Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

ARTIGO

Wagner Cordeiro Chagas: <br>"As eleições de 1986 em MS"

Mestre em História pela UFGD e professor em Fátima do Sul
30/08/2018 02:00 -


Chegamos ao terceiro artigo da série sobre a história das eleições estaduais em Mato Grosso do Sul. Neste texto, apresentamos como ocorreram as eleições de 1986. Naquele ano, após pouco mais de duas décadas sob o julgo dos generais presidentes, o Brasil era administrado por um civil: José Sarney. Paradoxalmente, José Sarney foi ligado ao regime militar até o ano de 1984, quando rompeu com o presidente general João Figueiredo e ajudou a fundar a Frente Liberal, que, naquela mesma data, aliou-se ao PMDB e apoiou o candidato das oposições às eleições indiretas de 1985, o ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves.

José Sarney foi escolhido candidato a vice. Ambos foram eleitos e ajudaram a encerrar o período da ditadura militar no País. No entanto, com a doença de Tancredo antes da posse, seguida de seu falecimento, coube ao vice assumir o comando da nação.

José Sarney assumiu em meio a desconfianças de boa parte dos brasileiros, pois era muito recente sua saída dos quadros de apoio ao governo militar. No entanto, ele cumpriu o programa da Aliança Democrática e garantiu o processo de redemocratização nacional, com o retorno das eleições diretas para prefeituras dos municípios classificados como área de segurança nacional, a legalização dos partidos comunistas (PCB e PC do B), a garantia do direito ao voto para os analfabetos e a convocação de uma Assembleia Constituinte para elaborar a nova Carta Magna.

Dois dos maiores problemas, herança do regime autoritário implantado em 1964, eram a inflação descontrolada e o aprofundamento da desigualdade social. Para isso, o governo Sarney adotou medidas de impacto na economia, como os planos de congelamento de preços, dos quais destacou-se o Cruzado em 1986. O congelamento levou a um retorno do consumo, pois os trabalhadores tiveram, por alguns meses, a oportunidade de não ver seus salários corroídos dia a dia pela elevação dos preços. Isso gerou uma enorme euforia e a popularidade do presidente cresceu.

Foi nesse contexto que ocorreu a campanha eleitoral para governador, deputados federais, estaduais e senadores, em 1986. Em Mato Grosso do Sul, foi a segunda eleição para governador, tendo como candidatos: o engenheiro civil e então senador Marcelo Miranda Soares (PMDB), o pecuarista e ex-prefeito de Campo Grande Lúdio Martins Coelho (PTB) e o professor universitário Luiz Landes Pereira (PT).

Favorecido pelos bons resultados da gestão peemedebista de Wilson Barbosa Martins e Ramez Tebet, e, principalmente pelo Plano Cruzado, o vencedor foi Marcelo Miranda, que havia governado o estado entre 1979 e 1980, por nomeação da ditadura. Vale ressaltar que, no Brasil, o PMDB naquele dia 15 de novembro elegeu os governadores de 22 dos 23 estados existentes (apenas o Sergipe elegeu um governador do PFL, partido que era aliado ao PMDB). Após garantir o resultado favorável nas urnas, o governo José Sarney aplicou um verdadeiro golpe no povo brasileiro, ao descongelar os preços, permitindo a elevação dos mesmos a 100%.

Para deputado estadual, foram eleitos pelo PMDB: André Puccinelli, Pedro Dobbes, João Leite Schmidt, Akira Otsubo, Jonathan Barbosa, Cláudio Valério, Carlos Fróes, Ricardo Bacha, Valdenir Machado, Benedito Leal, Ozeias Pereira, Onevan de Matos e Waldemir Moka. Pelo PFL: Londres Machado, Roberto Razuk, Marilú Guimarães, Ary Rigo, Cícero de Souza, Daladier Agi e Zenóbio dos Santos. O PTB elegeu Armando Anache, Nelson Trad e Walter Carneiro. O PDS foi representado por Marilene Coimbra. Como se pode observar, aquele pleito marcou algo inédito na história do Legislativo estadual: a eleição das duas primeiras deputadas.

Para a Câmara dos Deputados, o PMDB elegeu Plínio Barbosa Martins, Ivo Cerzósimo, Rubén Figueiró e Valter Pereira. Do PFL: Ghandi Jamil, Levy Dias e Saulo Queiroz. O PDS elegeu José Elias Moreira.

Ao Senado Federal, concorreram 10 candidatos, do PMDB, PTB e PT. Naquela época, ainda vigorava a sublegenda para o cargo de senador. Assim, o PMDB lançou três chapas, com dois nomes cada: Wilson Barbosa Martins, Rachid Saldanha Derzi, Roberto Orro, Totó Câmara, Adeir Maia e Marco Lúcio. O PTB tinha como nomes Pedro Pedrossian e Paulo Coelho Machado, contudo, o último não foi registrado na sublegenda de Pedro Pedrossian. A consequência disso foi que Pedrossian, apesar de ter obtido sozinho mais votos do que o candidato Rachid Derzi, não foi eleito, pois seus votos não somaram com os da sublegenda. Com isso, os eleitos foram Wilson e Rachid.

Os deputados federais e senadores eleitos por Mato Grosso do Sul teriam pela frente a experiência de participar de um dos momentos mais importantes da história do Brasil, a elaboração da Constituição Federal de 1988.

Felpuda


A lista do Tribunal  de Contas de MS,  com nomes de gestores que tiveram reprovados os balanços financeiros  de quando exerceram cargos públicos,  está deixando  muitos candidatos de cabeça quente.  Conforme previsto  pelo Diálogo, adversários estão se utilizando de tais dados para cobrar, principalmente nas redes sociais, deixando alguns gestores na maior saia justa e tendo que se explicar. O eleitor, por enquanto, só observa. E dê-lhe!