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ARTIGO

Gilson Cavalcanti Ricci: "Luzes de Paris em Campo Grande"

Advogado
10/12/2019 02:00 -


Surge a nova Rua 14 de Julho em sua roupagem de gala, a encantar os transeuntes com seus adereços e luzes feéricas, tal como um sublime cartão-postal de Champs-Elysées ou do Quartier Latin. Sua história é rica de acontecimentos marcantes na vida social e política de Campo Grande. Ali começou a existir a pujante efervescência comercial da cidade, com a chegada do trem no distante ano de 1914, quando os forasteiros chegados de longe passaram a desbravar a região em torno da estação ferroviária, então envolvida por espesso matagal: brasileiros de todos os recantos do Brasil e estrangeiros oriundos de várias partes do mundo, notadamente europeus, árabes e japoneses.  Os bravos pioneiros chegavam à cidade e, paulatinamente, iam formando os primeiros núcleos comerciais de Campo Grande. Entre eles sírios e libaneses foram os primeiros comerciantes da Rua 14, os quais utilizavam suas carroças na trilha aberta entre a ferrovia e o início daquela artéria, no transporte de mercadorias para abastecimento de suas rústicas casas comerciais, que começavam a dar à região um embrionário entreposto de vendas.

O nome 14 de Julho foi dado em homenagem ao episódio ocorrido anteriormente à Revolução Francesa, no dia 14 de julho de 1789, denominado Queda da Bastilha, na França pré-napoleônica. Em Campo Grande, o vereador Miguel Garcia Martins sugeriu homenagear a Queda da Bastilha, dando à rua o nome de 14 de Julho, o que foi aprovado pela Câmara de então. Pouco tempo depois, passou a denominar-se Rua João Pessoa, face à morte heroica do presidente do estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, no duelo à bala com o advogado João Duarte Dantas, motivado  por ciúme da bela professora e poetisa Anayde Beiriz, episódio ocorrido no período pré-revolucionário de 1930, razão pela qual a edilidade homenageou o valente governador paraibano, outorgando seu nome àquela ruazinha de Campo Grande. Todavia, ainda por deliberação da Câmara – e por questão meramente político-partidária –, a via voltou a ter o nome de Rua Catorze de Julho. Ou seja, a edilidade preferiu homenagear a distante França, preterindo o nome do nosso destemido compatriota nordestino.

Muitos fatos importantes e curiosos giram em torno da tradicional Rua 14. Tanto por seu atrativo comercial, como por sua situação no centro da cidade. Notadamente, por seu carisma no seio da população campo-grandense, como local de compras e encontro. Lembro-me quando jovem que me divertia nos domingos à noite no meio da rapaziada a flertar as donzelas casadoiras no vaivém no meio da rua, no trecho entre a Rua D. Aquino e a Avenida Afonso Pena – muitos casamentos surgiram graças ao “footing” da 14. Na esquina, um pitoresco relógio dominava o cruzamento das ruas, onde se aglomerava a rapaziada até às onze horas da noite, quando se dispersava e pegava a jardineira do Sobral para ir pra casa.

No tempo das campanhas eleitorais, o local servia de palanque nos comícios, ocasião em que os políticos se utilizavam da mureta em torno do relógio para esbravejarem suas “plataformas políticas”, enquanto a multidão se aglomerava ao redor. Muita pândega surgia nessas reuniões políticas e as piadas corriam soltas no meio do “eleitorado” – era muito divertido! Com o soberbo crescimento de Campo Grande tudo foi se modificando, quando as grandes empresas comerciais iam se instalando nas periferias da cidade, desviando assim o fluxo de compradores da Rua 14 para os bairros periféricos, notadamente quando se instalou o shopping center no Jardim dos Estados. A partir de então, a tradicional artéria central perdeu o atrativo, quedando-se praticamente às moscas.

Não tardou a Rua 14 cair no esquecimento das autoridades municipais, notadamente dos políticos, e assim o comércio somente não desapareceu dali graças à teimosia e coragem de alguns antigos comerciantes, que teimaram em continuar a trabalhar naquela rua. Após mais de cinco décadas de abandono, surge um prefeito dotado de tino administrativo, o qual, tão logo empossado como alcaide da Cidade Morena, dedicou-se à missão de zelar pela cidade. Entre suas obras de grande utilidade para os cidadãos campo-grandenses, o projeto de revigoramento do Centro tornou-se uma gratificante realidade. Agora, passeando pela nova Rua 14 de Julho, nossos olhos se deslumbram com o modernismo e a beleza, especialmente à noite, com a feérica iluminação, como se o dinâmico prefeito trouxesse as luzes de Paris para o centro de Campo Grande.

Felpuda


Os bastidores fervem com a ciumeira que vem acontecendo em alguns municípios, onde determinados candidatos estariam sendo mais prestigiados que outros depois das alianças que foram formalizadas nas convenções. As queixas só aumentam, e as lideranças partidárias já não sabem o que fazer, temendo a possibilidade de que a vitória vá para o ralo. A bronca maior está entre integrantes das chapas puras de vereadores que se coligaram na majoritária. E salve-se quem puder!