="justify">Nesse caso, as contribuições devem observar o teto previdenciário, e o exercício de várias atividades não gera automaticamente o direito a várias aposentadorias pelo INSS.</p>

<p align="justify">É possível, inclusive, que ocorram recolhimentos acima do limite legal, situação que exige análise para identificar eventual direito à restituição dos valores pagos indevidamente.</p>

<p align="justify">A situação pode ser diferente quando o médico também ocupa cargo público efetivo vinculado a um Regime Próprio de Previdência Social.</p>

<p align="justify">Em determinadas hipóteses, a existência de vínculos em regimes distintos permite a concessão de aposentadorias independentes, desde que preenchidos os requisitos legais e respeitada a vedação à utilização do mesmo tempo de contribuição em mais de um benefício.</p>

<p align="justify">Também devem ser observadas as regras constitucionais de acumulação de cargos e a legislação previdenciária do respectivo ente federativo.</p>

<p align="justify">Portanto, dois médicos com trajetórias profissionais aparentemente semelhantes podem possuir direitos previdenciários completamente diferentes.</p>

<p align="justify">Aposentadoria especial não significa liberdade irrestrita para continuar trabalhando</p>

<p align="justify">Existe ainda uma questão que considero indispensável no planejamento previdenciário dos médicos.</p>

<p align="justify">O Supremo Tribunal Federal, no Tema 709 da repercussão geral, reconheceu a constitucionalidade da vedação à continuidade do recebimento da aposentadoria especial quando o segurado permanece ou retorna ao exercício de atividade com exposição nociva.</p>

<p align="justify">Isso significa que o médico que obtém aposentadoria especial precisa avaliar cuidadosamente as consequências de continuar trabalhando em ambientes que ofereçam riscos à saúde.</p>

<p align="justify">A questão é particularmente importante porque muitos médicos não desejam encerrar completamente suas atividades ao se aposentar.</p>

<p align="justify">Alguns pretendem reduzir os plantões, manter atendimentos particulares, dedicar-se à docência ou reorganizar a rotina profissional.</p>

<p align="justify">Por isso, o planejamento deve considerar não apenas a concessão do benefício, mas também o projeto de vida do profissional.</p>

<p align="justify">Em determinadas situações, a escolha entre modalidades de aposentadoria pode produzir consequências relevantes sobre a continuidade da atividade médica.</p>

<p align="justify">A decisão previdenciária precisa ser compatível com os planos pessoais e profissionais de quem pretende se aposentar.</p>

<p align="justify">Aposentar-se também é uma questão de qualidade de vida</p>

<p align="justify">Ao longo da minha experiência na advocacia previdenciária, aprendi que a aposentadoria não pode ser analisada apenas como um conjunto de cálculos, contribuições e requisitos legais.</p>

<p align="justify">Estamos falando de pessoas, de histórias profissionais e de projetos de vida.</p>

<p align="justify">No caso dos médicos, essa reflexão ganha uma dimensão especial.</p>

<p align="justify">A profissão frequentemente exige anos de formação, especializações, jornadas extensas, plantões noturnos e decisões tomadas em situações de grande responsabilidade.</p>

<p align="justify">Há também um desgaste emocional que nem sempre é percebido pela sociedade.</p>

<p align="justify">Cuidar de pessoas envolve lidar com sofrimento, perdas, expectativas familiares e situações que exigem constante equilíbrio emocional.</p>

<p align="justify">Depois de décadas de dedicação, é legítimo que o médico deseje diminuir o ritmo de trabalho, dedicar mais tempo à família, viajar, estudar, ensinar ou simplesmente viver com menos compromissos profissionais.</p>

<p align="justify">Mas essa transição precisa ser acompanhada de segurança financeira.</p>

<p align="justify">E aqui reside a importância do planejamento previdenciário.</p>

<p align="justify">É necessário identificar todos os vínculos profissionais, verificar as contribuições realizadas, examinar períodos de exposição a agentes nocivos, avaliar os direitos perante o INSS e os regimes próprios, projetar os valores dos benefícios e compreender as consequências de cada escolha.</p>

<p align="justify">O planejamento permite que a aposentadoria deixe de ser uma decisão tomada apenas quando o cansaço se torna insuportável e passe a representar uma etapa construída de maneira consciente.</p>

<p align="justify">O futuro também precisa de diagnóstico</p>

<p align="justify">Existe uma aproximação interessante entre a Medicina e o Direito Previdenciário.</p>

<p align="justify">Na Medicina, um diagnóstico adequado exige conhecimento, investigação e análise cuidadosa das condições do paciente.</p>

<p align="justify">No planejamento previdenciário, também precisamos compreender o histórico, identificar riscos, reconhecer direitos e avaliar possibilidades antes de tomar decisões.</p>

<p align="justify">Não existe uma única estratégia que sirva para todos os médicos.</p>

<p align="justify">Aquele que trabalhou exclusivamente em hospitais privados possui uma realidade diferente daquele que construiu carreira no serviço público. O médico autônomo enfrenta questões distintas das vivenciadas por quem mantém vários vínculos empregatícios.</p>

<p align="justify">E aquele que pretende continuar exercendo a Medicina após a aposentadoria precisa considerar aspectos que talvez não sejam relevantes para quem deseja encerrar definitivamente a atividade profissional.</p>

<p align="justify">Por isso, o planejamento previdenciário deve ser individualizado, técnico e, sobretudo, comprometido com a realidade humana de cada profissional.</p>

<p align="justify">Quem cuida de tantas vidas também merece ter seu futuro protegido</p>

<p align="justify">Neste Dia do Médico, mais do que homenagear uma profissão indispensável, precisamos refletir sobre a importância de assegurar proteção social àqueles que dedicam suas vidas ao cuidado de outras pessoas.</p>

<p align="justify">A decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI nº 6.309, afastando a idade mínima da aposentadoria especial no RGPS, representa um avanço importante na proteção dos trabalhadores expostos a condições prejudiciais à saúde.</p>

<p align="justify">Mas o reconhecimento dos direitos previdenciários não deve começar apenas quando o profissional decide se aposentar.</p>

<p align="justify">Ele precisa fazer parte do planejamento de toda a carreira.</p>

<p align="justify">Como advogada previdenciarista há mais de 25 anos e professora de Direito Previdenciário, defendo que a Previdência Social seja compreendida não apenas como um sistema de contribuições e benefícios, mas como um instrumento de proteção da dignidade humana.</p>

<p align="justify">A aposentadoria não deve representar simplesmente a interrupção do trabalho. Ela pode significar liberdade para escolher como viver uma nova etapa da vida.</p>

<p align="justify">E essa liberdade depende de informação, direitos reconhecidos e segurança econômica.</p>

<p align="justify">Afinal, depois de tantos anos cuidando da saúde e da vida de outras pessoas, o médico também merece olhar para o próprio futuro com tranquilidade.</p>

<p align="justify">Neste Dia do Médico, minha homenagem e meu reconhecimento a todos os profissionais que dedicam suas vidas a cuidar de vidas.</p>
]]></content>
                                    <category term="Opinião" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-23T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:36+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Tempestade solar revela risco oculto de radiação e acende alerta mundial]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/22/tempestade-solar-revela-risco-oculto-de-radiacao-e-acende-alerta-mundial.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a681-7028-8d86-f6f74e49243c</id>
            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Uma tempestade solar rara elevou os níveis de radiação acima da Terra em novembro e expôs riscos inesperados para aeronaves, além de lacunas nos sistemas de alerta da aviação. Em 11 de novembro de 202...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Uma tempestade solar rara elevou os níveis de radiação acima da Terra em novembro e expôs riscos inesperados para aeronaves, além de lacunas nos sistemas de alerta da aviação. Em 11 de novembro de 2025, um surto de partículas de alta energia atingiu a atmosfera e alcançou o nível do solo.</p>

<p>O evento foi o 77º realce de nível do solo jamais registrado e o maior em quase duas décadas. Para a maioria das pessoas, o dia passou normalmente, mas para pesquisadores de clima espacial, foi o momento para o qual anos de preparação apontavam.</p>

<h2>Instrumentos inéditos capturam o fenômeno</h2>

<p>Pesquisadores da Universidade de Surrey usaram uma rede inédita de sensores para estudar o evento. Quatro monitores de nêutrons recém-comissionados funcionavam em pontos estratégicos do Reino Unido: Lerwick, Guildford, Lancaster e Camborne. Balões meteorológicos equipados com sensores de radiação foram lançados minutos após os primeiros alertas.</p>

<p>Dois Boeing 777 em rotas transatlânticas saindo de Londres Heathrow também carregavam o mesmo tipo de sensor. Segundo pesquisador da Universidade de Surrey, o momento em que todos os sistemas operaram juntos durante o maior realce observado em quase 20 anos forneceu um conjunto de dados incrivelmente raro e a visão mais completa já obtida desse tipo de evento.</p>

<h2>A geografia intensifica a radiação</h2>

<p>Os dados revelaram algo que modelos uniformes de risco de radiação têm dificuldade em capturar: a geografia importa. Em Lerwick, o monitor de nêutrons registrou um aumento de 150% em relação aos níveis de fundo no pico do evento. O local fica mais perto do Polo Norte, onde a radiação incide com maior intensidade.</p>

<p>Lancaster, 700 quilômetros ao sul, apresentou aumento de 24%, e guildford e Camborne, ainda mais ao sul, registraram aumentos de 14% e 12%, respectivamente. A radiação não se distribuiu uniformemente pela atmosfera, e ela atingiu o norte com intensidade muito maior e diminuiu conforme a latitude diminuía.</p>

<h2>Altitude amplifica os riscos</h2>

<p>Os dados dos balões mostraram que a altitude também amplia a exposição. Jatos executivos voam tipicamente mais alto que aviões comerciais. Em altitudes acima de Lerwick, os níveis de radiação ultrapassaram o limite de alerta "moderado" da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) várias horas após o pico da tempestade.</p>

<p>Em altitudes associadas ao voo supersônico, as leituras chegaram ao dobro do limite de alerta "severo" da OACI. Um dos pesquisadores da Universidade de Surrey disse que o primeiro balão lançado de Lerwick registrou níveis elevados de radiação na alta atmosfera. O dado mostrou como esses eventos variam geograficamente e reforçou a importância de sistemas de monitoramento coordenados.</p>

<h2>Lacunas no sistema de aviação</h2>

<p>Os voos comerciais registraram níveis de radiação mais moderados, mas isso não elimina os riscos. Um voo Heathrow-JFK, que decolou às 11:45 UTC durante o pico da tempestade, e um voo posterior Heathrow-Newark sugerem que o momento em relação ao pico do evento influencia a exposição à radiação.</p>

<p>Nenhum voo ultrapassou os limiares de alerta da OACI, mas o voo anterior chegou perto do limite moderado. Existe um intervalo entre o acionamento do alerta e o recebimento da informação pelos pilotos. Esse é o foco atual da pesquisa e mostra por que sistemas de monitoramento coordenados em tempo real são essenciais para a segurança da aviação.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-22T21:08:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:33+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Vaso sanitário feito com 100 kg de ouro é vendido por R$ 50 milhões]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/22/vaso-sanitario-feito-com-100-kg-de-ouro-e-vendido-por-r-50-milhoes.html" />
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                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
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                <![CDATA[Um trabalho polêmico do artista italiano Maurizio Cattelan, batizado de "América", arrematou US$ 10 milhões (R$ 50 milhões) em leilão realizado pela Sotheby's, em Nova York. Feito inteiramente de ouro...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p>Um trabalho polêmico do artista italiano Maurizio Cattelan, batizado de "América", arrematou US$ 10 milhões (R$ 50 milhões) em leilão realizado pela Sotheby's, em Nova York. Feito inteiramente de ouro maciço e com peso superior a 100 quilos, o vaso sanitário funciona de verdade e propõe um questionamento sobre luxo, utilidade cotidiana e os critérios que sustentam o mercado de arte contemporânea.</p>

<p>A peça é uma das três versões produzidas desde 2016, cada uma com trajetória distinta. O exemplar vendido permanecia em posse de um colecionador privado desde 2017, longe do circuito de exposições públicas até o leilão desta semana.</p>

<p>A Sotheby's informou que a obra foi comprada por uma marca americana de grande renome. Com a compra, adquiriu não apenas o objeto, mas também uma declaração crítica sobre a riqueza excessiva e o consumismo contemporâneo.</p>

<h2>A instalação que desafiou museus</h2>

<p>Um dos outros exemplares da obra chamou atenção quando passou a integrar o acervo exposto no Museu Guggenheim, em Nova York, no período entre 2016 e 2017. Naquele período, a obra funcionava como um banheiro real, acessível aos visitantes. Mais de 100 mil pessoas usaram o vaso de ouro maciço.</p>

<p>A decisão do museu de permitir o uso da obra refletia a intenção satírica de Cattelan: transformar um objeto mundano em algo precioso e questionar seu valor como símbolo de status.</p>

<p>A abordagem levava os frequentadores a confrontar a ironia: um vaso sanitário cumpre a mesma função, seja feito de cerâmica ou de ouro. A obra expunha, assim, a arbitrariedade da atribuição de valor na arte de luxo.</p>

<h2>O episódio presidencial e o roubo</h2>

<p>A trajetória de "América" ganhou dimensão política quando o Guggenheim respondeu ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de forma criativa. Trump havia solicitado o empréstimo de uma pintura de Van Gogh para decorar a Casa Branca. Em vez de recusar diretamente, a instituição ofereceu a privada de ouro como alternativa provocadora.</p>

<p>Posteriormente, uma versão foi exibida no Palácio de Blenheim, em Oxfordshire, na Inglaterra, local onde nasceu Winston Churchill. Em setembro de 2019, durante essa exposição, a obra desapareceu em um roubo que durou apenas cinco minutos. O crime causou danos estruturais e inundações no palácio, pois o vaso estava conectado ao encanamento da edificação.</p>

<p>James Sheen, de 39 anos, admitiu culpa pelo crime perante o Tribunal da Coroa de Oxford, conforme apurou a imprensa britânica.</p>

<h2>Condenação e o paradoxo do valor</h2>

<p>A confissão de Sheen pelo roubo foi registrada no Tribunal da Coroa de Oxford, com base em dados do Serviço de Acusação da Coroa divulgados pela imprensa britânica. O episódio ampliou o reconhecimento público de "América" também pelo aspecto criminal de sua trajetória.</p>

<p>Hoje, "América" encarna um paradoxo: uma obra criada para criticar a excessiva valorização de objetos luxuosos tornou-se, ela mesma, símbolo do mercado de arte que pretendia satirizar. A venda por milhões de dólares demonstra como a crítica de Cattelan foi absorvida e transformada pelo próprio sistema que questionava, tornando a ironia original parte do seu valor de mercado.</p>

<h2>Quando a obra deixa de ser apenas arte e se torna alvo criminal</h2>

<p>Embora "América" tenha sido criada para provocar reflexão sobre o valor arbitrário de objetos luxuosos, o fato de ser uma obra de ouro maciço a tornou alvo de roubo. Em 2019, no Palácio de Blenheim, o vaso foi roubado não como crítica ou intervenção artística, mas como crime comum de apropriação indébita. O roubo durou apenas cinco minutos e causou danos estruturais e inundações no palácio. Naquele momento, a obra deixou de funcionar como ferramenta de crítica social e passou a ser tratada como um bem valioso a ser recuperado criminalmente, no sentido oposto ao da intenção satírica original.</p>

