Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Agora fala para o povo não comprar comida se estiver cara"

Deputado Carlos Jordy (PL-RJ) lembra da "picanha", promessa furada de Lula

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Elite dos Correios esbanja em diárias internacionais

A crise financeira dos Correios, que fechou 2024 devendo R$3,2 bilhões e já tem déficit de R$500 milhões em 2025, ante superávit nas gestões Temer e Bolsonaro, não parece preocupar o comando da empresa. Elite instalada dentro da empresa pública, que inclui presidência, diretoria e outros cargos de chefia e analistas, continua esbanjando sem dó. Os gastos com diárias internacionais fecharam 2024 em R$482.362,92; revelam dados da própria estatal. Tudo por nossa conta.

No 0800

Fabiano Silva dos Santos, o presidente, que não é bobo, curtiu destinos como Santiago (Chile), Berna e Genebra (Suíça). Tudo na faixa, claro.

Amigos do rei

O caminhão de dinheiro, beirando os R$500 mil enquanto a empresa até confisca 13º de funcionários, custeou o tour de apenas 29 funcionários.

Emprego dos sonhos

Chefe de departamento, Janete Ribas papou R$46,2 mil por uns dias em Paris para “fiscalizar o contrato” de patrocínio da estatal nas Olimpíadas.

De fazer inveja

Além de Chile, França e Suíça, o roteiro da nata da estatal inclui ainda Alemanha, Portugal, Estados Unidos, China e outros belos destinos.

DF: deputados retomam farra de viagens ao exterior

Mal o ano começou e a Câmara Legislativa do Distrito Federal já retomou a farra de viagens internacionais para seus deputados. E os destinos são sempre aliciantes, conhecidos pela grande afluência de turistas. É o caso da linda e histórica Bolonha, Itália, para onde irá o próprio presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB). Acometido de súbito interesse por saúde pública, o policial aposentado Washington Luiz, reeleito no ano passado, irá participar da 2ª Imersão do Sistema de Serviço Social e de Saúde. 

Séquito garantido

Como ninguém é de ferro, Wellington viaja com o chefe de gabinete, seu braço direito, que dará o suporte logístico, e uma diretora da Câmara. 

Ônus para quem?

A Câmara avisou que o presidente e assessor viajarão “sem ônus”, gerando espanto sobre o comovente interesse do deputado pelo tema. 

Investimentos lá

Já a deputada Doutora Jane (MDB) irá por 5 dias à Madeira, por nossa conta. A paradisíaca ilha de Portugal sediará o evento InvestMadeira.

Gastança liberada

Parou no STF o vale-peru de R$10 mil pago pelo TJ-MT a funcionários. O CNJ mandou devolver e a turma recorreu. A propósito, o tribunal enfrenta outra polêmica: fretou jatinho para magistrados irem à Brasília. 

Quem liga?

A turma ligada a Rui Costa (Casa Civil) não deu a mínima para o senador Otto Alencar (PSD-BA), que anda falando cobras e lagartos do ministro. Como ambos são baianos, avaliam que é picuinha paroquial.

Batida

Alvo da PF nesta quinta (6), o ex-governador de Goiás e presidente do PSDB Marconi Perillo vê armação do governador Ronaldo Caiado (União-GO) na batida. Chamou a operação de “cortina de fumaça”.

IBGE paralelo

Com a paralisia de Lula, que nada resolve sobre a crise do IBGE, o Senado agiu e quer barrar a criação da Fundação IBGE+, apelidado de IBGE paralelo pelos servidores, e quer explicação de Márcio Pochmann. 

Ritmos diferentes

“Prioridade” apontada pelo novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o Orçamento só vai começar a andar em 10 março, segundo previsão do próprio relator do projeto, Angelo Coronel (PSD-BA). Depois do Carnaval.

É golpe

Bandidos têm se passado pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) no WhatsApp. A conversa é a de sempre: tentam arrancar uma grana dos desavisados. A parlamentar fez o alerta: é golpe!

Ajuda... aos bilionários

Chefe do Departamento de Eficiência dos EUA, Elon Musk expôs extrato de transferências de US$68 (R$393) milhões da USAID, agência do governo extinta por Donald Trump, para o... Fórum Econômico Mundial.

Ta feia a coisa

A venda de veículos seminovos e usados amargou queda de 16,9% em janeiro em relação a dezembro de 2024, registra a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

Pensando bem...

...infelizmente o cidadão não tem a opção de “não comprar” imposto.

