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Barriga, bolso e voto: os instintos que decidem a eleição

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A política costuma ser explicada por ideologias, discursos e estratégias partidárias. Mas, no fundo, o voto nasce em um território mais primário e menos sofisticado: o dos instintos humanos. A psicologia ajuda a compreender por que, em períodos de crise ou bonança, o comportamento do eleitor muda radicalmente. Antes de ser militante ou ideológico, o eleitor é um ser que precisa sobreviver.

Segundo uma linha clássica da psicologia, o ser humano age movido por quatro instintos básicos: dois ligados à sobrevivência do indivíduo e dois, à preservação da espécie. Os primeiros são o instinto combativo e o instinto nutritivo. Os segundos, o impulso sexual e o impulso paternal ou maternal, associados à continuidade da vida, à solidariedade, ao cuidado e ao afeto.

O instinto combativo é aquele que leva o indivíduo a enfrentar adversidades, competir por espaço, defender-se de ameaças reais ou percebidas. Ele se manifesta quando a inflação corrói salários, o desemprego assombra famílias ou a insegurança domina o cotidiano. Já o instinto nutritivo está ligado à garantia do alimento, da renda mínima, da moradia e das condições materiais básicas de existência. Sem barriga cheia, não há tranquilidade; sem tranquilidade, não há abstração política.

É a partir desses dois instintos que se pode compreender o comportamento eleitoral em sua forma mais elementar. O eleitor tende a votar em quem lhe garante sobrevivência. Daí a equação simples e eloquente que costumo usar em minhas análises sobre o processo eleitoral: BO + BA + CO + CA – bolso cheio, barriga satisfeita, coração agradecido e cabeça decidindo. Quando a economia vai bem, o bolso alivia, a barriga se aquieta, o coração reconhece e a cabeça decide com menos medo e mais racionalidade. 

Os outros dois instintos – o impulso sexual e o impulso paternal ou maternal – ampliam o horizonte do voto. Eles remetem à preservação da espécie, ao futuro dos filhos, à educação, à saúde, à proteção social e à coesão comunitária. São esses impulsos que sustentam valores como solidariedade, empatia, amizade e responsabilidade coletiva. Mas há uma hierarquia clara entre os instintos: quando a sobrevivência imediata está ameaçada, os valores de longo prazo perdem centralidade.

Um eleitor aflito com o preço dos alimentos, do aluguel ou do transporte público tende a votar de forma defensiva. A escassez estreita o campo moral e encurta o horizonte político. Só quando os instintos básicos estão relativamente atendidos é que o eleitor se sente livre para ponderar temas como ética, instituições democráticas e projetos estruturantes de futuro.

É por isso que a economia se impõe como fator decisivo nas eleições. Inflação sob controle, renda previsível, emprego e sensação de prosperidade não são apenas indicadores técnicos: são respostas diretas aos instintos de sobrevivência. Governos que conseguem oferecer esse mínimo material criam um ambiente propício para decisões políticas mais estáveis e menos movidas pelo desespero.

Reduzir o voto à economia não empobrece a política. Ao contrário, reconhece a política como expressão da vida real. A democracia não se sustenta apenas em discursos, mas em condições concretas de existência. Antes da ideologia, vem a barriga; antes da narrativa, o bolso; antes do projeto, a sobrevivência. Quando o bolso alivia e a barriga se satisfaz, o coração agradece, a cabeça decide – e a democracia respira.

CLAÚDIO HUMBERTO

"Que prevaleça a imparcialidade"

Deputado Sóstenes (PL-RJ) sobre a relatoria de André Mendonça no caso Master no STF

14/02/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Para Lula, ‘auxiliar’ não pode contaminar o patrão

Lula (PT) tem dito, segundo assessores, que Dias Toffoli deveria também “sair do STF para não contaminar o governo”. A frase reveladora não é crítica ao ministro, mas a confissão de que, para ele, o STF não é Poder independente, mas uma espécie de departamento do Planalto, órgão auxiliar, que não pode “contaminar” o governo com suas malfeitorias. Sem respeitar a separação de poderes, Lula passou a querer a vaga de Toffoli como se fosse cargo de confiança, demissível a qualquer tempo.

Assessoria a postos

Lula trata o STF como braço estendido do Executivo, convocando seus ministros para reuniões, almoços e jantares excluídos da agenda oficial. 

Braço estendido

A oposição diz que essas reuniões discutem da blindagem de aliados ao Código de Conduta, passando por iniciativas contra adversários de Lula.