<h2>A obra funciona mesmo como um banheiro?</h2>

<p>Sim. Quando "América" foi instalada no Museu Guggenheim entre 2016 e 2017, o vaso funcionava plenamente. Os visitantes podiam agendar um horário para usá-lo, com limite de três minutos para evitar filas. Mais de 100 mil pessoas usaram um banheiro feito de ouro maciço. Essa funcionalidade era central à intenção de Cattelan: levar as pessoas a confrontar o absurdo de um vaso sanitário cumprir a mesma função, seja feito de cerâmica comum ou de ouro, e mostrar como seu valor é atribuído de forma arbitrária.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-22T20:55:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:33+00:00</updated>
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            <entry>
            <title><![CDATA[Imóvel dado em garantia não cobre, automaticamente, todas as suas dívidas com o banco]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/opiniao/2026/10/22/imovel-dado-em-garantia-nao-cobre-automaticamente-todas-as-suas-dividas-com-o-banco.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a667-72f3-bd33-3e99ecc51d04</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Leandro Provenzano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Para o produtor rural e para o empresário sul-mato-grossense, o crédito é, muitas vezes, o que garante a próxima safra ou a expansão do negócio. E é comum, quase sempre por exigência dos bancos e coop...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">Para o produtor rural e para o empresário sul-mato-grossense, o crédito é, muitas vezes, o que garante a próxima safra ou a expansão do negócio. E é comum, quase sempre por exigência dos bancos e cooperativas de crédito, que o tomador ofereça um imóvel em garantia, por hipoteca ou alienação fiduciária. Até aí, nada de anormal. O perigo está nas entrelinhas do contrato: a chamada “<strong>cláusula guarda-chuva</strong>”.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">Trata-se de uma disposição genérica segundo a qual o imóvel dado em garantia responde por “<strong>todas</strong> as obrigações presentes e futuras” do cliente perante a instituição. Na prática, a fazenda oferecida para financiar uma colheitadeira passa a ficar atrelada ao cheque especial, à conta garantida, ao cartão e a qualquer empréstimo contratado depois, muitas vezes sem que o produtor perceba.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">O que poucos sabem é que <strong>a lei não permite que uma garantia funcione como um cheque em branco</strong>.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>O limite da lei</strong></span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">No Direito brasileiro vigora o <strong>princípio da especialização</strong>: toda garantia real precisa dizer exatamente o que garante. O Código Civil (art. 1.424) exige que o contrato de hipoteca declare o valor do crédito ou o seu teto máximo, o prazo e a taxa de juros, sob pena de a garantia não ter eficácia. Regra semelhante vale para a alienação fiduciária de imóveis (Lei nº 9.514/1997, art. 24). Garantia sem dívida e sem valor definidos é garantia que não se sustenta.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>E o Marco Legal das Garantias?</strong></span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">A Lei nº 14.711/2023 passou a permitir que a hipoteca ou a alienação fiduciária já registrada seja estendida para garantir novas operações com o mesmo credor. Mas essa extensão <strong>não é automática</strong>: depende de pedido do proprietário, de nova averbação na matrícula do imóvel e não pode ultrapassar o valor máximo e o prazo fixados na garantia original. Ou seja, a própria lei nova confirma que a cláusula genérica, sozinha, não basta.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">O Judiciário, inclusive o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS), tem suspendido leilões e consolidações de propriedade quando a instituição tenta cobrar, por meio da garantia, dívidas que não estão especificadas e averbadas na matrícula. Se o banco ou a cooperativa iniciar a retomada do imóvel com base em dívidas que não constavam da garantia original, essa cobrança pode, e deve, ser questionada na Justiça.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>O tempo corre contra o devedor</strong></span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">Na alienação fiduciária, a retomada do imóvel é conduzida pelo próprio Cartório de Registro de Imóveis, sem processo judicial. O devedor é intimado e tem apenas 15 dias para pagar; se não pagar, a propriedade é consolidada em nome do credor e o bem segue para leilão. Por isso, esperar é o pior caminho.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>O que o produtor rural e o empresário devem fazer?</strong></span></span></span></span></p>

<ol>
	<li>
	<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>Faça um raio-X do contrato: </strong>antes de assinar, ou mesmo em contratos já em vigor, procure expressões como “o bem garante <strong>todas</strong> as obrigações <strong>presentes e futuras</strong>”. Se encontrar, saiba que essa cláusula tem pontos frágeis.</span></span></span></span></p>
	</li>
	<li>
	<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>Confira a matrícula: </strong>peça a certidão atualizada do imóvel no cartório. Nela deve constar qual é a dívida garantida e o seu valor máximo. Dívida que não está ali não pode, por si só, levar à perda do bem.</span></span></span></span></p>
	</li>
	<li>
	<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>Não assine renegociações no escuro: </strong>se o banco propuser uma renegociação que coloque outras dívidas (cheque especial, cartões, capital de giro) sob a garantia do imóvel, só assine com valores e limites claramente definidos.</span></span></span></span></p>
	</li>
	<li>
	<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><strong>Acione o freio de emergência: </strong>recebeu notificação do cartório cobrando dívidas sem relação com o empréstimo original, ou valores acima do teto garantido? Não espere o prazo acabar. Procure orientação jurídica imediatamente: é possível pedir à Justiça, em caráter de urgência, a suspensão da consolidação da propriedade e do leilão.</span></span></span></span></p>
	</li>
</ol>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2">O crédito deve ser ferramenta de crescimento, não armadilha para tomar o patrimônio de quem produz. Conhecer a lei é, sem dúvida, a melhor garantia.</span></span></span></span></p>

<p align="justify" style="margin-bottom:19px; text-align:left"><span style="background:transparent"><span style="line-height:115%"><span style="orphans:2"><span style="widows:2"><em>Leandro Amaral Provenzano – OAB/MS 13.035. Especialista em Direito Agrário. Sócio do escritório Provenzano Advogados.</em></span></span></span></span></p>
]]></content>
                                    <category term="Opinião" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-22T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:33+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Resultado da Dia de Sorte de ontem, concurso 1327, terça-feira (20/10): veja o rateio]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/economia/2026/10/21/resultado-da-dia-de-sorte-de-ontem-concurso-1327-terca-feira-2010-veja-o-rateio.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a636-70b9-bb0e-20c72920ec27</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Da Redação]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 1327 da Dia de Sorte na noite desta terça-feira, 20 de outubro de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaç...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 1327 da Dia de Sorte na noite desta terça-feira, 20 de outubro de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$ 600 mil.</p>

<h3>Premiação</h3>

<ul>
	<li ng-repeat="faixaPremiacao in resultado.listaRateioPremio | orderBy: faixa" ng-show="faixaPremiacao.faixa!==5"><strong>7 acertos - </strong>1 aposta ganhadora, (R$ 622.191,22)</li>
	<li ng-repeat="faixaPremiacao in resultado.listaRateioPremio | orderBy: faixa" ng-show="faixaPremiacao.faixa!==5"><strong>6 acertos - </strong>21 apostas ganhadoras, (R$ 3.820,07)</li>
	<li ng-repeat="faixaPremiacao in resultado.listaRateioPremio | orderBy: faixa" ng-show="faixaPremiacao.faixa!==5"><strong>5 acertos - </strong>970 apostas ganhadoras, (R$ 25,00)</li>
	<li ng-repeat="faixaPremiacao in resultado.listaRateioPremio | orderBy: faixa" ng-show="faixaPremiacao.faixa!==5"><strong>4 acertos - </strong>13.315 apostas ganhadoras, (R$ 5,00)</li>
</ul>

<h3>Mês da Sorte</h3>

<p>Março - 45.227 apostas ganhadoras, R$ 2,50</p>

<p>Confira o resultado da Dia de Sorte de hoje!</p>

<h2>Os números da Dia de <strong>Sorte 1327 são:</strong></h2>

<ul>
	<li>
	<p><strong>26 - 11 - 24 - 23 - 10 - 22 - 20</strong></p>
	</li>
	<li>
	<p><strong>Mês da sorte: 03 - Março</strong></p>
	</li>
</ul>

<p>O sorteio da Dia de Sorte é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no <a href="http://www.youtube.com/canalcaixa"><strong>canal oficial da Caixa no Youtube</strong>.</a></p>

<h2>Próximo sorteio: 1328</h2>

<p>Como a Dia de Sorte tem seis sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre na quarta-feira, 21 de outubro, a partir das 20 horas, pelo concurso 1328. O valor da premiação está estimado em R$ 150 mil.</p>

<p>Para participar dos sorteios da Dia de Sorte é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.</p>

<p>A aposta mínima custa R$ 3,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 7 dente as 31 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar 4, 5, 6 e 7 números.</p>

<h2>Como apostar na Dia de Sorte</h2>

<p>Os sorteios da Dia de Sorte são realizados às terças, quintas e sábados, sempre às 19h (horário de MS).</p>

<p>O apostador marca entre 7 e 15 números, dentre os 31 disponíveis no volante, e fatura prêmio se acertar 4, 5, 6 e 7 números.</p>

<p>Há a possibilidade de deixar que o sistema escolha os números para você por meio da Surpresinha, ou concorrer com a mesma aposta por 3, 6, 9 ou 12 concursos consecutivos através da Teimosinha.</p>

<p>A aposta mínima, de 7 números, custa R$ 3,00.</p>

<p>Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.</p>

<p>É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.</p>

<p><strong><a href="http://materiais.correiodoestado.com.br/funil-base-pagina-de-vendas/">Assine o Correio do Estado</a></strong></p>
]]></content>
                                    <category term="Economia" />
                        <category term="Esportes" />
                        <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-21T12:34:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:33+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[A reflexão de Leonardo Da Vinci: "Aprender nunca cansa a mente"]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/20/a-reflexao-de-leonardo-da-vinci-aprender-nunca-cansa-a-mente.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a617-71d1-a33d-fb9b23d0707d</id>
            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Leonardo da Vinci entrou para a história como um dos maiores símbolos da curiosidade humana. Pintor, inventor, engenheiro e estudioso da natureza, ele explorou diferentes campos do conhecimento e deix...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p data-pm-slice="1 1 []">Leonardo da Vinci entrou para a história como um dos maiores símbolos da curiosidade humana. Pintor, inventor, engenheiro e estudioso da natureza, ele explorou diferentes campos do conhecimento e deixou obras que continuam despertando interesse séculos depois de sua morte.</p>

<p>A frase "Aprender nunca cansa a mente" resume uma ideia associada à sua trajetória: a busca pelo conhecimento pode ser uma fonte de estímulo, descoberta e realização. Em vez de enxergar o aprendizado apenas como uma obrigação, essa reflexão convida a tratá-lo como uma oportunidade de compreender melhor o mundo.</p>

<p>Em uma época marcada por mudanças tecnológicas e pela circulação constante de informações, a mensagem continua relevante. Aprender não significa apenas acumular dados, mas desenvolver a capacidade de fazer perguntas, rever certezas e encontrar novas maneiras de interpretar a realidade.</p>

<h2>O que significa a frase "Aprender nunca cansa a mente"?</h2>

<p>A reflexão sugere que o conhecimento não precisa ser encarado como um fardo. Quando existe interesse genuíno por um assunto, estudar pode despertar entusiasmo, alimentar a criatividade e incentivar novas descobertas.</p>

<p>Isso não significa que aprender seja sempre fácil ou que o esforço mental não provoque cansaço. A ideia central é que a curiosidade pode tornar o processo mais significativo: em vez de estudar apenas por obrigação, a pessoa passa a buscar respostas porque deseja compreender algo que ainda desconhece.</p>

<p>Essa postura também ajuda a desenvolver uma característica importante: a disposição para reconhecer os próprios limites e continuar aprendendo. Afinal, quanto mais alguém descobre sobre determinado tema, mais perguntas podem surgir.</p>

<h2>Leonardo da Vinci e a busca por diferentes conhecimentos</h2>

<p>A trajetória de Da Vinci ilustra essa abertura intelectual. Nascido em 1452, na Itália, ele se destacou como artista durante o Renascimento, mas seus interesses ultrapassavam os limites da pintura.</p>

<p>Seus cadernos registram observações e estudos sobre anatomia, movimento, máquinas, água, voo e fenômenos naturais. A curiosidade o levou a investigar o funcionamento do corpo humano, projetar dispositivos e observar o mundo com atenção aos detalhes.</p>

<p>Obras como <em>Mona Lisa</em> e <em>A Última Ceia</em> consolidaram sua importância na história da arte. Seus estudos científicos e projetos de engenharia, por sua vez, revelam uma mente interessada em compreender como as coisas funcionavam.</p>

<p>Mais do que reunir habilidades diferentes, Da Vinci demonstrava como áreas aparentemente distantes podem se complementar. A observação da natureza, por exemplo, podia alimentar tanto sua produção artística quanto suas investigações sobre mecânica e anatomia.</p>

<h2>Por que continuar aprendendo é importante hoje?</h2>

<p>Em uma sociedade na qual ferramentas, profissões e tecnologias se transformam rapidamente, a aprendizagem contínua pode ajudar as pessoas a acompanhar mudanças e ampliar suas possibilidades.</p>

<p>No trabalho, adquirir novas habilidades favorece a adaptação a diferentes desafios. Na vida pessoal, aprender um idioma, explorar uma área científica ou desenvolver uma atividade artística pode ampliar horizontes e estimular a criatividade.</p>

<p>A curiosidade também incentiva o pensamento crítico. Em vez de aceitar uma informação imediatamente, quem mantém o hábito de aprender tende a procurar evidências, comparar explicações e reconhecer quando precisa rever uma opinião.</p>

<p>Isso não exige grandes projetos ou longas horas de estudo. Ler algumas páginas, conversar com alguém que conhece um assunto diferente ou investigar uma dúvida cotidiana já pode ser um ponto de partida.</p>

<p>A reflexão atribuída a Leonardo da Vinci, portanto, aponta para uma ideia simples: o conhecimento não precisa terminar quando acaba a escola ou se conquista uma profissão. Enquanto houver perguntas a fazer, haverá oportunidades de descoberta.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-20T20:22:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:32+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[As cinco melhores IAs do momento e quando usar cada uma]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/20/as-cinco-melhores-ias-do-momento-e-quando-usar-cada-uma.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a7c0-71f9-b752-fbd9383085a9</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Arthur Maximiliano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[A pergunta “qual é a melhor inteligência artificial?” tornou-se comum entre empresários, profissionais e estudantes. A resposta curta é menos confortável do que um ranking: depende do que precisa ser...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>A pergunta “qual é a melhor inteligência artificial?” tornou-se comum entre empresários, profissionais e estudantes. A resposta curta é menos confortável do que um ranking: depende do que precisa ser feito.</p>

<p>As principais plataformas de inteligência artificial estão se transformando em ambientes completos de trabalho. Elas pesquisam, analisam documentos, criam imagens, organizam projetos, interpretam dados e auxiliam na execução de tarefas.</p>

<p>Apesar das semelhanças, cada uma construiu vantagens diferentes.</p>

<h2>1. ChatGPT: a opção mais versátil</h2>

<p>O ChatGPT continua sendo uma das alternativas mais completas para quem deseja concentrar diversas atividades em um único lugar.</p>

<p>Pode ser utilizado para produzir textos, analisar arquivos, criar imagens, pesquisar assuntos, estruturar projetos, programar e transformar ideias em materiais práticos. O recurso de Projetos permite reunir conversas, arquivos e instruções dentro de um mesmo contexto, facilitando trabalhos que se estendem por semanas ou meses. <a href="https://chatgpt.com/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank">chatgpt.com</a></p>

<p>Para o empresário, isso significa poder criar um ambiente específico para o planejamento estratégico, outro para o comercial e outro para o marketing, preservando informações e orientações de cada frente.</p>

<p>Sua principal vantagem é a versatilidade. Se a empresa pretende começar com apenas uma plataforma, provavelmente é a escolha mais equilibrada.</p>

<h2>2. Claude: profundidade na escrita e na análise</h2>

<p>O Claude se destaca em atividades que exigem leitura, raciocínio, organização de ideias e produção textual.<br />
É especialmente útil para analisar documentos extensos, revisar contratos, interpretar relatórios, desenvolver argumentos e trabalhar textos que precisam de clareza e coerência. Seus Projetos permitem adicionar documentos e conhecimentos de referência, enquanto os Artefatos possibilitam criar materiais editáveis ao lado da conversa.</p>

<p>A plataforma também consegue pesquisar na internet, conectar-se a fontes de trabalho e criar relatórios com referências. <strong><a href="https://claude.com/product/overview" target="_blank">anthropic.com</a></strong></p>

<p>Para lideranças que produzem propostas, políticas internas, manuais, análises e conteúdos mais aprofundados, o Claude pode funcionar como um bom parceiro de raciocínio.</p>

<h2>3. Gemini: integração com o ecossistema Google</h2>

<p>O Gemini ganha força principalmente entre empresas que já utilizam Gmail, Google Drive, Documentos, Planilhas e outras ferramentas do Google.</p>

<p>Sua vantagem não está apenas na geração de respostas, mas na possibilidade de conectar a inteligência artificial ao ambiente em que as informações já estão organizadas. Também oferece recursos de pesquisa aprofundada e espaços que reúnem conversas, instruções e arquivos para projetos contínuos. <strong><a href="https://blog.google/innovation-and-ai/products/gemini-app/notebooks-gemini-notebooklm/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank">blog.google</a></strong></p>

<p>Isso pode facilitar atividades como resumir documentos, comparar informações, organizar materiais e desenvolver análises a partir de diferentes fontes.</p>

<p>Para organizações fortemente inseridas no ecossistema Google, o Gemini tende a exigir menos mudanças na rotina.</p>

<h2>4. Perplexity: pesquisa rápida com fontes</h2>

<p>O Perplexity se consolidou como uma ferramenta voltada à busca e à pesquisa. Em vez de apresentar apenas uma resposta, procura organizar informações encontradas na internet e indicar as respectivas fontes.</p>

<p>Essa característica o torna útil para realizar pesquisas iniciais sobre mercados, concorrentes, tecnologias, tendências e conceitos que precisam ser verificados. A plataforma se apresenta como um mecanismo de respostas com informações atualizadas e oferece modalidades de pesquisa mais aprofundada. <strong><a href="https://www.perplexity.ai/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank">perplexity.ai</a></strong></p>

<p>Seu diferencial está menos na criação e mais na descoberta.</p>

<p>Isso não elimina a necessidade de conferir a qualidade das fontes. Uma resposta acompanhada de links pode continuar incompleta ou interpretar uma informação de maneira equivocada. Ainda assim, a presença das referências facilita a validação.</p>

