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OPINIÃO

Coriolano Xavier: "Salve, bom senso"

Integrante do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e professor da ESPM
07/08/2019 01:00 -


Toda vez que aumenta o tom de debates sobre defensivos agrícolas, sinto que se corre o risco de perder um pouco da dimensão histórica da questão fitossanitária. Ela sempre esteve atrelada à evolução do mercado de alimentos, primeiro na perspectiva de segurança alimentar, depois no foco da qualidade dos produtos e, mais recentemente, também com a ênfase na segurança dos alimentos.

Nada está parado na agricultura brasileira. Pelo contrário. De 2009 a 2013, os defensivos biológicos e orgânicos representaram 13% do total de produtos registrados pelo Mapa no período. Se considerarmos só o primeiro ano (2009), a proporção era de 1%. No segundo ano, foi para 6,5% e, ao fim daqueles cinco anos (2013), alcançou 21%, refletindo o avanço das tecnologias desenvolvidas nessa categoria de produtos.

Nos cinco anos subsequentes (2014 a 2018), a proporção continuou subindo, com os biológicos e orgânicos alcançando 30% do total de defensivos registrados. E praticamente a mesma fatia (29%) permaneceu na média dos últimos três anos (2016 a 2018), mostrando consistência histórica. Em dez anos, (2009 a 2018), eles somaram 218 produtos registrados, representando 38% do total de formulados químicos liberados pelo Mapa.

Mas não são apenas os biológicos e os orgânicos que estão mudando o quadro de oferta de soluções fitossanitárias no mercado. As AgTechs estão com ferramentas para monitoramento sanitário preventivo das lavouras. Equipamentos de aplicação racionalizam ao extremo o uso dos produtos, com inteligência artificial. A genética induz resistência nas plantas e o controle biológico completa o arsenal. Tudo sob o conceito de manejo integrado de pragas e doenças.

Houve um tempo em que se combatia formigueiros adultos, daqueles que abrigam até cinco milhões de saúvas cortadeiras de folhas, com explosões de dinamite. Depois, trocou-se a explosão por moléculas químicas, em nome de ganhos de eficiência, segurança e menor impacto ambiental, até chegar aos dias atuais, quando o mesmo tipo de sauveiro recebe a atenção de softwares de análise das infestações, para se identificar estratégias sustentáveis de controle.

De modo semelhante, hoje, a gestão da saúde vegetal está mudando e incorporando novos recursos, além dos tradicionais defensivos, apoiada pela evolução da tecnologia disponível e com o agricultor buscando redução de custos, menor impacto ambiental, qualidade e segurança do produto. Enfim, sustentabilidade nas dimensões humana, social, ambiental e econômica.

Então está tudo bom? Creio que não. E a agricultura e a pesquisa sabem disso e procuram sem parar formas mais sustentáveis de fazer as coisas. Nesse sentido, também é essencial o olhar crítico da sociedade, expressando suas aspirações e necessidades. Vale a vigilância, pois isso é próprio da cidadania e de nações progressistas, movidas pela ciência e por uma base de valores consensuais. Daqui, sim, sai uma discussão mais objetiva e fértil, olhando para o futuro do sistema alimentar e do agro.

Felpuda


Prefeitura de município do interior de MS recebeu recomendação do Ministério Público do Estado no sentido de exonerar servidores comissionados, livres do cartão de ponto, que são parentes de secretários da administração e de vereadores. O nepotismo se tornou um excelente “negócio” por lá, e se até o dia 6 de agosto as devidas providências não forem tomadas, medidas serão adotadas, como ação por improbidade administrativa. Tem gente que não aprende mesmo, né?