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POLÍTICA

Obra revê conceitos sobre a instituição do casamento

Obra revê conceitos sobre a instituição do casamento
21/03/2010 04:50 -


Os desafios da vida a dois são o tema de “O anel que tu me deste – o casamento no divã”, da terapeuta e escritora Lidia Rosenberg Aratangy. Lançado em 2007, o livro ganhou uma reedição pela Primavera Editorial, na qual a autora acrescentou dados estatísticos atualizados, capítulos novos – como a viuvez e a figura do novo pai – e indicações de livros e filmes que abordam as relações afetivas. Terapeuta de casais há mais de 30 anos, Lidia oferece ao leitor um rico painel de nuances. É impossível não se ver em algumas situações. Longe de ser um manual de receitas prontas ou um tratado psicanalítico, o livro dá uma boa chacoalhada em conceitos como a idealização do casamento como um conto de fadas ou a descrença total na instituição. Apesar das conquistas e brado de independência, por que a mulher ainda quer se casar? E o homem? São expectativas diferentes? LIDIA ROSENBERG ARATANGY – O desejo de formar uma família é soberano, tanto nos homens quanto nas mulheres. Maternidade e paternidade são apelos muito fortes em nossa cultura e, apesar de todas as variantes modernas, o casamento ainda é o caminho mais prático para isso. Generalizações à parte, as mulheres buscam uma complementação; os homens, estabilidade. As expectativas até são diferentes, mas não incompatíveis. Casamento ainda é visto como uma garantia? LIDIA – Não. Aprendemos que a vida não dá garantias. Não confiamos mais na estabilidade do emprego, nem acreditamos que um diploma de uma boa faculdade garanta um trabalho bem remunerado. Ninguém mais acredita que o casamento é o porto seguro, onde se pode ficar para sempre. Mas acredita que uma parceria amorosa com intenção de permanência é a maneira mais confortável de enfrentar intempéries. Quem procura ajuda, o homem ou a mulher? E quando as chances de retomar o relacionamento são grandes? LIDIA – A mulher, na maior parte dos casos. Aprendemos que podemos ser frágeis e pedir ajuda, enquanto eles acham que podem (e devem!) resolver sozinhos seus problemas. As chances de retomada são maiores enquanto o ressentimento não for maior do que a esperança. Como vê o casamento no modelo patriarcal e as variantes do casamento hoje, como poliamor, swing, etc.? LIDIA – Quanto ao modelo patriarcal, está em franca extinção no mundo. Sobre as variantes, revolução certamente não é (novidades são caminhos para evitar mudanças verdadeiras). É uma regressão, às vezes, pois muitos desses pactos são mais escravizantes do que libertadores. Indigestão, quando se desrespeita os limites próprios e do parceiro. Combustão, quando se exagera na dose. E evolução, quando as tentativas são feitas levando-se em conta os próprios limites, desejos e os sentimentos do outro. Quanto ao modelo patriarcal, está em franca extinção no mundo. Quando o casamento dá sinais de desgaste? LIDIA – Quando as brigas se tornam repetitivas, as tréguas são cada vez mais curtas e os ressentimentos, mais duradouros. Quando já não se escuta o parceiro, porque se acredita saber o que ele vai dizer; quando já não há mais sequer desentendimentos, porque ninguém mais busca o entendimento. A sobrecarga do trabalho doméstico é culpa da mulher? LIDIA – Existem pessoas dadas a lamúrias e essas não saberiam viver sem se queixar do peso que carregam sobre os ombros. Se alguém tenta aliviar-lhes o fardo, chegam a ficar ofendidas, como se, com isso, seu martírio fosse desqualificado. De fato, fizemos um péssimo marketing do serviço doméstico, ao contrário dos homens, que sempre nos levaram a crer que o universo do trabalho era sofisticado e desafiador. Não é de se estranhar que tenhamos lutado tanto para entrar no mundo até então deles, e que eles resistam tanto para entrar na vida doméstica. De fato, ambos mentiram: nem o mundo do trabalho é um suceder de desafios interessantes, nem cuidar da casa é necessariamente tedioso. Poucas alquimias se comparam à mágica transformação de um cruento pedaço de carne num sorriso de satisfação no rosto de pessoas amadas! Mas nem conquistamos nosso lugar no mundo do trabalho a partir do modelo masculino, nem eles encontrarão seu espaço no lar se não puderem errar e acertar do seu jeito masculino de ser. O casal deve pensar nos filhos antes de decidir se separar? LIDIA – Deve pensar neles antes, durante e depois da decisão de se separar. Isso não significa que os filhos constituam um impedimento absoluto à separação, mas que seus sentimentos devem ser respeitados e tratados com honestidade e carinho, com a garantia de que continuarão a ter pai e mãe, ainda que separados. E o casal deve fazer de tudo para que essa promessa seja cumprida, independentemente de ressentimentos. Muitos mantêm a fachada de casamento perfeito, como se frustrações, conflitos e tristezas devessem ser varridos para debaixo do tapete. O que pensa? LIDIA – Penso que o casal fatalmente vai começar a tropeçar nos calombos da sujeira que empurrou para debaixo do tapete. E daí ou vai dar de cara no chão ou vai procurar ajuda. Há mesmo uma tendência em nossa cultura de se comportar como se a frustração fosse desvio de rota, e não parte da bagagem humana. Assim, as pessoas vivem relações efêmeras ou fantasiosas, e criam filhos incapazes de tolerar frustrações, bom arsenal para dependentes de drogas. Qual o sentido de o casal discutir a relação? LIDIA – Para eles, a fala deve ter uma função operacional, isto é, serviria para provocar mudanças na realidade. Para elas, a conversa teria o objetivo de dar-se a conhecer, de traduzir e desvendar sentimentos do par, para, assim, aproximar um ao outro e ampliar a intimidade entre ambos O casal que constrói uma união honesta, duradoura e feliz deve alternar velas ao vento e porto seguro? LIDIA – Quem faz essas alternâncias é a vida, nenhum casal tem poder para decidir esse enredo. Parceiros sábios confiam e desfrutam dela. Já os imaturos vivem da nostalgia do vento no rosto, quando a vida oferece uma fase de calmaria, e anseiam pelo porto seguro, quando o vento sopra mais forte.

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!