<h2>5. Microsoft Copilot: produtividade dentro da empresa</h2>

<p>O Microsoft Copilot é particularmente relevante para negócios que trabalham diariamente com Word, Excel, PowerPoint, Outlook e Teams.</p>

<p>Sua proposta é inserir a inteligência artificial dentro das ferramentas já utilizadas pela equipe. Assim, o usuário pode trabalhar textos, apresentações, planilhas, e-mails, reuniões e informações corporativas sem precisar transferir constantemente o conteúdo entre plataformas. <strong><a href="https://www.microsoft.com/pt-br/microsoft-365/business/microsoft-365-business-standard-with-copilot?utm_source=chatgpt.com" target="_blank">Microsoft 365</a></strong></p>

<p>Para empresas com uma operação estruturada no Microsoft 365, essa integração pode ser mais importante do que pequenas diferenças entre modelos de inteligência artificial.</p>

<p>A ferramenta mais eficiente nem sempre é aquela que produz a resposta mais impressionante. Muitas vezes, é a que melhor se encaixa no processo de trabalho.</p>

<h2>Afinal, qual escolher?</h2>

<p>Para versatilidade geral, o ChatGPT tende a ser a opção mais completa. Para escrita e análise aprofundada, o Claude merece atenção. Para integração com ferramentas do Google, o Gemini é uma escolha natural. Para pesquisas com fontes, o Perplexity se destaca. Para empresas estruturadas no Microsoft 365, o Copilot pode gerar mais produtividade.</p>

<p>Entretanto, a pergunta mais importante não é qual inteligência artificial está em primeiro lugar.</p>

<p>É qual problema a empresa deseja resolver.</p>

<p>Contratar várias plataformas sem definir objetivos pode criar mais dispersão do que produtividade. Também é necessário estabelecer regras sobre informações confidenciais, revisar as respostas produzidas e capacitar as pessoas para utilizar essas ferramentas com critério.</p>

<p>A inteligência artificial mais poderosa continua limitada quando recebe uma pergunta ruim, informações incompletas ou uma tarefa que ninguém compreendeu corretamente.</p>

<p>O melhor caminho não é escolher uma IA para fazer tudo. É entender a especialidade de cada uma e construir uma combinação coerente com a realidade da empresa.</p>

<p>Porque a vantagem competitiva não estará apenas em possuir a melhor tecnologia, mas em saber onde, como e por que utilizá-la.</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-20T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:36+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Professor e direitos previdenciários: entre a valorização da educação e os retrocessos da reforma]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/16/professor-e-direitos-previdenciarios-entre-a-valorizacao-da-educacao-e-os-retrocessos-da-reforma.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a59c-71f9-954b-5fda5a1926b9</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Juliane Penteado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[No dia 15 de outubro, o Brasil celebra o Dia do Professor. Uma data que deveria representar não apenas homenagens, mas também uma oportunidade para refletirmos sobre as condições de trabalho, a valori...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>No dia 15 de outubro, o Brasil celebra o Dia do Professor. Uma data que deveria representar não apenas homenagens, mas também uma oportunidade para refletirmos sobre as condições de trabalho, a valorização profissional e, especialmente, a proteção previdenciária daqueles que dedicam suas vidas à formação de outras pessoas.</p>

<p>Há mais de 25 anos, exerço a advocacia e a docência. São duas atividades que me permitem observar, sob diferentes perspectivas, a importância da educação para a construção de uma sociedade mais justa e, ao mesmo tempo, as dificuldades enfrentadas por quem escolhe ensinar.</p>

<p>Como professora, conheço as exigências de uma profissão que não se encerra quando termina a aula. Como advogada previdenciarista, acompanho as consequências de uma legislação que, especialmente após a Reforma da Previdência de 2019, passou a exigir dos professores um tempo maior de permanência no mercado de trabalho.</p>

<p>E aqui faço uma afirmação que considero necessária: os professores estão entre as categorias mais duramente atingidas pela Emenda Constitucional nº 103/2019, especialmente pela imposição de uma idade mínima para a aposentadoria.<br />
Antes da reforma, no Regime Geral de Previdência Social, os professores da educação básica podiam se aposentar, independentemente da idade, após 25 anos de contribuição, se mulheres, ou 30 anos, se homens, desde que comprovado o efetivo exercício das funções de magistério.</p>

<p>A reforma alterou profundamente essa realidade.</p>

<p>Para os professores que ingressaram no RGPS a partir de 14 de novembro de 2019, a aposentadoria passou a exigir idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, além de 25 anos de contribuição em funções de magistério na educação infantil, no ensino fundamental ou no ensino médio e do cumprimento da carência legal.</p>

<p>Para quem já contribuía antes da reforma, foram estabelecidas regras de transição, que também passaram a incorporar exigências etárias, pontuação ou períodos adicionais de contribuição. Em 2026, por exemplo, uma das regras exige 88 pontos para professoras e 98 para professores, mediante a soma da idade com o tempo de contribuição, além do tempo mínimo de magistério.</p>

<p><br />
Outra regra de transição exige, em 2026, idade mínima de 54 anos e 6 meses para mulheres e 59 anos e 6 meses para homens, além de 25 e 30 anos de contribuição em funções de magistério, respectivamente.</p>

<p>É importante lembrar que essas regras não se aplicam indistintamente a todos os professores, especialmente àqueles vinculados aos regimes próprios de previdência dos servidores públicos.</p>

<p>O problema, entretanto, não é apenas matemático.</p>

<p>A reforma desconsiderou, em grande medida, o desgaste físico, emocional e mental inerente à atividade docente.</p>

<p>Estamos falando de profissionais que enfrentam jornadas que frequentemente ultrapassam os horários escolares, salas numerosas, cobranças por resultados, dificuldades estruturais, violência no ambiente escolar e responsabilidades que extrapolam o ato de ensinar.</p>

<p>Preparar aulas, corrigir avaliações, acompanhar dificuldades de aprendizagem e lidar com diferentes realidades sociais fazem parte de um trabalho que exige permanente dedicação intelectual e emocional.</p>

<p>Por isso, considero que a imposição de uma idade mínima representou um retrocesso significativo na proteção previdenciária da categoria.</p>

<p>A aposentadoria diferenciada do professor nunca deveria ser compreendida como privilégio. Trata-se do reconhecimento constitucional das particularidades de uma atividade essencial à sociedade.</p>

<p>E esse reconhecimento precisa ser efetivo, não apenas simbólico.</p>

<p>Outro aspecto importante é compreender que nem todo professor está submetido às mesmas regras previdenciárias.</p>

<p>Os professores da rede privada e aqueles vinculados ao INSS devem observar as regras do Regime Geral de Previdência Social.</p>

<p>Já os professores servidores públicos titulares de cargos efetivos podem estar vinculados a Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), cujas regras dependem da legislação do respectivo ente federativo.</p>

<p>Isso significa que professores da rede estadual e da rede municipal podem estar sujeitos a requisitos diferentes, conforme a legislação aplicável. Também é necessário verificar as regras de transição, a data de ingresso no serviço público e a eventual existência de direitos adquiridos.</p>

<p>Em determinados casos, a análise envolve ainda o direito à integralidade e à paridade, institutos que permanecem relevantes para servidores que preencham os requisitos legais.</p>

<p>Outra dúvida frequente diz respeito ao tempo de exercício do magistério.<br />
Muitos professores acreditam que somente o período em sala de aula pode ser considerado para a aposentadoria diferenciada. Essa interpretação não corresponde integralmente à legislação.</p>

<p>A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em conjunto com a interpretação constitucional consolidada pelo Supremo Tribunal Federal, permite o reconhecimento de determinadas atividades de direção de unidade escolar, coordenação e assessoramento pedagógico como funções de magistério, desde que observados os requisitos legais, inclusive quanto à condição de professor de carreira e ao exercício em estabelecimento de educação básica.</p>

<p>Portanto, o professor que assumiu a direção de uma escola ou a coordenação pedagógica não deve presumir que perdeu o direito à contagem diferenciada daquele período.</p>

<p>É indispensável examinar a natureza da atividade, o vínculo funcional e os documentos que comprovam seu exercício.</p>

<p>Em 2026, outra discussão ganhou relevância: o reconhecimento dos profissionais da educação infantil.</p>

<p>A Lei nº 15.326/2026 promoveu alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, trazendo avanços no reconhecimento dos profissionais que exercem funções docentes na educação infantil.</p>

<p>A mudança é especialmente importante porque, historicamente, muitos profissionais que atuam com crianças pequenas enfrentaram dificuldades para obter o reconhecimento de suas atividades como funções de magistério.</p>

<p>Entretanto, a nova legislação não significa que todos os trabalhadores da educação infantil passaram automaticamente a ter direito à aposentadoria diferenciada.</p>

<p>No âmbito dos Regimes Próprios, o Ministério da Previdência esclareceu que devem ser observados o vínculo com o cargo de professor e os demais requisitos constitucionais e legais.<br />
Essa distinção é fundamental para evitar falsas expectativas e assegurar que os direitos sejam analisados de maneira juridicamente adequada.</p>

<p>Também é necessário esclarecer que a aposentadoria diferenciada do magistério, nas regras atuais, destina-se aos professores da educação básica. Os professores universitários, em regra, não estão abrangidos por essa redução, ressalvadas situações específicas de direito adquirido anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998.</p>

<p>Mas existe uma questão que considero ainda mais preocupante: a distância entre o discurso de valorização dos professores e as escolhas políticas que afetam seus direitos.</p>

<p>Não podemos afirmar que a educação é prioridade nacional enquanto aceitamos, sem reflexão crítica, o enfraquecimento das garantias sociais daqueles que sustentam o processo educativo.</p>

<p>O Brasil precisa de professores qualificados, valorizados e com condições dignas de trabalho. Precisa também assegurar que esses profissionais possam encerrar suas trajetórias laborais com segurança econômica e reconhecimento social.</p>

<p>A Previdência Social não pode ser tratada apenas como uma equação fiscal. Ela integra o sistema de Seguridade Social previsto na Constituição Federal e representa um instrumento de proteção da dignidade humana.</p>

<p>É evidente que a sustentabilidade do sistema previdenciário precisa ser discutida. Mas essa discussão não pode ignorar as desigualdades entre as profissões, as condições concretas de trabalho e os impactos sociais das mudanças legislativas.<br />
Também não podemos desconsiderar a perspectiva de gênero.</p>

<p>A docência na educação básica é uma profissão marcada pela expressiva presença feminina. Muitas professoras acumulam as responsabilidades profissionais com o trabalho doméstico e de cuidado, frequentemente não remunerado.</p>

<p>A imposição de novos requisitos etários e contributivos precisa ser examinada também à luz dessa realidade, pois as desigualdades que acompanham as mulheres durante a vida laboral não desaparecem quando chega o momento da aposentadoria.</p>

<p>É por isso que defendo uma análise previdenciária que considere não apenas números e contribuições, mas também as trajetórias profissionais e as desigualdades sociais que as atravessam.</p>

<p>Nesse cenário, o planejamento previdenciário tornou-se ainda mais importante.<br />
Professores que trabalharam em escolas particulares e posteriormente ingressaram no serviço público, por exemplo, precisam verificar a possibilidade de aproveitamento dos períodos contributivos mediante Certidão de Tempo de Contribuição (CTC).</p>

<p>Também é necessário analisar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), a carteira de trabalho, os atos funcionais, as declarações das instituições de ensino e os documentos que comprovam as atividades efetivamente exercidas.</p>

<p>Uma documentação incompleta pode comprometer o reconhecimento de períodos importantes e, consequentemente, alterar a data ou o valor da aposentadoria.</p>

<p>O planejamento também deve considerar a regra mais vantajosa, a possibilidade de direito adquirido, as regras de transição e os efeitos financeiros da escolha do momento de requerer o benefício.</p>

<p>Não basta saber quando o professor poderá se aposentar. É preciso compreender em quais condições essa aposentadoria será concedida.</p>

<p>Ao longo da minha atuação profissional, tenho observado que muitos professores chegam ao momento de requerer o benefício sem conhecer integralmente seus direitos ou sem perceber que determinados períodos de trabalho podem influenciar significativamente o resultado da análise previdenciária.</p>

<p>Essa realidade demonstra que a informação também é uma forma de proteção social.</p>

<p>Mas, neste Dia do Professor, quero ir além das regras jurídicas.</p>

<p>Quero lembrar que praticamente todas as profissões passam, em algum momento, pelas mãos de um professor.</p>

<p>Antes de existir um médico, um advogado, um engenheiro, um cientista ou qualquer outro profissional, houve alguém que ensinou, incentivou, corrigiu, acolheu e acreditou na capacidade de aprender.</p>

<p>A educação transforma vidas, amplia oportunidades e contribui para reduzir desigualdades. E os professores são protagonistas desse processo.</p>

<p>Como professora há mais de duas décadas, sei que ensinar não é simplesmente transmitir conhecimentos. É assumir um compromisso com a formação humana, com o pensamento crítico e com a construção de possibilidades para o futuro.<br />
Como advogada previdenciarista, também sei que o reconhecimento dessa trajetória precisa alcançar o momento da aposentadoria.</p>

<p>Uma sociedade que exige tanto de seus professores não pode lhes oferecer, ao final da carreira, apenas insegurança previdenciária.</p>

<p>Valorizar a educação exige políticas públicas, remuneração digna, condições adequadas de trabalho e proteção social efetiva.</p>

<p>Exige, sobretudo, compreender que a aposentadoria não é um favor concedido pelo Estado, mas um direito construído ao longo de uma vida de trabalho e contribuição.<br />
Neste 15 de outubro, minha homenagem é também uma manifestação em defesa dos direitos previdenciários dos professores.</p>

<p>Que possamos celebrar a docência, mas também questionar os retrocessos, defender os avanços e lutar por uma Previdência Social que reconheça a importância e as particularidades dessa profissão.</p>

<p>Porque quem dedica a vida a construir o futuro de tantas pessoas também merece ter o seu próprio futuro protegido.</p>

<p>Feliz Dia do Professor!</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-16T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:32+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Quando a doença se enquadra como grave para isenção de IR (Mesmo fora do rol da lei)]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/15/quando-a-doenca-se-enquadra-como-grave-para-isencao-de-ir-mesmo-fora-do-rol-da-lei.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a766-72de-a9e6-7b03a43712b3</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Leandro Provenzano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[A busca pela isenção do Imposto de Renda (IR) para aposentados, pensionistas e militares reformados portadores de doenças graves é cercada de mitos. O maior deles é o de que, se o nome exato da sua en...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>A busca pela isenção do Imposto de Renda (IR) para aposentados, pensionistas e militares reformados portadores de doenças graves é cercada de mitos. O maior deles é o de que, se o nome exato da sua enfermidade não constar no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, o direito está automaticamente perdido.</p>

<p>Embora o cenário seja complexo, o Poder Judiciário possui um entendimento consolidado que permite a concessão do benefício através do enquadramento por equivalência médica. No entanto, o sucesso dessa jornada depende de um fator crucial: a força das provas e o resultado da perícia judicial.</p>

<h2>O Rigor da Lei e o Famoso "Tema 250" do STJ</h2>

<p>Para entender como funciona o direito à isenção, o primeiro passo é conhecer o limite imposto pelos tribunais superiores. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Tema Repetitivo 250, fixou a tese de que o rol de doenças da Lei nº 7.713/88 é taxativo.</p>

<p>Isso significa que o Poder Judiciário não tem o poder de "esticar" a lei para criar novas hipóteses de isenção. Um juiz não pode, por exemplo, conceder o benefício para um portador de diabetes ou fibromialgia simplesmente por considerar tais doenças graves ou dolorosas. Não se aplica a analogia nesses casos.</p>

<p>Então, como é possível conseguir a isenção para uma doença que não está na lista?</p>

<h2>A Estratégia Jurídica: O Enquadramento por Equivalência</h2>

<p>A saída legal não está em inventar uma nova regra, mas em demonstrar que as sequelas e o estágio clínico da patologia do paciente correspondem, na prática, a um dos termos genéricos que já constam na lei.</p>

<p>A legislação utiliza conceitos médicos amplos que servem como "guarda-chuvas". Veja os exemplos mais comuns na jurisprudência:</p>

<ul>
	<li><strong>Alienação Mental:</strong> Condições como a Doença de Alzheimer ou demências severas não estão textualmente na lei. Contudo, quando avançam a ponto de retirar a capacidade cognitiva e de autodeterminação do paciente, o Judiciário as enquadra no conceito de alienação mental.</li>
	<li><strong>Paralisia Irreversível e Incapacitante: </strong>Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) não consta na lista da Receita Federal. Porém, se o AVC deixar sequelas motoras definitivas (como a perda dos movimentos de um lado do corpo), o direito à isenção nasce a partir do enquadramento na categoria de paralisia irreversível.</li>
	<li><strong>Cardiopatia Grave:</strong> O Infarto Agudo do Miocárdio, isoladamente, não garante o benefício. Mas se o infarto evoluir para uma insuficiência cardíaca crônica e severa, o paciente ganha o direito por se enquadrar como cardiopata grave.</li>
</ul>

