Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

CIDADES

Sem transplantes, só mortes fazem fila de renais andar

Sem transplantes, só mortes fazem fila de renais andar
05/02/2010 01:02 - KARINE CORTEZ


Há cinco meses a Santa Casa suspendeu, alegando falta de estrutura, as cirurgias na Central de Transplante – responsável pela captação de órgãos como rim e coração –, obrigando 330 renais crônicos de Mato Grosso do Sul a aguardar na fila de espera. “Muitos não aguentam esperar e morrem. A hemodiálise descalcifica os ossos e endurece os músculos cardíacos. A fila aqui no Estado anda porque os pacientes morrem e não porque fazem a cirurgia”, desabafa o diretor presidente da Associação dos Renais Crônicos de Mato Grosso do Sul (Recromasul), José Roberto Ost. A situação chegou a tal ponto que o hospital corre o risco de ser descredenciado pelo Ministério da Saúde, segundo o diretor de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Antonio Lastoria. Terceiro em número de cirurgias de rins em 2004 no País (por milhão de habitantes), o Estado despencou para a sexta colocação em 2006. No ano passado, até outubro, a Santa Casa fez apenas 14 procedimentos dessa natureza. “Essas 14 cirurgias que foram feitas são de doadores vivos, ou seja, parentes. O problema é que quem está na fila do transplante não tem parente compatível para doar e depende de órgãos de pessoas mortas”, explica José Roberto. O médico André Paulo Oliveira, coordenador da comissão de transplantes do hospital, confirma a suspensão dos serviços. Segundo ele, a medida foi tomada visando à melhoria do setor. “Paramos porque as cirurgias não estavam acontecendo de acordo com as normas exigidas pelo Ministério da Saúde. Um exemplo é que a mesma equipe de captação não pode ser a mesma que realiza o transplante e aqui no Estado não havia essa separação”, disse. Apesar de estar correndo o risco de ser descredenciada pelo Ministério da Saúde para fazer transplante de rim, André garantiu que a Santa Casa almeja fazer transplante hepático – que é o transplante de fígado e exige uma estrutura bem mais complexa do que qualquer outra cirurgia. “Se conseguirmos essa estrutura, poderemos fazer qualquer outro tipo de transplante”, enfatizou André. Mas o hospital vem enfrentando sérios problemas, como falta de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), falta de respiradores e está sempre superlotado. Cobrança O diretor estadual de Atenção à Saúde, Antonio Lastoria, disse que “o Ministério da Saúde, que concede o credenciamento, está cobrando do Estado a realização desse serviço e a Santa Casa tem alegado não possuir estrutura para fazer as cirurgias”, enfatizou Lastoria. Diante da situação, ele adiantou que já está sendo negociada a transferência do credenciamento para o Hospital Regional Rosa Pedrossian (HR), na Capital, e também para o Hospital Universitário (HU), em Dourados. Antonio Lastoria disse que a Central de Transplantes é responsável por fazer a captação de órgãos de doadores mortos. Mas, como a Santa Casa não tem feito as cirurgias, a central passou a enviar alguns órgãos para outros estados. Em dezembro de 2009, por exemplo, dois rins foram enviados para São Paulo. “Não podemos deixar de salvar outras vidas só porque a coleta aconteceu aqui”, disse.

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!