Só no pé do ouvido

No Consórcio nada consta nas agendas oficiais, tudo é combinado nos bastidores, longe de celulares, de holofotes e do escrutínio da sociedade.

Olho nas eleições

Lula impõe aos parças o modelo de governabilidade em que o Judiciário não julga, acompanha. Tampouco interpreta a lei e sim a conveniência.

Governo Lula torra R$2 milhões nas redes em 1 mês

Apenas nos últimos 30 dias, o governo Lula (PT) conseguiu torrar R$2 milhões com propaganda no Facebook e Instagram, segundo dados do próprio grupo Meta, dono dessas redes sociais, que divulga gastos de anunciantes de cunho político ou eleitoral. Somadas as despesas com esse tipo de propaganda nos últimos três meses, a conta de Lula com anúncios - em apenas duas redes sociais - dispara para R$7,4 milhões.

Alma do negócio

Cerca de R$ 700 mil foram destinados, em um mês, a seis anúncios de Lula para promover a “isenção de imposto de renda” até R$5 mil.

Por que será?

O pagador de impostos teve que bancar anúncios principalmente em São Paulo (R$ 289 mil), Rio Grande do Sul (R$ 212 mil) e Bahia (R$207 mil).

Desinteresse geográfico

Usuários do Facebook e Instagram em estados como Mato Grosso (R$21 mil) e Distrito Federal (R$21 mil) não viram muitos anúncios.

Quase Páscoa

Tanto o Senado, quanto a Câmara dos Deputados não têm compromissos marcados para a semana do Carnaval. Ambas as Casas Legislativas deixaram a retomada do trabalho para o próximo dia 24.

Recorte ideológico

Pesquisa nacional Real Time Big Data (BR-06428/26) diz que 14% dos eleitores se dizem de esquerda e 17% de centro-esquerda. Centro é a maior “ideologia”, 26%. De centro-direita são 24% e 18% de direita.

Previsão confirmada

Há 13 anos, a revista The Economist perguntava se o Brasil havia “estragado tudo”, na capa do Cristo Redentor voando sem controle. Agora confirma e alerta outros países para o risco de ‘brasilificação’.

2026 difícil

As duas federações partidárias (cinco partidos no total) que sustentam o governo Lula (PT) na Câmara dos Deputados, PT-PCdoB-PV e Psol-Rede, têm apenas 95 parlamentares. Só o PL tem 87 deputados.

Na bronca

Para Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, ministros do STF seguem “intocáveis” por omissão do Senado: “Falta independência e tamanho moral”, disse o deputado, que é pré-candidato a senador.

Só engano?

Hamilton Mourão (Rep-RS) se espantou com a cara de pau do governo Lula nas propagandas penduradas na Esplanada, que autointitula o governo como o “melhor da História”. Ledo engano, rebateu o ex-vice.

Aprende, Brasil!

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a redução da maioridade penal no país de 16 para 14 anos. O projeto apoiado pelo governo de Javier Milei ainda tem que ser aprovado no Senado.

Não acaba mais

Com a criação, esta semana, da Frente Parlamentar em Defesa do Mutualismo (modelo de seguros de carros), já são 311 as frentes parlamentares instaladas na atual legislatura (desde 2023).

Pensando bem...

...quem com grampo fere, com grampo será ferido.

PODER SEM PUDOR

Cláudio Humberto

Editando o Diário Oficial

Político folclórico do Rio Grande do Norte, o major Teodorico Bezerra não poupava esforços quando queria ajudar Santa Cruz, município de sua base eleitoral. Reza a lenda local que ao saber que a vizinha Nova Cruz ganharia agência dos Correios, foi à editora do Diário Oficial e mandou trocar Nova por Santa, na ordem do serviço. Santa Cruz ficou com o posto da ECT. Questionado por um adversário, anos mais tarde, Teodorico desconversou: “Sou um homem de 75 anos, de modo que só lembro do que aconteceu de seis horas da manhã para cá...”

Cláudio Humberto

"A situação do Toffoli é tão delicada que não surpreenderia se ele contratasse a mulher do Moraes"

André Marsiglia, jurista, na melhor frase do dia sobre o "Caso Toffoli" no STF

13/02/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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André Mendonça pode ‘herdar’ relatoria de Toffoli

Caso se confirme o afastamento voluntário ou coercitivo do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso do Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), seu mais provável substituto seria o ministro André Mendonça, e por “prevenção”. Ele é o relator do caso do roubo a aposentados e pensionistas do INSS, que se conecta com o inquérito que apura a suspeita de que o banco de Daniel Vorcaro teria fraudado empréstimos consignados também não autorizados pelos segurados.