<h2>O Coração do Processo: Laudos Médicos e Prévios</h2>

<p>Se o enquadramento por equivalência é perfeitamente possível, o que dita o sucesso ou o fracasso de uma ação judicial? A resposta é simples: a qualidade das provas documentais apresentadas logo no início.</p>

<p>O processo não se sustenta apenas com receitas de medicamentos ou atestados genéricos. O segurado precisa apresentar um histórico clínico robusto, composto por:</p>

<ul>
	<li>Laudos detalhados emitidos pelos médicos.</li>
	<li>Exames de imagem, laboratoriais e biópsias que comprovem a evolução da doença.</li>
	<li>Relatórios que descrevam detalhadamente as limitações físicas ou cognitivas causadas pela enfermidade.</li>
</ul>

<p>O médico que acompanha o paciente deve, idealmente, descrever o quadro clínico fazendo o nexo causal com os termos da lei (por exemplo, atestar que a patologia X evoluiu para um estado de cardiopatia grave ou paralisia irreversível).</p>

<h2>O "Verdadeiro Juiz" do Caso: A Perícia Judicial</h2>

<p>Por mais robusto que seja o laudo do seu médico particular ou do plano de saúde, o ponto de virada na imensa maioria das ações é a perícia médica judicial.</p>

<p>No curso do processo, o magistrado - que possui formação em Direito, e não em Medicina - nomeará um médico de sua confiança para avaliar o autor da ação. Esse perito judicial examinará os documentos, o histórico do paciente e realizará um exame clínico presencial para responder aos quesitos técnicos formulados pelas partes.</p>

<p>É fundamental compreender que o laudo do perito judicial, na grande maioria das vezes, vincula a sentença do juiz. Se o perito oficial atestar que a sequela do AVC não gera paralisia incapacitante, ou que o quadro cardíaco ainda é moderado (e não grave), a chance de improcedência da ação é altíssima. Por outro lado, se a perícia confirmar o enquadramento por equivalência, o caminho para a concessão da isenção estará praticamente consolidado.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Buscar a isenção do Imposto de Renda por vias judiciais para doenças fora do rol taxativo é um direito legítimo, mas que exige estratégia e rigor técnico. O Tema 250 do STJ fechou as portas para concessões por mera simpatia ou analogia, mas manteve abertas as vias do enquadramento científico.</p>

<p>Antes de acionar a Justiça, certifique-se de que sua condição clínica de fato preenche os critérios de gravidade exigidos e invista tempo na organização de um acervo médico impecável. Afinal, no tribunal, a caneta do perito judicial costuma ter o peso definitivo na balança da justiça.</p>

<p><em>* Leandro Amaral Provenzano – OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-15T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:36+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Expedição sueca explora caverna na Rússia e encontra espécie desconhecida pela ciência]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/13/expedicao-sueca-explora-caverna-na-russia-e-encontra-especie-desconhecida-pela-ciencia.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a583-71f3-98d0-027cef651aad</id>
            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Pesquisadores da Universidade de Estocolmo analisaram fragmentos ósseos minúsculos recuperados na caverna de Denisova, na Sibéria, e reconstruíram o genoma de uma espécie de bovino extinto nunca antes...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Pesquisadores da Universidade de Estocolmo analisaram fragmentos ósseos minúsculos recuperados na caverna de Denisova, na Sibéria, e reconstruíram o genoma de uma espécie de bovino extinto nunca antes documentada pela ciência.</p>

<p>O estudo, publicado na revista Current Biology, revela como técnicas de análise de DNA antigo permitem identificar animais cujos restos são tão pequenos que métodos convencionais de classificação anatômica não conseguem determinar a qual espécie pertenciam. A equipe aplicou análise genética a dezenas de ossos fragmentados demais ou incompletos para serem identificados pela forma.</p>

<p>Os pesquisadores encontraram, entre o material descoberto, pelo menos 20 genomas de um bovino extinto, provisoriamente denominado yak X. O animal era estreitamente relacionado aos yaks modernos, que hoje habitam o Himalaia e o planalto tibetano.</p>

<h2>Um acervo de fósseis</h2>

<p>A caverna de Denisova conserva mais de 250 mil fragmentos ósseos de diferentes animais e grupos humanos pré-históricos. Cerca de 95% desses restos são tão pequenos que não podem ser classificados por critérios anatômicos convencionais. Por isso, a análise de DNA é essencial para descobrir quais espécies deixaram seus ossos ali durante centenas de milhares de anos.</p>

<p>Esse acervo tem permitido aos pesquisadores documentar a fauna que habitou as montanhas de Altái durante o Pleistoceno e registrar a vida animal na região siberiana em períodos remotos da pré-história.</p>

<h2>Uma separação evolutiva de 400 mil anos</h2>

<p>O estudo genético indica que o yak X começou a se separar evolutivamente dos yaks modernos há aproximadamente 400 mil anos. As duas linhagens ficaram completamente diferenciadas cerca de 150 mil anos depois.</p>

<p>Love Dalén, pesquisador da Universidade de Estocolmo, explicou que a proximidade evolutiva permite supor que os dois animais tivessem aparência semelhante. Mas ressaltou que uma divergência relativamente recente não garante necessariamente essa semelhança.</p>

<p>Dalén exemplificou a ressalva apontando que ursos pardos e ursos polares divergiram aproximadamente na mesma época e, ainda assim, possuem aspectos muito diferentes. A equipe trabalha agora em novo estudo para determinar quais genes codificadores de proteínas diferenciavam esse bovino de seus parentes asiáticos.</p>

<h2>Registros que cobrem dezenas de milhares de anos</h2>

<p>Os restos analisados cobrem um período extraordinariamente amplo. O genoma mais antigo atribuído ao yak X provém de um animal que viveu há até 247 mil anos, enquanto o exemplar mais recente tem cerca de 27 mil anos.</p>

<p>Sua presença repetida na caverna coincide com épocas em que diferentes populações humanas também utilizaram esse enclave siberiano, abrindo a possibilidade de que ambas as espécies mantivessem algum tipo de interação.</p>

<h2>Como o DNA antigo revela espécies a partir de ossos minúsculos</h2>

<p>Quando um osso é tão pequeno ou fragmentado que sua forma não permite identificar a qual animal pertencia, os pesquisadores extraem e analisam o DNA preservado dentro dele. Esse material genético funciona como uma "carteira de identidade" do animal — cada espécie tem uma sequência de DNA característica que pode ser comparada com a de outras espécies conhecidas.</p>

<p>No caso do yak X, os cientistas conseguiram reconstruir genomas completos a partir de múltiplos fragmentos, confirmando que se tratava de um bovino nunca antes catalogado pela ciência.</p>

<p>A vantagem dessa técnica é que ela não depende de características visíveis ou da integridade do osso. Enquanto métodos tradicionais exigem que o fóssil tenha formatos reconhecíveis — como a curvatura de um crânio ou o comprimento de um fêmur — a análise genética funciona com pedaços microscópicos.</p>

<p>Na caverna de Denisova, onde 95% dos fragmentos são pequenos demais para classificação anatômica convencional, essa abordagem transformou ossos "invisíveis" em evidência científica valiosa.</p>

<h2>Altái como refúgio de biodiversidade durante o Pleistoceno</h2>

<p>A caverna de Denisova fica em uma região que, durante as grandes oscilações climáticas do Pleistoceno, funcionou como refúgio para diferentes espécies de animais. As montanhas de Altái mantiveram condições relativamente estáveis enquanto outras áreas do planeta sofriam mudanças glaciais extremas, permitindo que diversas populações animais sobrevivessem e convivessem no local.</p>

<p>A descoberta do yak X reforça essa interpretação: a região não era apenas um ponto de passagem. Mas também um abrigo onde múltiplas formas de vida coexistiram por centenas de milhares de anos.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-13T22:49:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:31+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Planejamento estratégico não é planejar o ano]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Arthur Maximiliano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Com a aproximação de um novo ano, o planejamento estratégico volta a ocupar espaço na agenda das empresas. Reuniões são marcadas, metas são discutidas e apresentações começam a ser preparadas. É um mo...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Com a aproximação de um novo ano, o planejamento estratégico volta a ocupar espaço na agenda das empresas. Reuniões são marcadas, metas são discutidas e apresentações começam a ser preparadas.</p>

<p>É um movimento importante. Mas existe um equívoco frequente: acreditar que planejar estrategicamente significa organizar o próximo ano.</p>

<p>Planejamento estratégico não é um calendário de ações. Também não é uma lista de desejos acompanhada por números ambiciosos. É a definição consciente de onde a empresa está, aonde pretende chegar e quais escolhas serão necessárias para percorrer esse caminho.</p>

<p>Parece simples. Na prática, exige algo que muitas organizações evitam: olhar para a realidade sem suavizá-la.<br />
Antes de discutir o futuro, a empresa precisa compreender o presente. Precisa saber onde ganha dinheiro, onde perde eficiência, quais clientes deseja atender, quais processos limitam seu crescimento e quais capacidades ainda precisa desenvolver.</p>

<p>Sem diagnóstico, a meta nasce da expectativa. E expectativa sem evidência dificilmente se transforma em estratégia.</p>

<p>É comum encontrar empresas que estabelecem um percentual de crescimento sem investigar de onde ele virá.</p>

<p>Querem vender mais, mas não avaliam a capacidade comercial. Desejam melhorar a margem, mas desconhecem os custos. Pretendem expandir, embora a operação atual ainda dependa do proprietário para quase todas as decisões.</p>

<p>Nesse cenário, o planejamento registra intenções, mas não enfrenta as condições necessárias para realizá-las.</p>

<p>Uma estratégia consistente precisa produzir escolhas. Nenhuma empresa consegue investir simultaneamente em todas as oportunidades, atender todos os públicos e resolver todos os problemas. Recursos financeiros são limitados. A equipe possui uma capacidade real de execução. O tempo da liderança também é finito.</p>

<p>Por isso, planejar é estabelecer prioridades. E toda prioridade verdadeira exige renúncia.</p>

<p>Se tudo é estratégico, nada é estratégico.</p>

<p>Outro problema aparece quando o planejamento termina na reunião em que foi criado. O documento é aprovado, compartilhado com a equipe e, aos poucos, perde espaço para as urgências da operação. As decisões voltam a ser tomadas conforme o problema do dia, não de acordo com a direção definida.<br />
A estratégia existe na apresentação, mas desaparece da agenda.</p>

<p>Planejamento estratégico só ganha valor quando influencia a rotina. Os objetivos precisam ser traduzidos em iniciativas, indicadores, responsáveis e prazos. As lideranças devem acompanhar a execução, identificar desvios e decidir o que precisa ser corrigido.</p>

<p>Isso não significa transformar a empresa em uma estrutura rígida.</p>

<p>Nenhum planejamento permanece intacto diante da realidade. Clientes mudam, concorrentes reagem, tecnologias avançam e novas oportunidades aparecem. A inteligência artificial, por exemplo, já alterou a forma como empresas analisam informações, atendem clientes e executam tarefas.</p>

<p>Um bom planejamento não tenta prever cada acontecimento. Ele oferece critérios para que a organização consiga responder às mudanças sem perder sua direção.</p>

<p>Estratégia não é rigidez. É clareza suficiente para mudar de rota sem abandonar o destino.</p>

<p>A tecnologia pode contribuir nesse processo. Sistemas organizam informações, painéis revelam indicadores e ferramentas de inteligência artificial ajudam a comparar cenários. Porém, nenhuma delas substitui a responsabilidade da liderança.</p>

<p>Dados mostram o que aconteceu. Projeções apresentam possibilidades. A decisão sobre o que fazer continua sendo humana.</p>

<p>Também é necessário aceitar que estratégia não se executa apenas nas grandes decisões. Ela aparece no orçamento aprovado, nas pessoas contratadas, nos projetos interrompidos e nas reuniões que a liderança escolhe acompanhar.</p>

<p>Cada recurso investido revela uma prioridade. Cada problema tolerado também.</p>

<p>Por isso, o planejamento estratégico não deveria acontecer apenas uma vez por ano. O ciclo anual pode marcar uma revisão mais profunda, mas a estratégia precisa ser acompanhada durante todo o período. Sem revisão, metas envelhecem. Sem indicadores, opiniões ocupam o lugar dos fatos. Sem responsáveis, o plano se torna uma intenção coletiva pela qual ninguém responde.</p>

<p>Empresas não precisam de planejamentos mais bonitos. Precisam de estratégias que sobrevivam ao retorno da rotina.</p>

<p>O verdadeiro planejamento começa com um diagnóstico honesto, avança por escolhas claras e se sustenta pela disciplina da execução.</p>

<p>Porque definir onde a empresa deseja chegar é importante. Mas gestão acontece no caminho entre a intenção e o resultado.</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-13T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:26+00:00</updated>
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            <entry>
            <title><![CDATA[Encontrado na Síria, possível brinquedo mais antigo da história surpreende arqueólogos]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/12/encontrado-na-siria-possivel-brinquedo-mais-antigo-da-historia-surpreende-arqueologos.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Chocalhos de argila com cerca de 4.500 anos foram encontrados por arqueólogos na Síria e podem figurar entre os exemplares mais antigos já catalogados desse tipo de objeto. Feitas para entreter e acal...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p>Chocalhos de argila com cerca de 4.500 anos foram encontrados por arqueólogos na Síria e podem figurar entre os exemplares mais antigos já catalogados desse tipo de objeto. Feitas para entreter e acalmar recém-nascidos durante a Idade do Bronze, as peças mostram que o cuidado com as crianças e as formas de distraí-las já tinham espaço na rotina das famílias e no comércio da época.</p>

<p>Por cerca de cem anos, as peças ficaram no acervo do Museu Nacional da Dinamarca sem a identificação correta, registradas por engano como peneiras e tubos de cerâmica. Foi apenas com um novo exame dos fragmentos que se descobriu a verdadeira função deles: acalmar e entreter bebês.</p>

<p><img alt="" src="https://cdn.correiodoestado.com.br/upload/dn_arquivo/2026/10/foto-de-john-fhaer-engedal-nissen-the-national-museum-of-denmark.jpg" style="height:695px; width:903px" /></p>

<h2>Da peneira ao brinquedo: um erro corrigido</h2>

<p>Na década de 1930, equipes de escavação encontraram os fragmentos na antiga cidade de Hama, na Síria, então um importante centro urbano do Oriente Médio. No total, ao menos 21 pedaços identificados pertenciam a chocalhos feitos no começo da Idade do Bronze, num período que vai de 4.500 a 4.000 anos atrás.</p>

<p>Um dos fragmentos com furos havia sido descrito como peneira em registros antigos. Outro pedaço, com formato de cabo oco, foi catalogado como parte de uma tubulação. O erro só foi corrigido com o reexame recente das peças.</p>

<h2>Som suave feito para ninar</h2>

<p>Pequenas pedras e bolinhas de argila eram colocadas dentro de cada chocalho e produziam o barulho quando o objeto era sacudido, como nos brinquedos de bebê atuais. Testes com um exemplar preservado mostraram que o som era baixo e suave, adequado ao ouvido sensível de recém-nascidos.</p>

<p>A intensidade do ruído também descarta a hipótese de que as peças fossem instrumentos musicais. A localização reforça essa conclusão: os fragmentos apareceram em um bairro residencial, longe de templos ou áreas funerárias da época.</p>

<h2>Artesanato vendido em mercados de rua</h2>

<p>A composição química do material mostrou que os chocalhos usavam a mesma argila da cerâmica comercial da região. Isso indica que artesãos profissionais produziam as peças e as vendiam como outros itens do cotidiano.</p>

<p>O acabamento cuidadoso e os padrões decorativos no esmalte sugerem que Hama produzia esses brinquedos em grande escala, atendendo também outras cidades próximas. Escavações em pontos vizinhos do Oriente Médio já haviam revelado modelos parecidos, incluindo versões talhadas em formato de animais.</p>

<h2>Diversão ou proteção espiritual?</h2>

<p>As evidências de uso infantil não encerram a discussão sobre os chocalhos. Pesquisadores ainda avaliam se eles também tinham uma função ritual dentro das casas. Alguns especialistas defendem que o objeto cumpria as duas funções.</p>

<p>Enquanto distraía os bebês, o som do chocalho também poderia funcionar como uma espécie de barreira sonora contra espíritos maus, segundo essa interpretação. Essa dupla função colocaria o item num papel que vai além do simples entretenimento doméstico.</p>

