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Carnaval

Carnaval
12/02/2010 08:07 -


O carnaval é fascinante porque toda festa popular é verdadeiramente arrebatadora. É a fusão da tradição europeia com a batucada africana. Toda essa folia existe há mais de 10.000 anos como expressão de gratidão dos camponeses aos seus deuses pela colheita. Pintavam-se como expressão de alegria e mascaravam-se imitando animais para mais próximos estarem da natureza que muito generosa lhes fora. Eram festas pagãs e traziam um forte conteúdo libidinoso em que o sexo era o objetivo final como expressão de fertilidade, crescimento e progresso. É bom lembrar que primitivamente, poderoso era quem tinha muitos filhos. A festa da colheita sofreu a influência grega transformando-se nos rituais Dionísios e posteriormente os romanos disseminaram os bacanais, saturnais e lupercais pelos seus domínios. Em Roma, no início do ano, comemoravamse as Saturnais. Fechavam-se os tribunais, escolas, escravos eram alforriados e dançavam pela rua em grande e comunitária algazarra. A abertura era um cortejo de carros alegóricos imitando navios (CARRUM NAVALIS), daí o nome Carnaval. Os lupercos, sacerdotes de Pã, alegre deus dos bosques que gostava de assustar os transeuntes, donde deriva o termo pânico, também era tido como deus protetor dos pastores e comemorava-se em 15 de fevereiro. Os Bacanais, homenagem a Baco, variante do deus grego Dionísio, deus do vinho, promotor de festas e o seu cortejo era formado por Sátiros, Silenos, Pãs, Príapos e Centauros, todos avessos aos padrões sociais. Todas essas festas aconteciam separadamente, mas no século VI, a Igreja Católica adotou-as para domesticá-las. Colocou-as todas na véspera da Quaresma, sendo os festejos marcados para 07 domingos antes da páscoa, como uma compensação para a abstinência que antecede a celebração do sacrifício de Jesus Cristo. Fato interessante é que na bíblia também tem carnaval. É a festa do Purin. É palavra persa que significa loteria e provêm de Pur (lançar sorte). Está no livro de Ester capítulo 9. Foi o dia em que o feitiço virou contra o feiticeiro. Ester, rainha de Assuero, decreta feriado nos dias 14 e 15 do mês Adar e é marcado por vinho, folia e carnaval. Dia em que qualquer coisa é possível. É marcado pela celebração da energia completamente aberta para possibilidades e transformação. Suspender julgamentos é crucial para o crescimento e a formação de uma nova identidade. O carnaval envolve a suspensão de todas as hierarquias, mas não das regras e princípios. Usam-se máscaras para experimentar novos papéis e bebe-se para deixar cair o pesado fardo do hábito e da socialização. As pessoas se renovam para novas relações puramente humanas. Esses são os reais motivos e também a razão da popularização do carnaval, mas lamentavelmente, também está sofrendo as influências perniciosas do capitalismo que exalta a riqueza e humilha a simplicidade distanciando os homens, quebrando a fraternidade e corrompendo a solidariedade com consequente embrutecimento social. As poucas oportunidades reais de aproximação e saudável convívio também são contaminados e destruídos pela ambição. O carnaval precisa ser desmistificado como produto do mal. É festa popular em que as mazelas do capitalismo, este sim a raiz de todos os males, pela ineficiência do estado em se fazer presente, permite excessos com prejuízo de alguns, como acontece nos estádios de futebol e outras festas.

Felpuda


A lista do Tribunal de Contas de MS, com nomes de gestores que tiveram reprovados os balanços financeiros de quando exerceram cargos públicos, está deixando muitos candidatos de cabeça quente.  Conforme previsto pelo Diálogo, adversários estão se utilizando de tais dados para cobrar, principalmente nas redes sociais, deixando alguns gestores na maior saia justa e tendo que se explicar. O eleitor, por enquanto, só observa. E dê-lhe!