 

Lulistas contra

De acordo com a lei e o regimento, André Mendonça seria “juiz prevento” do caso, mas a bancada de Lula no STF resiste à possibilidade.

 

Ele quer ficar

Toffoli fez ver o presidente do STF, Edson Fachin, que não há motivo para se afastar da relatoria, alegando que nada fez de errado.

 

Antes o Toffoli

Para fontes do STF ligadas à discussão interna, a chance de o caso “sobrar” para André Mendonça até ajuda a manter Toffoli na posição.

 

Sob controle

Lula estimula o impeachment de Toffoli para ganhar mais uma vaga no STF, mas seria ainda mais importante manter ministro amigo na relatoria.

 

Feliz com Toffoli, Vorcaro nem tentou 1ª instância

Nenhum dos advogados de defesa que atuam no caso do Banco Master pediu a retirada da ação do âmbito do Supremo Tribunal Federal. O retorno à primeira instância da Justiça poderia ser requisitado pelos representantes dos acusados, como o dono do Master, Daniel Vorcaro, mas até o agora ninguém o fez. O caso foi remetido ao STF por ordem do ministro Dias Toffoli pelo suposto envolvimento de um deputado.

 

Com foro

O deputado federal João Carlos Bacelar (PL -BA) seria citado em um dos documentos apreendidos pela PF.

 

Imterrompido

O jornal O Estado de S.Paulo informou que Bacelar negociava um imóvel com Vorcaro quando a Operação Compliance Zero suspendeu tudo.

 

Irrelevância

Até agora, nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público apontaram qual seria o envolvimento do deputado federal na fraude no Master.

 

Ética, eis a questão

Se o ministro for mesmo afastado do caso Master, restará ainda outra questão ética: Dias Toffoli atuará como julgador, como Alexandre de Moraes, que não alegou suspeição nem mesmo figurando como vítima?

 

A vida como ela é

Mestre em direito penal, Acácio Miranda disse a Vitor Brown, na TV BandNews, que nem o legislador foi tão criativo para imaginar a situação na prática, com o risco de anulação de todos os atos decisórios do Dias Toffoli no caso Banco Master, ainda que o processo seja preservado.

 

Massacre, não

O ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) avalia como “exagero e mesquinharia” a possível cassação de patente de Jair Bolsonaro pelo Superior Tribunal Militar. “Justiça é uma coisa e massacre é outra”, diz.

 

Vermelhíssimo

Hamilton Mourão (Rep-RS) avalia as contas do governo Lula, até agora: “Lula entregou o terceiro resultado primário negativo do atual mandato. São R$ 368,6 bilhões de déficits primários acumulados em três anos”.

 

Mesversário’ nebuloso

A divulgação de despesas do governo Lula (PT) com viagens está parada desde 16 de janeiro. Nos primeiros dias de 2026 foram torrados R$1,23 milhão. De lá para cá, a Transparência deixou de divulgar dados.

 

PSB vs. PT

No Ceará, o PT briga com o PSB. Aliados na esfera federal, lutam por vagas da bancada federal. Até suplentes trocam o PSB de Cid Gomes pelo PT do governador Elmano de Freitas e do ministro Camilo Santana.

 

Mudança para depois

Apesar da movimentação política em 2025 por novas vagas na Câmara dos Deputados, na eleição de 2026 serão disputadas as 513 cadeiras de sempre. O aumento para 531 vagas ficou para 2030.

 

Sem aliados não dá

Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) expôs a fragilidade de Lula (PT) no Senado Federal após afirmar que que o petista o incentiva a concorrer a senador por Pernambuco, mas, lembrou: “precisa ter aliados”.

 

Pensando bem...

...curioso o interesse só por um dos ministros envolvidos com o banco.

 

PODER SEM PUDOR

Derrubado no tapume

Judocas queriam “revanche” da assessoria presidencial depois da gafe do presidente Lula em Brasília, no segundo mandato. Ao receber nosso primeiro campeão mundial, João Derly, Lula, ganhou um quimono (dogui) e a faixa preta (obi), a maior graduação no esporte. O petista afirmou: “Estou pronto para a luta, vamos para o tapume!”. Ganhar a faixa sem luta e chamar tatame de tapume, além de desrespeito, está com toda pinta de “golpe da direita”, desconfiaram os judocas.

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