<p>Os achados de Hama entram agora para uma lista restrita de brinquedos antigos encontrados pelo mundo, ao lado de uma miniatura de carruagem de 5.000 anos descoberta na Turquia e de uma cabeça de boneca de 4.000 anos escavada na Itália.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Economia" />
                        <category term="Esportes" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-12T16:48:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:30+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Parece impossível: a maior ponte do mundo se estende por 164 km sobre áreas alagadas]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/10/parece-impossivel-a-maior-ponte-do-mundo-se-estende-por-164-km-sobre-areas-alagadas.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[A Ponte Danyang-Kunshan, na China, estende-se por 164 quilômetros sobre uma região de rios, canais, lagos e áreas alagadas. Reconhecida pelo Guinness World Records como a mais longa do planeta. A estr...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><p>A Ponte Danyang-Kunshan, na China, estende-se por 164 quilômetros sobre uma região de rios, canais, lagos e áreas alagadas. Reconhecida pelo Guinness World Records como a mais longa do planeta. A estrutura funciona como um sistema elevado que permite aos trens de alta velocidade atravessar essas áreas sem depender das condições instáveis do solo.</p></p>

<p><br />
<p>Construída para a ferrovia Pequim-Xangai, a megaestrutura entrou em operação em junho de 2011, como parte da expansão da rede ferroviária chinesa. Com 164 quilômetros, ela supera a distância entre São Paulo e Campinas, uma comparação que ajuda a visualizar a escala do projeto que transformou um obstáculo natural em infraestrutura funcional.</p></p>

<p><br />
<h2>O desafio de construir sobre água e solo instável</h2></p>

<p><br />
<p>Ao planejar a linha Jinghu, também conhecida como Pequim-Xangai, os engenheiros encontraram um terreno complexo, onde construir diretamente sobre o solo seria impraticável. Rios, canais e áreas alagadas impediriam a implantação tradicional dos trilhos. Por isso, a solução foi elevar toda a ferrovia acima dessas zonas críticas.</p></p>

<p><br />
<p>Uma das seções mais exigentes fica sobre o Lago Yangcheng, perto de Suzhou, onde a estrutura precisou manter estabilidade enquanto distribuía o peso de trens em movimento sobre grandes extensões de água.</p></p>

<p><br />
<p>Em vez de uma única ponte suspensa monumental, a Danyang-Kunshan é formada por uma sequência de viadutos e vãos apoiados em pilares. Essa configuração distribui as cargas ao longo de todo o percurso e permite que a ferrovia atravesse terrenos de características diferentes sem comprometer a segurança operacional.</p></p>

<p><br />
<h2>Um sistema de mobilidade, não apenas uma ponte</h2></p>

<p><br />
<p>Embora frequentemente descrita como uma única estrutura colossal, a Danyang-Kunshan reúne múltiplas estruturas integradas. Essa configuração permite que os trens de alta velocidade mantenham um traçado regular e previsível, essencial para operações seguras e eficientes nesse corredor. Na mesma ferrovia Pequim-Xangai situa-se o viaduto Langfang-Qingxian, com 114 quilômetros, também reconhecido pelo Guinness como a segunda ponte mais longa do mundo.</p></p>

<p><br />
<p>Juntas, essas duas estruturas mostram como a engenharia moderna transforma lagos, rios e terrenos instáveis em partes funcionais de rotas de transporte de alta capacidade. O tamanho das pontes, portanto, não é apenas uma curiosidade, mas uma solução para um problema geográfico real.</p><br />
<div class="bob-video" style="margin:18px 0"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/TYcHQlP-1I0" width="560" height="315" frameborder="0" loading="lazy" allowfullscreen="" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture"></iframe></div></p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-10T18:38:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:28+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[A abóbora mais pesada do mundo tem mais de 1.000 quilos e supera peso de rinoceronte]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/09/a-abobora-mais-pesada-do-mundo-tem-mais-de-1000-quilos-e-supera-peso-de-rinoceronte.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Uma abóbora de 1.295,8 kg entrou para os registros da Great Pumpkin Commonwealth (GPC) como a mais pesada já cultivada, superando até o peso de um rinoceronte-branco. A organização internacional regul...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Uma abóbora de 1.295,8 kg entrou para os registros da Great Pumpkin Commonwealth (GPC) como a mais pesada já cultivada, superando até o peso de um rinoceronte-branco. A organização internacional regula o cultivo e as disputas de abóboras gigantes ao redor do mundo, e classificou o feito como inédito em toda a trajetória das plantas frutíferas.</p>

<p>Quem conquistou o título foi o britânico Ian Paton, morador de Hampshire, que desta vez cuidou de toda a produção sem ajuda. Para o juiz Gerald Short, trata-se do maior espécime já produzido nos 100 milhões de anos de história das plantas frutíferas na Terra — um feito que, segundo ele, representa o próprio sentido da palavra extraordinário.</p>

<p><img alt="" src="https://cdn.correiodoestado.com.br/upload/dn_arquivo/2026/10/heaviest-pumpkin-picked-tcm25-680791.webp" style="height:691px; width:984px" /></p>

<h2>Como o cultivo em estufa permitiu o recorde</h2>

<p>Para fazer a abóbora crescer, Ian manteve a plantação em uma estufa durante todo o período de desenvolvimento. Ele explicou que a estrutura protegida acelera o crescimento no início da temporada e prolonga o período produtivo, dando às abóboras mais tempo para alcançar seu potencial máximo.</p>

<p>Durante os meses mais quentes do verão britânico, marcado por ondas de calor excepcionais, a estufa recebeu atenção especial. Para proteger as folhas da plantação contra os efeitos do sol forte, parte das janelas da estufa recebeu tinta branca, criando uma barreira contra a luminosidade excessiva.</p>

<p>As temperaturas internas chegaram a 40°C e exigiram até 590 litros de água por dia, o equivalente a cerca de três banheiras cheias.</p>

<h2>O ritmo impressionante de crescimento</h2>

<p>A abóbora passou do tamanho de uma bola de golfe a mais de 1 tonelada em apenas 120 dias. Ela chegou a crescer 32 kg por dia, conforme informou Ian.</p>

<p>Ian trabalhou até seis horas diárias na plantação durante dois meses e cuidou sozinho de todas as tarefas de cultivo. No ano anterior, contou com a ajuda do irmão Stuart. Apesar dos desafios, superou o recorde anterior em quase 20 kg.</p>

<h2>Um legado de recordes e planos para o futuro</h2>

<p>Quem quiser conferir o exemplar de perto poderá visitá-lo até o final de outubro, quando ele ficará em exposição na Sunnyfields Farm, nas proximidades de Southampton, em Hampshire. As 2.600 sementes já colhidas do exemplar oferecem novas oportunidades para futuras tentativas de quebra de recorde.</p>

<p>Ian quer cultivar uma abóbora de cerca de 1.361 kg na próxima temporada. Em 2025, ele e Stuart conquistaram o título com uma abóbora de 1.278,8 kg, que ainda detém o recorde de maior circunferência, com 649,8 cm. Antes disso, o recorde pertencia ao americano Travis Gienger, que em 2023 alcançou 1.246,9 kg.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-09T18:49:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:29+00:00</updated>
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            <entry>
            <title><![CDATA[Quem cuida da saúde da população também precisa cuidar do próprio futuro previdenciário]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/09/quem-cuida-da-saude-da-populacao-tambem-precisa-cuidar-do-proprio-futuro-previdenciario.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Juliane Penteado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Todos os dias, milhares de profissionais percorrem ruas, bairros, comunidades e domicílios levando informação, prevenção e cuidado à população brasileira. São pessoas que conhecem as famílias pelo nom...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Todos os dias, milhares de profissionais percorrem ruas, bairros, comunidades e domicílios levando informação, prevenção e cuidado à população brasileira.</p>

<p>São pessoas que conhecem as famílias pelo nome, entram em suas casas, identificam situações de vulnerabilidade, orientam sobre prevenção de doenças, acompanham comunidades e enfrentam, muitas vezes, condições de trabalho que passam despercebidas por quem observa o serviço de saúde apenas de fora.</p>

<p>Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate às Endemias (ACE) desempenham um trabalho essencial para o Sistema Único de Saúde.</p>

<p>E justamente por isso, quando falamos sobre esses profissionais, não podemos falar apenas sobre o serviço que prestam à sociedade. Precisamos falar também sobre quem protege aqueles que dedicam a vida a proteger a saúde dos outros.</p>

<p>Como professora de Direito Previdenciário e advogada atuante na área há mais de 25 anos, acompanho de perto as dúvidas e as expectativas que surgem quando uma categoria profissional recebe uma previsão constitucional de aposentadoria diferenciada.</p>

<p>No caso dos ACS e ACE, essa discussão ganhou ainda mais relevância nos últimos anos.</p>

<p>Mas é preciso separar expectativa, direito constitucional, regulamentação e regra efetivamente aplicável.<br />
E essa distinção pode fazer toda a diferença no planejamento de uma aposentadoria.</p>

<h2>O reconhecimento constitucional foi um marco</h2>

<p>A Emenda Constitucional nº 120/2022 acrescentou ao artigo 198 da Constituição Federal uma previsão expressa de que os Agentes Comunitários de Saúde e os Agentes de Combate às Endemias terão, em razão dos riscos inerentes às funções desempenhadas, aposentadoria especial e adicional de insalubridade. </p>

<p>Não é uma previsão pequena.</p>

<p>A Constituição reconheceu que essas atividades possuem características próprias e riscos que justificam uma proteção previdenciária diferenciada.</p>

<p>Mas existe uma diferença importante entre reconhecer constitucionalmente um direito e estabelecer, de maneira completa, os requisitos para sua concessão.</p>

<p>Foi justamente nesse ponto que surgiu uma das principais controvérsias previdenciárias envolvendo essas categorias.</p>

<h2>O que a TNU decidiu em 2026?</h2>

<p>Em fevereiro de 2026, a Turma Nacional de Uniformização julgou o Tema 347, que discutia justamente o alcance do § 10 do artigo 198 da Constituição.</p>

<p>A tese firmada foi de que esse dispositivo possui eficácia limitada e depende de regulamentação por lei complementar para definir os requisitos da aposentadoria especial.</p>

<p>Enquanto essa regulamentação não sobrevier, permanece a necessidade de comprovar a efetiva exposição a agentes nocivos, conforme a legislação previdenciária aplicável ao período trabalhado.</p>

<p>Essa decisão traz uma consequência prática muito importante: O simples fato de exercer a função de ACS ou ACE não significa, por si só, que todo o período trabalhado seja automaticamente reconhecido como especial.</p>

<p>É preciso analisar o regime previdenciário, o período trabalhado e a documentação existente.</p>

<p>E essa conclusão não diminui a importância do reconhecimento constitucional. Ao contrário: mostra que ainda existe uma etapa de regulamentação necessária para transformar a previsão constitucional em uma disciplina completa de concessão do benefício.</p>

<h2>A aposentadoria especial não pode ser analisada sem olhar o regime previdenciário</h2>

<p>Esse talvez seja um dos primeiros questionamentos que faço quando um agente me procura:</p>

<p>Você está vinculado ao INSS ou a um Regime Próprio de Previdência Social?</p>

<p>Parece uma pergunta simples, mas ela muda completamente a análise.</p>

<p>Há ACS e ACE vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, o RGPS, administrado pelo INSS.<br />
Há também profissionais vinculados a regimes próprios de estados e municípios.</p>

<p>E as regras não são necessariamente as mesmas.</p>

<p>No âmbito dos RPPS, o Ministério da Previdência orienta que a aposentadoria especial prevista para ACS e ACE depende de disciplina por lei complementar do respectivo ente federativo, observadas as regras constitucionais, o equilíbrio financeiro e atuarial e o prévio custeio. </p>

<p>Por isso, antes de perguntar simplesmente “com quantos anos vou me aposentar?”, existe uma pergunta anterior: “Qual é o regime previdenciário ao qual estou vinculado?”</p>

<h2>E a documentação?</h2>

<p>Aqui está uma das partes mais importantes do planejamento previdenciário.</p>

<p>A experiência de mais de 25 anos na advocacia e também a sala de aula me ensinaram uma coisa: direito sem prova frequentemente se transforma em direito difícil de exercer.</p>

<p>Para os profissionais vinculados ao RGPS, documentos como o PPP, laudos ambientais e registros relacionados às condições de trabalho podem ser fundamentais para demonstrar a exposição a agentes nocivos.</p>

<p>O histórico funcional também precisa ser cuidadosamente analisado.</p>

<p>Carteira de trabalho, atos de nomeação, contratos, certidões de tempo de contribuição, CNIS, documentos ambientais, fichas funcionais e registros das atividades exercidas podem ajudar a reconstruir a trajetória profissional.</p>

<p>E isso deve ser feito antes da aposentadoria.</p>

<p>Não é recomendável esperar o momento de requerer o benefício para descobrir que determinado vínculo não aparece no CNIS ou que um documento essencial está incompleto.</p>

<h2>Insalubridade e aposentadoria especial não são a mesma coisa</h2>

<p>Outro equívoco muito comum é imaginar que o recebimento do adicional de insalubridade garante automaticamente a aposentadoria especial.</p>

<p>Não garante.</p>

<p>O adicional de insalubridade é uma parcela relacionada às condições de trabalho e às regras trabalhistas aplicáveis.</p>

<p>A aposentadoria especial é um benefício previdenciário, submetido a requisitos próprios.</p>

<p>É verdade que a existência do adicional pode ser um elemento relevante para compreender as condições em que o trabalho foi exercido. Mas não se pode simplesmente fazer a equação: “recebi insalubridade = tenho aposentadoria especial”.</p>

<p>No Direito Previdenciário, a análise precisa ser mais cuidadosa.</p>

<h2>E o que está acontecendo com a PEC 14/2021?</h2>

<p>Essa é outra questão que merece atenção especial em 2026.</p>

<p>A PEC 14/2021 foi aprovada em primeiro e segundo turnos pelo Senado Federal em 14 de julho de 2026 e encaminhada para promulgação. A própria página oficial do Senado registra a situação da matéria como aprovada e destinada à promulgação. </p>

<p>A proposta trata da aposentadoria diferenciada dos ACS e ACE e também de questões relacionadas aos vínculos funcionais dessas categorias.</p>

<p>O texto aprovado prevê novas regras constitucionais de aposentadoria diferenciada, além de disposições relacionadas à carreira e à regularização dos vínculos.</p>

<p>Mas aqui faço uma ressalva que considero essencial, especialmente para quem trabalha com planejamento previdenciário: Uma PEC aprovada pelo Congresso, mas ainda aguardando a etapa de promulgação, não deve ser tratada como se já fosse uma norma constitucional vigente.</p>

<p>Essa cautela é ainda mais importante porque o trabalhador precisa tomar decisões concretas sobre sua vida profissional e previdenciária.</p>

<p>Não podemos transformar expectativa legislativa em direito adquirido antes da entrada em vigor da norma.<br />
Por que acompanhar a legislação é tão importante?</p>

<p>Porque o cenário previdenciário dos ACS e ACE está em transformação.</p>

<p>De um lado, temos uma Constituição que já reconheceu uma proteção diferenciada em razão dos riscos inerentes às atividades.</p>

<p>De outro, temos uma decisão da TNU dizendo que, enquanto não houver regulamentação específica, continua sendo necessária a comprovação da efetiva exposição a agentes nocivos. </p>

<p>E temos, ainda, uma proposta de alteração constitucional aprovada pelo Congresso e encaminhada para promulgação.</p>

<p>Para o trabalhador, isso significa que o planejamento previdenciário não pode ser feito olhando apenas para uma regra isolada.</p>

<p>É necessário acompanhar a legislação, verificar o regime previdenciário, identificar os períodos trabalhados e preservar a documentação.</p>

<h2>Quem cuida da saúde também está exposto a riscos</h2>

<p>Existe, porém, uma dimensão dessa discussão que vai além dos números da aposentadoria.</p>

<p>Quando falamos de ACS e ACE, estamos falando de trabalhadores que enfrentam diariamente situações concretas de risco.</p>

<p>Visitas domiciliares, contato com diferentes ambientes, exposição a agentes biológicos, deslocamentos, condições climáticas adversas, contato com comunidades vulneráveis e, no caso dos agentes de combate às endemias, atividades diretamente relacionadas à prevenção e ao controle de doenças.</p>

<p>A proteção previdenciária não deve ser vista como um prêmio.</p>

<p>Ela é parte de um sistema de proteção social diante dos riscos da vida e do trabalho.</p>

<p>É por isso que a previsão constitucional merece ser compreendida dentro de um contexto maior: valorizar o trabalhador também significa pensar em sua saúde, em suas condições de trabalho e no seu futuro.</p>

<h2>Como professora, uma preocupação: não transformar o direito em promessa</h2>

<p>Na sala de aula, costumo dizer aos alunos que o Direito Previdenciário exige duas virtudes: conhecimento técnico e responsabilidade com a informação.</p>

<p>Isso vale ainda mais quando estamos diante de uma categoria que aguarda há anos uma solução legislativa.<br />
Dizer a um ACS ou ACE que ele “já pode se aposentar automaticamente” pode criar uma expectativa que a legislação atualmente aplicável ainda não permite confirmar.</p>

<p>Da mesma maneira, dizer que “nada mudou” seria igualmente equivocado.</p>

<p>Mudou, sim.</p>

<p>A Constituição reconheceu uma proteção diferenciada.</p>

<p>A TNU estabeleceu uma interpretação importante sobre a necessidade de regulamentação e de comprovação da exposição enquanto ela não existir.</p>