PODER SEM PUDOR

Eles queriam reza

A caminho de Cuba, Jânio Quadros fez uma escala técnica no Ceará e resolveu visitar os desabrigados da enchente provocada pelo rompimento do açude de Orós. Políticos locais se aproveitaram para aparecer ao lado do ilustre visitante, fazendo discursos em que reclamavam recursos. Percebendo a impaciência de Jânio, um repórter provocou: “O que o sr. achou dos políticos?”. Jânio adorou fazer um trocadilho: “Achei-os muito afoitos por verbas. Estavam com cara de “Orós por nós’”.

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Clientes sem viagem, empresas sem pagamento

Operadora renomada deixa consumidores sem respostas e aciona alerta no setor

20/03/2025 00h04

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano

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O mercado do turismo tem enfrentado batalhas inglórias, que passaram pela pandemia, recuperação judicial da empresa 123 milhas, e agora, um novo player do mercado já informou que não conseguirá honrar com compromissos já assumidos.

A Viagens Promo é uma operadora de turismo brasileira, com foco em vendas B2B – ou seja, monta pacotes de viagens que são comercializados por meio de agências de turismo. Recentemente ela enfrenta uma grave crise financeira, que tem levado a atrasos de pagamentos a fornecedores e parceiros, comprometendo toda a operação.

No início de 2025, a Viagens Promo reconheceu oficialmente sua instabilidade operacional e financeira, informando não dispor de recursos para honrar reservas futuras e iniciando uma força-tarefa de reestruturação. As consequências foram imediatas: companhias aéreas suspenderam serviços por falta de pagamento e voos fretados foram cancelados, deixando centenas de passageiros sem embarcar.

Hotéis parceiros também deixaram de receber pelos hóspedes encaminhados pela operadora, levando alguns a recusarem check-ins de clientes que chegavam com reservas não pagas. Houve casos de viajantes barrados na recepção do hotel e de agentes de viagens tendo que arcar do próprio bolso com diárias para acomodar seus clientes, na esperança de reembolso futuro. 

Diante desse cenário, surge a questão: qual a responsabilidade jurídica de cada parte envolvida – agências, companhias aéreas, hotéis e os próprios consumidores – e que soluções existem para mitigar os danos de uma falência ou inadimplência no setor de turismo?

As empresas do ramo já estão se preparando para o não cumprimento de compromissos assumidos pela Viagens Promo. Hotéis já estão avisando as agências e hóspedes que não receberam pelas reservas e que, caso elas não sejam pagas até a chegada do consumidor, este não conseguirá realizar o check in.

Com isso as agências de turismos e hóspedes estão tentando uma saída para que não haja a perda das viagens, onde, além do gasto com hotel, o consumidor também arca com o transporte, bem como se planeja financeira, pessoal e profissionalmente para que a viagem ocorra dentro de um alinhamento do calendário familiar.

Fato é que nenhum desses entes da cadeia do turismo estão totalmente seguros, muito menos possuem direitos e deveres claros quando o assunto é jurisprudência, uma vez que, infelizmente, ela varia de tribunal para tribunal, onde alguns determinam que a responsabilidade, por exemplo, entre hotel e agência de turismo é solidária, ou seja, ambos podem responder integralmente pelo prejuízo do consumidor, ainda que este tenha sido causado pela Viagens Promo.

Já outros tribunais entendem que cada elo desta cadeia se responsabiliza pelo que recebeu (ou receberia) pelos serviços prestados, por exemplo, a agência de turismo teria sua responsabilidade nos limites de sua comissão, já o hotel responderia no limite do valor que receberia pela reserva.

Fato é que mais uma crise acertou o turismo nacional e prejudicará toda a cadeia. Não se sabe se a Viagens Promo entrará ou não em recuperação judicial (certamente sim), mas com certeza sua crise irá prejudicar centenas (talvez milhares) de empresas menores que ela, que terão que suportar prejuízos tão acima de suas capacidades de pagamento, que inclusive pode levá-las a encerrar suas atividades.

Os consumidores dispõem de um arcabouço legal sólido (CDC) que os ampara – seus direitos a transparência, restituição e indenização, e eles devem exercê-los ativamente, buscando apoio de órgãos competentes quando necessário.

Medidas preventivas, como a contratação de seguros de responsabilidade por agências e operadoras, podem fazer toda diferença em casos extremos, ao passo que medidas corretivas, como a ação regressiva, permitem que o prejuízo seja repassado à parte devida, evitando a injustiça de punir quem agiu de boa-fé para socorrer o cliente.

O caso da Viagens Promo serve de alerta e aprendizado para o mercado de turismo. Mais do que nunca, fica clara a necessidade de planejamento financeiro responsável pelas empresas, transparência na relação com parceiros e clientes, e mecanismos de proteção (contratuais e securitários) para emergências. 