<p>E o Congresso aprovou uma proposta que poderá modificar novamente esse cenário quando for promulgada e entrar em vigor.</p>

<p>O papel de quem trabalha com Direito Previdenciário é justamente explicar essas diferenças.</p>

<h2>O que o agente pode fazer agora?</h2>

<p>Independentemente das mudanças legislativas, existe algo que o profissional pode fazer imediatamente: organizar sua vida previdenciária.</p>

<p>É importante verificar:<br />
    • se todos os vínculos aparecem corretamente no CNIS;<br />
    • quais períodos foram exercidos como ACS ou ACE;<br />
    • qual era o regime previdenciário em cada período;<br />
    • se existem vínculos em outros regimes;<br />
    • quais documentos comprovam o exercício das atividades;<br />
    • se existe PPP ou documentação ambiental pertinente, quando aplicável;<br />
    • se há períodos sem contribuição ou com informações divergentes;<br />
    • se existem certidões de tempo de contribuição;<br />
    • se o adicional de insalubridade foi pago e está documentado;<br />
    • e quais regras podem alcançar cada período da trajetória profissional.</p>

<p>Não existe planejamento previdenciário sério sem documentos.</p>

<h2>Um trabalho essencial merece proteção adequada</h2>

<p>O Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde e do Agente de Combate às Endemias é uma oportunidade para homenagear esses profissionais, mas também para fazer uma reflexão.</p>

<p>Esses trabalhadores conhecem as comunidades, entram nas casas das pessoas, levam informação, identificam riscos e ajudam o SUS a chegar onde muitas vezes outros serviços públicos não conseguem chegar.<br />
São profissionais que cuidam da saúde coletiva.</p>

<p>E justamente por isso, também precisamos cuidar do futuro previdenciário deles.</p>

<p>A aposentadoria diferenciada prevista constitucionalmente representa um importante reconhecimento dos riscos inerentes às funções. Mas o caminho entre o reconhecimento constitucional e a efetiva concessão do benefício exige regulamentação, documentação e análise individualizada.</p>

<p>Como professora, acredito que conhecimento previdenciário é uma forma de autonomia.</p>

<p>Como advogada, sei que um planejamento feito com antecedência pode evitar que o trabalhador descubra, somente no momento da aposentadoria, que faltava um documento, que um vínculo não estava registrado ou que determinado período precisava de uma prova que nunca foi produzida.</p>

<p>Por isso, minha recomendação aos ACS e ACE é simples: não esperem a aposentadoria chegar para começar a cuidar da aposentadoria.</p>

<p>Quem dedica a vida a cuidar da saúde da população também precisa cuidar, desde já, da própria proteção social.</p>

<p><em>* Juliane Penteado Santana -  Advogada previdenciarista, professora, palestrante e autora. Há mais de 25 anos atua no Direito Previdenciário e na defesa dos direitos sociais</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-09T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:29+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Alerta: satélites detectam movimento de magma em vulcão de 11 km perto de 2 milhões de pessoas]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/06/alerta-satelites-detectam-movimento-de-magma-em-vulcao-de-11-km-perto-de-2-milhoes-de-pessoas.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Satélites identificaram dois reservatórios de magma ativos sob o vulcão Masaya, na Nicarágua. Dados coletados entre 2018 e 2024 mostram que o mais profundo está se reenchendo. O vulcão fica a cerca de...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Satélites identificaram dois reservatórios de magma ativos sob o vulcão Masaya, na Nicarágua. Dados coletados entre 2018 e 2024 mostram que o mais profundo está se reenchendo. O vulcão fica a cerca de 20 quilômetros a sudeste de Manágua, capital do país, onde vivem aproximadamente 2 milhões de pessoas. A região inclui a cratera, que é um parque nacional.</p>

<p>As medições por satélite revelam dois depósitos distintos de magma em movimento. Um deles situa-se a aproximadamente 3,2 quilômetros de profundidade e aparenta estar se recarregando, enquanto o outro fica cerca de 200 metros abaixo da cratera ativa e vem drenando lentamente.</p>

<p>A descoberta ajuda cientistas a entender melhor como o magma se movimenta sob Masaya e pode aprimorar a previsão de futuras erupções.</p>

<p><img alt="" src="https://cdn.correiodoestado.com.br/upload/dn_arquivo/2026/10/imagem-1-2.webp" style="height:576px; width:1024px" /></p>

<p><strong>Como os satélites detectaram o movimento</strong></p>

<p>A equipe utilizou imagens de radar do satélite Sentinel-1 europeu, que sobrevoa o vulcão aproximadamente a cada 12 dias. Comparando imagens ao longo do tempo, os cientistas conseguem medir pequenas variações de elevação e afundamento do solo, uma técnica chamada InSAR (interferometria de radar de abertura sintética).</p>

<p>O método mostrou-se especialmente útil na Nicarágua, que tinha apenas três estações GPS em fevereiro de 2020, todas necessitando atualizações.</p>

<p>A penetração de nuvens é crucial para monitorar vulcões em áreas tropicais como Masaya, onde a cobertura de nuvens é frequente. Ao analisar diferentes imagens de satélite ao longo dos anos. Os pesquisadores conseguem ver como se altera a distância entre o satélite e o solo, identificando áreas de levantamento ou subsidência do terreno.</p>

<h2>Mudanças no terreno revelam magma em movimento</h2>

<p>Entre janeiro de 2018 e fevereiro de 2024, o solo no centro da caldeira afundou cerca de 3 centímetros até meados de 2022. A partir de então, a tendência se inverteu e o terreno começou a subir aproximadamente 4 milímetros por ano.</p>

<p>Quando o solo afunda, isso indica que provavelmente há drenagem de magma do vulcão. Quando começa a subir de novo, o movimento sugere que novo magma pode estar subindo.</p>

<p>A modelagem dos pesquisadores localizou um reservatório de magma a cerca de 3,2 quilômetros de profundidade, próximo ao centro da caldeira e cerca de 3 quilômetros ao norte da cratera Santiago. Este reservatório perdeu aproximadamente 1,3 milhão de metros cúbicos de volume até 2022 e depois começou a ganhar volume novamente.</p>

<p>Um segundo reservatório, mais raso, continuou drenando ao redor da cratera Santiago durante todo o período observado.</p>

<h2>Um vulcão com lago de lava e problema de gases</h2>

<p>Masaya é um vulcão em escudo basáltico com uma série aninhada de cones e crateras. Sua cratera ativa, Santiago, abrigou um lago de lava de dezembro de 2015 até março de 2024, quando um deslizamento o cobriu.</p>

<p>No passado distante, Masaya produziu pelo menos quatro erupções grandes e explosivas. Sua última grande erupção de lava foi em 1772, e hoje, sua atividade consiste principalmente na liberação constante de gases.</p>

<p>Esses gases também representam um risco, e masaya libera dióxido de enxofre de forma persistente, em concentrações perigosamente altas. Em 23 de abril de 2001, uma pequena explosão lançou destroços em direção aos turistas no estacionamento à beira da cratera, danificando vários veículos, embora nenhuma morte tenha sido registrada.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-06T21:55:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:28+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Idoso de 71 anos trabalhou como catador de lixo por 20 anos antes de descobrir fortuna de R$ 300 mil]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/06/idoso-de-71-anos-trabalhou-como-catador-de-lixo-por-20-anos-antes-de-descobrir-fortuna-de-r-300-mil.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a475-709d-930c-805c39c8d58b</id>
            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Um homem de 71 anos na China passou mais de duas décadas coletando lixo nas ruas sem saber que acumulava uma fortuna em benefícios de aposentadoria. A descoberta ocorreu em 2024, quando assistentes so...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Um homem de 71 anos na China passou mais de duas décadas coletando lixo nas ruas sem saber que acumulava uma fortuna em benefícios de aposentadoria. A descoberta ocorreu em 2024, quando assistentes sociais o encontraram vivendo em um prédio abandonado e o levaram a um abrigo.</p>

<p>Ao fornecer seus dados pessoais no abrigo, Ru — identificado pelo sobrenome — soube que tinha direito a pensões desde 2015, quando atingiu a idade legal de aposentadoria na província de Hunan. O valor acumulado chegava a mais de 420 mil yuans, equivalente a aproximadamente R$ 312 mil.</p>

<h2>Trajetória de dificuldades financeiras</h2>

<p>Antes de se tornar catador, Ru trabalhou 30 anos em uma loja estatal. No início dos anos 2000, perdeu o emprego e recebeu uma indenização, mas gastou tudo. Endividado e sem contato com a família, passou a coletar lixo para sobreviver nas ruas chinesas.</p>

<p>Ru presumia que precisaria pagar contribuições de seguro de vida por muitos anos antes de ter direito a qualquer benefício. As dificuldades financeiras impediram que fizesse esses pagamentos, e ele desconhecia que já podia receber a aposentadoria.</p>

<h2>Renda mensal e planos para o futuro</h2>

<p>A pensão de Ru é de aproximadamente 3.700 yuans por mês, o equivalente a cerca de R$ 2.753. Como não recebeu pagamentos por pelo menos dez anos, desde 2015, o total acumulado superou 420 mil yuans.</p>

<p>Com a descoberta, o idoso planeja alugar um apartamento em Changde e revisitar sua cidade natal, Zhuzhou, realizando desejos que pareciam impossíveis enquanto vivia nas ruas.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-06T19:13:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:31+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Cientistas da NASA detectam objeto se afastando da Via Láctea a 1,6 milhão de km/h]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/06/cientistas-da-nasa-detectam-objeto-se-afastando-da-via-lactea-a-16-milhao-de-kmh.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a474-73b9-a07e-b61ae2dcb6a5</id>
            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Voluntários do projeto Backyard Worlds: Planet 9 ajudaram astrônomos da NASA a identificar um corpo celeste que escapará da gravidade da Via Láctea e seguirá para o espaço intergaláctico. É a primeira...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Voluntários do projeto Backyard Worlds: Planet 9 ajudaram astrônomos da NASA a identificar um corpo celeste que escapará da gravidade da Via Láctea e seguirá para o espaço intergaláctico. É a primeira vez que cientistas encontram um objeto com essa velocidade de escape e massa similar ou inferior à de uma pequena estrela.</p>

<p>O corpo CWISE J1249 se afasta do núcleo galáctico a cerca de 1,6 milhão de quilômetros por hora. Além da alta velocidade, sua massa reduzida dificulta a classificação. Ele pode ser uma estrela de baixa massa ou uma anã marrom, categoria intermediária entre um planeta gasoso e uma estrela.</p>

<h2>Como voluntários descobriram o objeto</h2>

<p>Há alguns anos, os voluntários Martin Kabatnik, Thomas P. Bickle e Dan Caselden, que participam do projeto Backyard Worlds há anos, identificaram o corpo em movimento rápido ao examinarem imagens infravermelhas do telescópio WISE, que mapeou o céu entre 2009 e 2011. Observações de acompanhamento com telescópios terrestres confirmaram a descoberta e permitiram caracterizar suas propriedades.</p>

<p>Os voluntários se tornaram coautores do artigo publicado na revista Astrophysical Journal Letters. Kabatnik, cientista cidadão de Nuremberg, na Alemanha, descreveu sua reação ao confirmar a velocidade do objeto: a princípio, acreditava que o fenômeno já tivesse sido relatado por outros astrônomos.</p>

<h2>Um resultado raro em milhares de descobertas</h2>

<p>O projeto Backyard Worlds permite que voluntários analisem dados astronômicos para detectar objetos celestes raros. Desde sua criação, o programa já resultou na descoberta de mais de 4 mil anãs marrons — mas nenhuma delas estava antes identificada em rota de fuga galáctica como CWISE J1249.</p>

<p>A composição incomum do objeto revela pistas sobre sua origem. Dados do W, e m, e keck Observatory, no Havaí, mostram que ele possui menos ferro e outros metais do que estrelas e anãs marrons conhecidas. Essa composição sugere que o objeto é antigo, provavelmente originário de uma das primeiras gerações de estrelas da Via Láctea.</p>

<h2>Duas hipóteses explicam a velocidade extrema</h2>

<p>Cientistas propõem cenários distintos para a aceleração de CWISE J1249. O primeiro sugere que o corpo fazia parte de um sistema binário com uma anã branca. Ao acumular material do companheiro, a anã branca explodiu como supernova e ejetou o objeto para fora do sistema com velocidade de escape.</p>

<p>A segunda possibilidade indica que o objeto provém de um aglomerado estelar denso chamado aglomerado globular. Um encontro casual com um par de buracos negros o teria acelerado para o espaço por meio de uma complexa interação entre os três corpos.</p>

<p>Kyle Kremer, professor assistente do Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade da Califórnia em San Diego. Explica que, quando uma estrela encontra um sistema binário de buracos negros, a interação entre os três corpos pode ejetá-la do aglomerado em alta velocidade.</p>

<h2>Trabalho colaborativo entre profissionais e cidadãos</h2>

<p>A descoberta resultou do trabalho conjunto de voluntários, pesquisadores profissionais e estudantes. Kabatnik destaca a colaboração de Melina Thévenot, cuja análise de dados o impressionou, e de Frank Kiwy, cujo software ajudou a chegar ao resultado final.</p>

<p>Adam Burgasser, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, lidera o estudo, que inclui os coautores Hunter Brooks e Austin Rothermich, estudantes de astronomia que iniciaram suas carreiras como cientistas cidadãos. Cientistas continuarão analisando a composição elemental de CWISE J1249 para determinar qual cenário de origem é mais provável.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-06T16:25:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:31+00:00</updated>
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            <entry>
            <title><![CDATA[Empresas também fracassam pelas decisões que adiam]]></title>
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            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a30e-73ae-9b71-0272b4b4b742</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Arthur Maximiliano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Quando se fala em fracasso empresarial, é comum procurar uma grande decisão errada. Um investimento precipitado, uma contratação equivocada, uma expansão mal planejada ou uma escolha financeira que co...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Quando se fala em fracasso empresarial, é comum procurar uma grande decisão errada. Um investimento precipitado, uma contratação equivocada, uma expansão mal planejada ou uma escolha financeira que comprometeu o caixa.</p>

<p>Mas empresas não enfrentam dificuldades apenas por aquilo que seus líderes decidem fazer. Muitas também sofrem pelas decisões que foram adiadas durante tempo demais.</p>

<p>O empresário percebe que determinada pessoa não acompanha mais as necessidades da função, mas evita a conversa. Sabe que o preço praticado compromete a margem, mas teme a reação dos clientes. Reconhece que um processo precisa mudar, porém prefere não desorganizar a rotina. Identifica um conflito entre lideranças, mas espera que ele desapareça sozinho.</p>

<p>Quase nunca desaparece.</p>

<p>A indecisão transmite uma sensação temporária de segurança porque evita o desconforto imediato. O problema é que aquilo que não foi enfrentado continua produzindo consequências.</p>

<p>O colaborador desalinhado influencia a equipe. O preço inadequado reduz a capacidade de investimento. O processo ineficiente consome horas de trabalho. O conflito não resolvido contamina decisões que, aparentemente, não possuem relação com ele.</p>

<p>Adiar uma decisão não interrompe seus efeitos. Apenas transfere o custo para o futuro.</p>

<p>Existe uma diferença importante entre prudência e paralisia. A prudência procura informações, compara caminhos e escolhe o momento adequado. A paralisia utiliza a necessidade de mais análise como justificativa para não agir.</p>

<p>Em muitas empresas, a frase “ainda estamos avaliando” significa, na prática, que ninguém deseja assumir a responsabilidade pela escolha.</p>

<p>É compreensível. Decidir significa renunciar. Ao escolher um caminho, o líder abandona outras possibilidades. Ao estabelecer uma prioridade, admite que algumas demandas precisarão esperar. Ao corrigir um comportamento, corre o risco de desagradar alguém.</p>

<p>Por isso, algumas lideranças confundem harmonia com ausência de posicionamento. Evitam conversas difíceis para preservar o ambiente, mas acabam permitindo que situações inadequadas se tornem parte da cultura.</p>

<p>A equipe observa esse comportamento.</p>

<p>Quando uma liderança identifica um problema e não age, ensina que determinados padrões podem continuar. Quando promete uma mudança que nunca acontece, enfraquece a confiança. Quando permite que todas as decisões voltem para sua mesa, transforma centralização em rotina.</p>

<p>Com o tempo, a demora deixa de ser exceção e se torna método.</p>

<p>A tecnologia tornou esse problema ainda mais contraditório. Nunca tivemos acesso tão rápido a dados, projeções, análises e possibilidades. Ferramentas de inteligência artificial conseguem comparar cenários, organizar informações e antecipar riscos em poucos minutos.</p>

<p>Ainda assim, nenhuma tecnologia pode assumir a responsabilidade moral e empresarial de escolher.</p>

<p>Dados ajudam a reduzir incertezas, mas não eliminam o risco. Indicadores revelam caminhos, mas não caminham pela liderança. A decisão continua exigindo julgamento, contexto e coragem para enfrentar suas consequências.</p>

<p>Talvez por isso a maturidade de uma gestão não possa ser medida apenas pela quantidade de informações disponíveis. Ela também aparece na capacidade de agir quando as informações já são suficientes.</p>

<p>Nem toda decisão precisa ser imediata. Algumas realmente exigem tempo. Mas toda decisão relevante deveria ter responsáveis, critérios e prazo. Sem isso, a reflexão facilmente se transforma em adiamento permanente.</p>

<p>Também é necessário reconhecer que não decidir é uma decisão. Manter um processo ruim é escolher continuar perdendo eficiência. Não corrigir uma liderança é escolher que a equipe conviva com aquele comportamento. Evitar uma revisão financeira é escolher permanecer sem clareza sobre os números.<br />
A ausência de uma escolha formal não significa neutralidade.</p>

<p>Empresas maduras não são aquelas que acertam sempre. São aquelas que conseguem observar a realidade, corrigir rotas e aprender sem transformar cada escolha em um impasse interminável.</p>

<p>Muitas vezes, a decisão perfeita não existe. Existe a melhor decisão possível com as informações disponíveis naquele momento — acompanhada da disposição para revisar o caminho quando a realidade mudar.</p>

<p>O futuro de uma empresa não é construído apenas pelas grandes escolhas registradas em planejamentos e reuniões. Ele também é definido pelos problemas que a liderança decide enfrentar enquanto ainda são administráveis.</p>

<p>Porque o tempo pode melhorar algumas situações. Mas, dentro das empresas, ele também costuma cobrar juros sobre tudo aquilo que deveria ter sido decidido antes.</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-06T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:25+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Aos 79 anos, guitarrista do Queen transforma fazenda em refúgio com mais de 100 mil árvores]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/extra/2026/10/02/aos-79-anos-guitarrista-do-queen-transforma-fazenda-em-refugio-com-mais-de-100-mil-arvores.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a3e7-7256-bf5e-2b0bc88e7904</id>
            <author>
                <name><![CDATA[João V. Resende]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Brian May, de 79 anos, dedica parte do tempo longe dos palcos a um projeto ambiental que ocupa 157 acres de terra na Inglaterra. O guitarrista do Queen transformou uma antiga propriedade rural em Bere...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Brian May, de 79 anos, dedica parte do tempo longe dos palcos a um projeto ambiental que ocupa 157 acres de terra na Inglaterra. O guitarrista do Queen transformou uma antiga propriedade rural em Bere Regis, no condado de Dorset, em uma floresta voltada à preservação de espécies nativas.</p>

<p>O espaço já recebeu cerca de 101 mil árvores e arbustos desde que o plantio começou, em 2013. O resultado é visível: insetos, aves e pequenos mamíferos que haviam desaparecido da área durante os anos de uso agrícola voltaram a ocupar o terreno.</p>

<p><img alt="" src="https://cdn.correiodoestado.com.br/upload/dn_arquivo/2026/10/brian-may-1536x864-1.jpg" style="height:864px; width:1536px" /></p>

<h2>Uma fazenda que virou floresta</h2>

<p>A transformação começou em setembro de 2013, quando o músico se juntou a moradores de Bere Regis para plantar a primeira muda do projeto. Na ocasião, cerca de 600 árvores e arbustos foram colocados na terra, dando início ao plano de recuperar os 157 acres antes usados para cultivo.</p>

<p>A iniciativa integra o trabalho da Save Me, organização fundada pelo próprio artista e voltada à proteção de animais. A meta inicial era ambiciosa: plantar mais de 100 mil árvores e arbustos nativos em 12 meses, revertendo os efeitos de anos de exploração agrícola intensiva sobre aquele pedaço de terra.</p>

<h2>O retorno da vida silvestre ao local</h2>

<p>Com o passar do tempo, a vegetação amadureceu e deu espaço a faixas de flores silvestres espalhadas pela propriedade. O objetivo nunca foi criar apenas uma floresta fechada, mas um mosaico de ambientes — áreas abertas, vegetação rasteira e bosques — capaz de abrigar espécies diferentes.</p>

<p>Em 2024, o site do próprio guitarrista descreveu o espaço como um refúgio permanente para a fauna local. Até aquele momento, o projeto já somava 101 mil árvores e arbustos nativos plantados, além de trechos de flores silvestres que ajudam a sustentar polinizadores e pequenos animais.</p>

<h2>Um músico com formação científica</h2>

<p>A ligação do guitarrista com temas ambientais não surge por acaso: antes de se dedicar à música em tempo integral. Ele chegou a interromper os estudos em astrofísica para seguir carreira com o Queen, banda que formou ao lado de Freddie Mercury, Roger Taylor e John Deacon. Décadas depois, voltou a concluir o doutorado, desta vez pelo Imperial College London.</p>

<p>Esse trânsito entre ciência e palco explica o cuidado técnico do projeto em Dorset, que combina plantio orientado com monitoramento ambiental contínuo.</p>

<h2>Legado que ultrapassa os sucessos do Queen</h2>

<p>Enquanto o nome do músico segue associado a clássicos como We Will Rock You. I Want It All e Who Wants to Live Forever, o projeto em Bere Regis mostra outra faceta de sua trajetória. A banda, que também emplacou álbuns como Queen II e o hit Bohemian Rhapsody, segue sendo lembrada como uma das mais influentes do rock.</p>

<p>Em Dorset, terras que deixaram de produzir plantações agora abrigam espécies que haviam desaparecido da região.</p>
]]></content>
                                    <category term="Extra" />
                        <category term="Economia" />
                        <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-02T20:44:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:30+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Prova de vida, cidadania e previdência: quando o Estado deixa de exigir do cidadão o que já sabe]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/02/prova-de-vida-cidadania-e-previdencia-quando-o-estado-deixa-de-exigir-do-cidadao-o-que-ja-sabe.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a31e-7264-8800-9bca035db557</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Juliane Penteado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[No próximo domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para as Eleições Gerais de 2026. Para aposentados, pensionistas e titulares de benefícios assistenciais pagos pelo INSS, o compar...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>No próximo domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para as Eleições Gerais de 2026. Para aposentados, pensionistas e titulares de benefícios assistenciais pagos pelo INSS, o comparecimento eleitoral poderá produzir também um efeito que nada tem a ver com a escolha de candidatos: <strong>servir como evento válido para a Prova de Vida do INSS.</strong></p>

<p>À primeira vista, pode parecer apenas mais uma informação administrativa.</p>

<p>Para mim, entretanto, existe algo maior por trás dessa mudança.</p>

<p>Depois de mais de 25 anos atuando como advogada previdenciarista e também da experiência como professora de Direito Previdenciário, aprendi que uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos cidadãos na relação com a Previdência Social não está apenas nas regras para conseguir um benefício. Está também na burocracia para mantê-lo.</p>

<p>Durante muitos anos, a Prova de Vida foi um exemplo bastante claro disso.</p>

<h2>Quando provar que está vivo era responsabilidade do beneficiário</h2>

<p>A Prova de Vida existe por uma razão legítima: o Estado precisa verificar se a pessoa que recebe determinado benefício continua viva, evitando pagamentos indevidos e protegendo os recursos da Previdência e da assistência social.</p>

<p>O problema estava na forma como essa obrigação era tradicionalmente cumprida.</p>

<p>Durante muito tempo, idosos, aposentados, pensionistas e pessoas com dificuldades de locomoção precisavam se deslocar para demonstrar ao Estado algo que, em muitos casos, o próprio Estado poderia verificar em suas bases de dados.</p>

<p>Esse modelo foi sendo modificado.</p>

<p>Hoje, a lógica é diferente: em vez de exigir sistematicamente que o beneficiário compareça para provar que está vivo, o poder público utiliza informações existentes em diferentes bases governamentais para identificar atos que demonstrem essa condição.</p>

<p>É uma mudança aparentemente simples, mas que revela uma concepção de Administração Pública que considero importante: <strong>se o Estado já possui determinada informação, não deveria transferir desnecessariamente ao cidadão o ônus de apresentá-la novamente.</strong></p>

<h2>E o que as eleições têm a ver com isso?</h2>

<p>Muito.</p>

<p>O INSS confirmou que o comparecimento eleitoral é um dos eventos que podem ser utilizados no processo de Prova de Vida.</p>

<p>Assim, quando o beneficiário comparece à seção eleitoral e sua presença é registrada pela Justiça Eleitoral, essa informação pode integrar o cruzamento de dados utilizado pelo INSS.</p>

<p>Não é necessário sair da votação com um comprovante para levá-lo a uma agência previdenciária.<br />
Não é necessário telefonar ao INSS para comunicar que votou.</p>

<p>Também não é necessário realizar uma nova Prova de Vida simplesmente porque participou da eleição.<br />
O compartilhamento e o cruzamento das informações permitem que o procedimento aconteça sem essa peregrinação burocrática.</p>

<p>E os números ajudam a dimensionar a importância dessa integração: segundo o próprio INSS, a base eleitoral de 2024 registrou eventos relacionados a mais de 20 milhões de beneficiários, contribuindo para a atualização de aproximadamente 5 milhões de Provas de Vida.</p>

<h2>Não votar não significa perder o benefício</h2>

<p>Este esclarecimento é especialmente importante.</p>

<p><strong>O comparecimento às urnas é uma das possibilidades utilizadas para a Prova de Vida. Não é a única.</strong></p>

<p>Portanto, a ausência na eleição não significa automaticamente suspensão do benefício previdenciário ou assistencial.</p>

<p>O INSS utiliza diferentes bases de dados governamentais para localizar outros eventos capazes de demonstrar que o beneficiário está vivo.</p>

<p>Entre os registros que podem ser considerados estão determinados atendimentos públicos, emissão ou renovação de documentos, vacinação, atualizações cadastrais e outras interações registradas nas bases utilizadas pela Administração.</p>

<p>Somente quando não são encontrados elementos suficientes é que pode surgir a necessidade de providências adicionais para regularização.</p>

<p>Esse ponto precisa ser ressaltado para evitar justamente aquilo que costuma acontecer quando uma regra administrativa muda:<strong> o medo produzido pela informação incompleta.</strong></p>

<h2>Simplificar também é proteger</h2>

<p>Em sala de aula, procuro mostrar aos meus alunos que estudar Direito Previdenciário não significa apenas decorar requisitos para aposentadorias, pensões ou benefícios por incapacidade.</p>

<p>É preciso compreender a finalidade do sistema.</p>

<p>A Previdência Social atende, em grande medida, pessoas em situações de vulnerabilidade decorrentes da idade, da incapacidade, da deficiência ou da perda de renda familiar.</p>

<p>Por isso, toda burocracia precisa ser analisada também sob uma perspectiva humana.</p>

<p>Pensemos em uma pessoa com 80 anos, com dificuldade de locomoção, que durante décadas precisou organizar transporte, procurar atendimento e enfrentar filas simplesmente para demonstrar periodicamente que continuava viva.</p>

<p>Se essa mesma pessoa realizou recentemente um ato perante outro órgão público que comprova sua existência, por que o Estado não poderia utilizar essa informação?</p>

<p>Tecnologia e integração de dados públicos fazem sentido quando servem para facilitar a vida das pessoas sem retirar delas direitos e garantias.</p>

<p>Nesse aspecto, a transformação da Prova de Vida representa um avanço administrativo importante.</p>

<h2>Mas a facilidade também exige informação</h2>

<p>Existe, entretanto, outro lado dessa transformação.</p>

<p>Quanto mais procedimentos são realizados digitalmente e por cruzamento de dados, maior precisa ser o cuidado com a informação oferecida aos beneficiários.</p>

<p>Muitos aposentados ainda acreditam que precisam comparecer obrigatoriamente todos os anos ao banco para realizar a Prova de Vida.</p>

<p>Outros recebem mensagens por celular e ficam assustados diante da possibilidade de perder a aposentadoria.<br />
É nesse ambiente de insegurança que aparecem os golpes.</p>

<p>Mensagens solicitando senhas, códigos de acesso, informações bancárias ou pagamentos para supostamente “regularizar” a Prova de Vida devem ser vistas com muita cautela.</p>

<p>A simplificação administrativa somente alcança plenamente sua finalidade quando vem acompanhada de educação previdenciária.</p>

<h2>E no dia da eleição?</h2>

<p>O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em <strong>4 de outubro.</strong></p>

<p>Para votar, a pessoa deverá apresentar documento oficial de identificação com fotografia ou o e-Título quando este apresentar a fotografia do eleitor.</p>

<p>Entre os documentos admitidos estão carteira de identidade, identidade social, passaporte, certificado de reservista, carteira profissional reconhecida por lei, carteira de trabalho física e Carteira Nacional de Habilitação.</p>

<p>A Justiça Eleitoral também informa que documentos oficiais podem ser aceitos mesmo com a validade expirada, desde que seja possível comprovar a identidade do eleitor.</p>

<p>Para quem recebe benefício do INSS, não existe necessidade de apresentar qualquer documento adicional relacionado à Previdência.</p>

<p>O registro do comparecimento eleitoral é que poderá ser utilizado no processo de Prova de Vida.</p>

<h2>Menos peregrinação, mais cidadania</h2>

<p>Depois de tantos anos trabalhando com Previdência Social, uma das cenas que mais me incomodam é a do cidadão peregrinando entre órgãos públicos para provar fatos que a própria Administração já possui condições de conhecer.</p>

<p>Uma instituição possui uma informação. Outra exige que o cidadão a apresente novamente. Ele procura documentos, enfrenta filas, acessa sistemas que nem sempre compreende e, muitas vezes, vive com medo de perder sua única fonte de renda.</p>

<p>Precisamos avançar para uma Previdência mais simples sem abrir mão da segurança.</p>

<p>O uso do comparecimento eleitoral como um dos elementos da Prova de Vida é um bom exemplo de como bases públicas podem conversar entre si para reduzir obrigações desnecessárias.</p>

<p>Não se trata de misturar o direito previdenciário com a escolha eleitoral.<strong> A decisão política pertence exclusivamente a cada cidadão.</strong></p>

<p>Trata-se de reconhecer algo muito mais elementar: se uma pessoa compareceu pessoalmente perante o Estado e esse fato foi registrado de maneira segura, a Administração pode utilizar essa informação para evitar que ela tenha de provar novamente aquilo que o próprio poder público já sabe.</p>

<p>Como professora, acredito que ensinar Direito Previdenciário também significa ensinar cidadania.</p>

<p>E, como advogada que há mais de 25 anos acompanha segurados em sua relação cotidiana com o INSS, continuo defendendo uma ideia bastante simples: <strong>a tecnologia deve servir para aproximar direitos das pessoas — e não para criar novas barreiras entre elas e a proteção social.</strong></p>

<p><em>* Juliane Penteado Santana - Advogada previdenciarista, professora, palestrante e autora. Há mais de 25 anos atua na defesa dos direitos sociais e na promoção da educação previdenciária.</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-02T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:26+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Por que, no Brasil, quando a empresa quebra, o dono quebra junto?]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/10/01/por-que-no-brasil-quando-a-empresa-quebra-o-dono-quebra-junto.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a3ba-72e2-b98f-3f40d526ab33</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Leandro Provenzano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Todo empresário já viu a cena: a empresa fecha as portas e, meses depois, o dono é cobrado no próprio CPF, com a casa penhorada e as outras empresas bloqueadas. Por que, no Brasil, quando a empresa qu...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Todo empresário já viu a cena: a empresa fecha as portas e, meses depois, o dono é cobrado no próprio CPF, com a casa penhorada e as outras empresas bloqueadas. Por que, no Brasil, quando a empresa quebra, o dono quebra junto? Não é destino. É proteção patrimonial e seu desenho se faz com o negócio saudável, não no mês em que o caixa aperta.</p>

<h2>Empresa limitada? Só até a primeira assinatura</h2>

<p>Na sociedade limitada, o sócio arrisca o que colocou na empresa, e nada além disso. Na prática, essa proteção evapora no primeiro contrato bancário. O banco pede o aval, e o sócio assina no capital de giro, no cartão, no leasing, no aluguel do galpão. Anos depois, responde pessoalmente por quase todo o passivo da empresa que julgava separada dele.</p>

<p>E o aval sobrevive inclusive à recuperação judicial. Pela Súmula 581 do Superior Tribunal de Justiça, a recuperação da empresa não impede a execução contra avalistas e demais garantidores. A empresa ganha fôlego; o sócio segue cobrado.</p>

<p>Isso não significa jamais avalizar, e sim avalizar com consciência: valor máximo, prazo certo, baixa formal quando a operação for quitada e, sempre que possível, sem o cônjuge como coavalista, do contrário, o patrimônio do casal inteiro vai para a mesa. Antes de assinar, a pergunta não é qual é a taxa, mas quanto do meu patrimônio pessoal estou arriscando aqui.</p>

<h2>A configuração que protege</h2>

<p>Uma estrutura bem montada separa funções. A empresa operacional vende, contrata e corre riscos; existe para gerar resultado e distribuí-lo, não para acumular imóveis. Se uma atividade é mais arriscada que as outras, uma obra, uma filial nova, um negócio experimental, merece CNPJ próprio.</p>