Do ponto de vista jurídico, a mensagem é inequívoca: a cadeia de fornecedores deve funcionar como uma rede de segurança ao consumidor – se um elo falha, os outros precisam suportar aquele viajante, pois assim exige a lei e a confiança do público, claro, que tudo isso dentro do limite da responsabilidade de cada agente. Ao final, reforça-se que responsabilidade e cooperação são pilares essenciais para superar crises no turismo com o mínimo de danos e preservar a credibilidade do setor frente aos viajantes.

Leandro Amaral Provenzano ([email protected])

ARTIGOS

You are now a central banker

19/03/2025 07h45

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Ser um banqueiro central frequentemente implica tomar decisões impopulares para manter a estabilidade econômica. A frase “You are now a central banker”, enviada por Paul Volcker a Alan Greenspan, simboliza essa responsabilidade: conter a inflação e salvaguardar a credibilidade da política monetária, mesmo diante de pressões políticas e reações adversas. Volcker repassou essa frase em um bilhete enviado a Greenspan após a primeira reunião em que este, como presidente do Federal Reserve no fim da década de 1980, decidiu elevar as taxas de juros, marcando um momento crucial de sua gestão.

No Brasil, a condução da política monetária ocorre em um ambiente de forte pressão fiscal. A política de ajustes de gastos adotada até aqui não tem favorecido a estabilização das expectativas de inflação e impõe desafios adicionais ao Banco Central (BC). Desde o anúncio, em novembro de 2024, de medidas de corte de gastos consideradas insuficientes pelo mercado, as projeções fiscais permanecem frágeis. A mediana das previsões de mercado do Relatório Focus indica deficits primários de 0,6% do PIB tanto em 2025 quanto em 2026, enquanto a dívida pública bruta deve atingir algo próximo a 81% e 85% do PIB nesses anos. Pior, mesmo olhando para horizontes mais longos, como 2027 e 2028, o mercado não enxerga equilíbrio do resultado primário.

A deterioração das expectativas de inflação foi significativa: desde o fim de novembro, a mediana das previsões para 2025 saltou de 4,4% para 5,7%, enquanto para 2026 subiu de 3,8% para 4,4%, desviando-se consideravelmente da meta de 3% ao ano, com um limite de tolerância de até 4,5%. E o cenário pode se agravar, já que, em fevereiro, a inflação de 1,31% foi a maior desde 2003. No acumulado em 12 meses, a inflação já está em 5,06%.

A ata da última reunião do Copom preservou o tom firme da administração anterior de Roberto Campos Neto e reconheceu que o hiato do produto está positivo, a inflação resiliente no setor de serviços e o mercado de trabalho ainda apertado. Esse contexto reforça que o último ajuste de juros e a sinalização de um novo aumento, decididos antes da mudança de comando no BC, estavam na direção certa. O mercado já precifica esse aumento de um ponto porcentual na reunião de março, que ocorrerá na semana que vem e deve levar a taxa Selic a 14,25% ao ano.

As decisões do Copom serão analisadas de perto, não apenas porque esse aumento foi definido na gestão anterior, mas principalmente porque o mercado buscará sinais claros sobre a disposição do novo comando em controlar a inflação. Em contextos de teoria dos jogos, um BC com inclinação mais branda em relação à inflação pode adotar estratégias de comunicação e medidas que transmitam uma imagem de maior rigor para preservar sua credibilidade, especialmente se os custos reputacionais de revelar uma postura mais flexível forem elevados.

Assim, as reuniões a partir de maio serão decisivas para sinalizar a posição do BC ao mercado. Se os riscos indicarem um afastamento das expectativas da meta e os indicadores continuarem apontando para uma inflação resiliente, o BC poderá ser forçado a agir não apenas para evitar a erosão do juro real, mas também para intensificar o aperto monetário. Mesmo que os dados sejam conflitantes e haja incerteza no mercado quanto à dinâmica futura, o BC terá que escolher entre reforçar sua credibilidade ou arriscar um cenário no qual a política monetária perde efetividade. Esse último caso implicaria em juros elevados por mais tempo, com custos significativos para a sociedade, até que a confiança fosse restabelecida.

Um auxílio do governo no campo fiscal seria fundamental para reduzir o custo de desinflação da economia brasileira e o impacto de juros mais altos sobre o setor privado. Enquanto isso, Galípolo e sua equipe estarão sob constante escrutínio do mercado para manter a credibilidade da política monetária em um cenário fiscal adverso. Com o cumprimento da meta de inflação sob pressão, a condução da política exigirá decisões difíceis, como Volcker sinalizou a Greenspan.

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