<p>A empresa patrimonial detém os bens, a sede, o galpão, a terra, e os aluga à operação com contrato escrito, preço de mercado e pagamento efetivo. Não vende, não contrata e não toma empréstimo. E deixa de proteger qualquer coisa no dia em que vira garantidora da dívida da operação, erro comum e autodestrutivo. Quando o porte justifica, uma holding de participações pode ficar acima de todas, organizando o controle e a sucessão. Tudo isso com planejamento contábil e tributário, porque transferir bens tem custo.</p>

<h2>No campo, a lógica é a mesma</h2>

<p>O produtor rural que atua como pessoa física não tem separação alguma: terra, máquinas, casa e safra respondem pelas mesmas dívidas. E o aval cruzado é regra, o pai avaliza a CPR do filho, o irmão, o custeio do irmão, e a fazenda inteira fica exposta a uma única safra ruim. Em Mato Grosso do Sul, 13 produtores pessoa física pediram recuperação judicial só no primeiro trimestre de 2026, segundo a Serasa Experian.</p>

<p>A saída segue a mesma lógica. A terra fica em uma empresa patrimonial, que a arrenda, com contrato formal, a quem de fato produz. E, na hora de dar garantia ao banco, oferece-se só o necessário para aquela operação (uma parte da área ou um bem específico), e não a fazenda inteira a cada contrato de custeio.</p>

<h2>A lei diz o que derruba a proteção</h2>

<p>Ter várias empresas não é ter empresas separadas. O artigo 50 do Código Civil, com a redação da Lei da Liberdade Econômica, permite alcançar os bens dos sócios quando há confusão patrimonial: a empresa pagando contas do sócio (ou o contrário), bens e dinheiro transitando sem contrapartida, separação que só existe no papel. A mesma lei diz que o simples fato de haver um grupo de empresas, sozinho, não basta.</p>

<p>Separação real exige disciplina: contas e contabilidades distintas, contratos escritos entre as empresas, pró-labore definido, lucro distribuído com registro e nenhuma despesa pessoal como custo.</p>

<h2>Onde nenhuma estrutura blinda</h2>

<p>Há frentes em que a separação protege pouco. Na Justiça do Trabalho, empresas que atuam como grupo econômico respondem juntas pelas dívidas trabalhistas (art. 2º da CLT). O Código de Defesa do Consumidor permite alcançar o sócio sempre que a empresa for obstáculo ao ressarcimento do consumidor (art. 28, § 5º).</p>

<p>E a empresa que deixa de funcionar no seu endereço sem comunicar aos órgãos competentes presume-s dissolvida irregularmente, o que autoriza cobrar os tributos do sócio-gerente (Súmula 435 do STJ). Negócio sem resultado deve ser encerrado com baixa regular, jamais abandonado.</p>

<p>O tempo é tudo</p>

<p>Tudo isso só funciona com a empresa saudável. Feito com os credores à porta, imóveis passados aos filhos, holding montada às pressas, empresa esvaziada, não funciona e ainda agrava: são atos que se revertem, e a tentativa de esconder vira prova contra o próprio autor.</p>

<p>Organizar patrimônio não é fugir de credor; é fazer cada negócio responder pelos próprios riscos, como a lei permite. Se um deles deixar de funcionar, que morra sozinho, sem levar os outros CNPJs, a fazenda, a casa da família e trinta anos de trabalho. Isso se resolve hoje, enquanto a empresa está de pé.</p>

<p><em>* Leandro Amaral Provenzano – OAB/MS 13.035. Sócio do escritório Provenzano Advogados.</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-10-01T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:29+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Toda empresa ensina, mesmo quando não treina]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/09/29/toda-empresa-ensina-mesmo-quando-nao-treina.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a414-7277-95ab-6d8315779bd9</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Arthur Maximiliano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Toda empresa treina seus colaboradores, mesmo quando não possui um programa formal de treinamento. Ela ensina pela maneira como recebe uma pessoa nova, pela forma como conduz uma reunião, pelo comport...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Toda empresa treina seus colaboradores, mesmo quando não possui um programa formal de treinamento.<br />
Ela ensina pela maneira como recebe uma pessoa nova, pela forma como conduz uma reunião, pelo comportamento de seus líderes e, principalmente, pelo que aceita sem questionar.</p>

<p>Quando um atraso frequente não produz nenhuma consequência, a empresa ensina que o horário é apenas uma sugestão. Quando um profissional entrega bons resultados, mas trata mal os colegas, e ainda assim continua sendo valorizado, a organização ensina que desempenho importa mais do que respeito. Quando o líder centraliza todas as decisões, ensina que autonomia é um risco.</p>

<p>A cultura real de uma empresa não está escrita na parede. Está presente naquilo que acontece todos os dias.</p>

<p>É comum encontrar organizações com valores bem definidos no discurso: transparência, excelência, colaboração, inovação e respeito. São palavras importantes, mas que perdem força quando não encontram correspondência na rotina.</p>

<p>Não adianta defender transparência se as decisões importantes são tomadas de maneira obscura. Não adianta falar em inovação se qualquer erro é punido. Não adianta pedir colaboração quando os setores competem entre si e protegem informações. Também não adianta exigir autonomia de uma equipe que precisa pedir autorização para tudo.</p>

<p>Entre aquilo que a empresa declara e aquilo que pratica, o colaborador sempre aprenderá com a prática.</p>

<p>Esse aprendizado não acontece em uma palestra. Ele é construído pela repetição. As pessoas observam quem é promovido, quais atitudes recebem reconhecimento, que tipo de erro é tolerado e quais problemas a liderança prefere ignorar.</p>

<p>Com o tempo, esses sinais formam uma espécie de manual invisível. Ninguém precisa escrevê-lo. A equipe entende rapidamente o que realmente funciona naquele ambiente.</p>

<p>O problema é que muitas lideranças percebem a cultura apenas quando seus efeitos se tornam incômodos.</p>

<p>Quando os conflitos aumentam, a produtividade cai ou os melhores profissionais começam a sair, busca-se uma solução pontual: uma palestra, uma dinâmica ou um novo conjunto de valores.</p>

<p>Essas iniciativas podem contribuir, mas não conseguem corrigir sozinhas uma rotina que continua ensinando o contrário.</p>

<p>A formação de uma equipe não depende apenas do conteúdo transmitido. Depende da coerência da liderança. Um gestor pode fazer um discurso sobre responsabilidade, mas, se constantemente transfere a culpa pelos próprios erros, sua atitude ensina mais do que suas palavras.</p>

<p>Liderar é ensinar o tempo inteiro, inclusive nos momentos em que o líder acredita estar apenas administrando uma situação.</p>

<p>Isso torna a cultura um assunto menos abstrato e muito mais prático. Ela aparece na pontualidade das reuniões, na qualidade dos retornos, no cuidado com os clientes, na maneira como os conflitos são tratados e no compromisso com aquilo que foi combinado.</p>

<p>Pequenos comportamentos, quando repetidos, tornam-se padrões. Padrões compartilhados tornam-se cultura. E a cultura, cedo ou tarde, transforma-se em resultado.</p>

<p>Empresas que desejam mudar o comportamento de suas equipes precisam começar observando o comportamento de suas lideranças. Antes de perguntar por que as pessoas agem de determinada maneira, talvez seja necessário investigar o que o próprio ambiente vem ensinando.</p>

<p>Nenhuma equipe aprende apenas com aquilo que escuta. Ela aprende, sobretudo, com aquilo que vê acontecer.</p>

<p>Por isso, toda empresa deveria se perguntar: se os nossos comportamentos fossem o único material de treinamento disponível, que tipo de profissional estaríamos formando?</p>

<p>A resposta provavelmente revelaria mais sobre a organização do que qualquer quadro de valores colocado na parede.</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <category term="Informe Publicitário" />
                        <category term="Extra" />
                        <category term="Opinião" />
                        <published>2026-09-29T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:30+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[STF mantém possibilidade de perícia do INSS por análise documental e telemedicina]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/09/25/stf-mantem-possibilidade-de-pericia-do-inss-por-analise-documental-e-telemedicina.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a3e5-718a-a395-8537097252b8</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Juliane Penteado]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Decisão do Supremo não acaba com a perícia presencial e reforça a necessidade de documentação médica adequada nos pedidos de benefícios por incapacidade O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, na pr...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Decisão do Supremo não acaba com a perícia presencial e reforça a necessidade de documentação médica adequada nos pedidos de benefícios por incapacidade</p>

<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, na prática, as regras que permitem a realização de avaliações médico-periciais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por análise documental e por meio de telemedicina.</p>

<p>A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.949, apresentada pela Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP).</p>

<p>O julgamento virtual foi encerrado em 4 de setembro de 2026. Por maioria, o STF não conheceu da ação, sob o entendimento de que não houve impugnação da integralidade do conjunto de normas que disciplina a matéria.</p>

<p>Na prática, permanecem válidas as possibilidades já previstas na legislação previdenciária para que determinados exames médico-periciais sejam realizados por análise documental ou com uso de tecnologia de telemedicina.</p>

<p>A própria Lei nº 8.213/1991 estabelece que o exame médico-pericial para o auxílio por incapacidade temporária pode ser realizado por telemedicina ou análise documental, conforme as situações e os requisitos definidos em regulamento.</p>

<h3>Perícia presencial não acabou</h3>

<p>Apesar da repercussão da decisão, o julgamento não significa o fim da perícia médica presencial.</p>

<p>O segurado continua sujeito às diferentes modalidades de avaliação previstas nas regras do INSS.</p>

<p>A análise documental, conhecida como Atestmed, permite que o pedido de auxílio por incapacidade temporária seja avaliado a partir dos documentos médicos apresentados pelo segurado, sem necessidade de deslocamento à agência para uma perícia presencial quando o caso se enquadrar nessa modalidade.</p>

<p>Caso a documentação apresentada não seja suficiente para a avaliação, outras formas de perícia poderão ser necessárias.</p>

<h3>Documentação médica ganha ainda mais importância</h3>

<p>Com a possibilidade de análise documental, a qualidade das informações apresentadas pelo segurado assume papel fundamental.</p>

<p>Segundo as orientações oficiais do INSS, o documento médico deve estar legível e sem rasuras e conter informações como identificação do segurado, diagnóstico ou CID, data de emissão, período estimado de afastamento, assinatura e identificação do profissional responsável. Também podem ser apresentados laudos e exames complementares. </p>

<p>Isso significa que ter um atestado não representa, por si só, garantia de concessão do benefício. A documentação precisa permitir a avaliação da incapacidade e atender aos requisitos estabelecidos para o benefício.</p>

<p>A decisão do STF traz segurança jurídica para um procedimento que já vinha sendo utilizado pelo INSS, mas é importante que o segurado não interprete a análise documental como uma concessão automática do benefício.</p>

<p>A documentação médica precisa ser consistente, atualizada e capaz de demonstrar a incapacidade para o trabalho. Em situações em que os documentos não sejam suficientes, a avaliação presencial ou por telemedicina poderá ser necessária.</p>

<p>O ponto central continua sendo a comprovação da incapacidade. Quanto mais adequada e completa for a documentação apresentada, maiores serão as condições para que o caso seja corretamente analisado dentro da modalidade disponível.</p>

<h3>O que o segurado precisa saber?</h3>

<ul>
	<li>A análise documental continua prevista nas regras do INSS;</li>
	<li>A telemedicina também pode ser utilizada nas situações previstas;</li>
	<li>A perícia presencial não foi extinta;</li>
	<li>O Atestmed não significa concessão automática do benefício;</li>
	<li>Laudos, exames e atestados devem estar completos, legíveis e atualizados;</li>
	<li>Cada pedido será analisado conforme as regras aplicáveis ao caso.</li>
</ul>

<p>A decisão do STF, portanto, não criou uma nova modalidade de perícia, mas preservou o modelo jurídico que permite ao INSS utilizar a análise documental e a telemedicina nas situações previstas em lei.</p>
]]></content>
                                    <category term="Assinantes" />
                        <published>2026-09-25T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:30+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Gestão moderna exige repertório além da própria empresa]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://correiodoestado.com.br/noticias-assinantes/2026/09/22/gestao-moderna-exige-repertorio-alem-da-propria-empresa.html" />
            <id>https://correiodoestado.com.br/01a1a317-a264-70c0-81ba-2403a118a6f0</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Arthur Maximiliano]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Toda empresa que cresce passa por um momento em que o improviso deixa de ser suficiente. No começo, muita coisa funciona na conversa, na memória e na capacidade do dono de resolver problemas. Mas, à m...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Toda empresa que cresce passa por um momento em que o improviso deixa de ser suficiente.</p>

<p>No começo, muita coisa funciona na conversa, na memória e na capacidade do dono de resolver problemas.</p>

<p>Mas, à medida que o negócio aumenta, entram novas pessoas, novos clientes, novos sistemas e novas responsabilidades. A complexidade cresce.</p>

<p>É nesse ponto que gestão passa a exigir método.</p>

<p>Processos precisam ficar claros. Indicadores precisam ajudar na decisão. Lideranças precisam ganhar autonomia. A tecnologia precisa ser usada para reduzir esforço, não para criar mais confusão.</p>

<p>Mas existe um componente dessa evolução que quase sempre recebe menos atenção: repertório.</p>

<p>Um gestor pode dominar profundamente a própria empresa e, ainda assim, ter uma visão limitada sobre outras formas de organizar, liderar e inovar.</p>

<p>Isso acontece quando ele passa tempo demais dentro da própria rotina.</p>

<p>As mesmas pessoas.</p>

<p>Os mesmos problemas.</p>

<p>As mesmas referências.</p>

<p>Os mesmos caminhos.</p>

<p>Com o tempo, aquilo que é familiar começa a parecer a única forma possível de fazer.</p>

<p>Esse é um risco.</p>

<p>Porque gestão também evolui quando o líder entra em contato com outras realidades.</p>

<p>Uma empresa pode aprender com outro setor.</p>

<p>Um processo pode ser melhorado ao observar como outra organização resolve um problema parecido.<br />
Uma prática de atendimento pode inspirar uma mudança interna.</p>

<p>Uma tecnologia usada de forma diferente pode abrir uma nova possibilidade.</p>

<p>É por isso que benchmarking, eventos, viagens, conversas e novos ambientes não deveriam ser tratados apenas como experiências paralelas.</p>

<p>Eles também são ferramentas de gestão.</p>

<p>O objetivo não é copiar.</p>

<p>É comparar.</p>

<p>Observar.</p>

<p>Questionar.</p>

<p>Entender por que determinada solução funciona em outro contexto e se parte daquela lógica pode ser adaptada à realidade da própria empresa.</p>

<p>Esse exercício é especialmente importante agora, quando a tecnologia está mudando a velocidade da gestão.<br />
Inteligência artificial, automações, dashboards e integrações permitem fazer mais em menos tempo. Mas, quanto mais tecnologia entra, maior a necessidade de critério.</p>

<p>Não adianta automatizar aquilo que não está bem definido.</p>

<p>Não adianta comprar um sistema sem entender o processo.</p>

<p>Não adianta usar IA para gerar respostas se a liderança não sabe fazer boas perguntas.</p>

<p>A tecnologia amplia capacidade.</p>

<p>Mas é a gestão que define direção.</p>

<p>E direção depende de visão.</p>

<p>Por isso, ampliar repertório também é uma forma de melhorar a qualidade das decisões.</p>

<p>Um gestor com mais referências tende a enxergar mais alternativas.</p>

<p>Consegue comparar modelos.</p>

<p>Percebe tendências mais cedo.</p>

<p>Questiona hábitos antigos.</p>

<p>E, muitas vezes, consegue voltar para um problema conhecido com uma solução que antes não parecia possível.</p>

<p>É aqui que processo, tecnologia e experiência se encontram.</p>

<p>O processo organiza.</p>

<p>A tecnologia acelera.</p>

<p>O repertório amplia a forma de pensar.</p>

<p>Esses três elementos juntos ajudam a empresa a amadurecer.</p>

<p>Nos próximos meses, terei a oportunidade de viver isso de forma ainda mais concreta em uma experiência internacional em Portugal. Mais do que participar de um evento, o que me interessa é justamente esse contato com outras visões, empresários, práticas e formas de pensar gestão e negócios.</p>

<p>A ideia não é buscar fórmulas prontas.</p>

<p>É voltar com perguntas melhores.</p>

<p>Porque muitas vezes o maior ganho de uma nova experiência não está na resposta que você encontra.<br />
Está na pergunta que passa a fazer depois dela.</p>

<p>No fim, empresas melhoram quando conseguem transformar experiência em aprendizado, aprendizado em processo e processo em resultado.</p>

<p>E talvez um dos papéis mais importantes de quem lidera seja justamente esse: continuar expandindo a própria visão para que a empresa também consiga expandir a dela.</p>
]]></content>
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                        <published>2026-09-22T04:03:00+00:00</published>
            <updated>2026-11-03T22:01:22+00:00</updated>
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