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VIOLÊNCIA POLICIAL

Aparece outra vítima de policial militar que espancou mulher em Bonito

Professor de educação física diz que foi agredido por tenente da PM, e ainda teve sua caminhonete cravejada de balas
24/11/2020 08:00 - Eduardo Miranda


Investigado por agressão e abuso de autoridade por ter espancado uma turista em Bonito no fim de setembro dentro do quartel da Polícia Militar (leia reportagem nesta página), o 2º tenente André Luiz Leonel tem um histórico de investigações por reações desproporcionais durante abordagens e, da última vez, acabou liberado pela Corregedoria da Polícia Militar.  

Já a vida do professor de Educação Física Eurípedes Luiz da Silva Filho, o Pinho, foi virada de cabeça para baixo após uma briga conjugal, em que ele havia se apoderado do telefone celular da esposa. “Quem bate esquece, mas quem apanha não”, disse o professor, encorajado a divulgar sua versão, depois que as agressões de Leonel à turista em setembro ganharam o Brasil.  

 

A AGRESSÃO

Eurípedes disse que a violência começou quando ele tomou a decisão de devolver o aparelho, e ele – que não estava armado – foi recebido a tiros pelos policiais chefiados por Leonel. “Baixei o vidro do lado do passageiro e estiquei o braço para devolver o celular [da minha esposa]. Quando olhei do lado esquerdo, este policial, o Leonel, engatilhou uma pistola na minha cabeça”, afirma.  

Assustado, Eurípedes ligou sua caminhonete, o suficiente para que os policiais disparassem uma rajada de tiros contra o veículo, com o resultado de dois pneus furados e toda a lateral da picape, uma S-10, cravejada de balas. Eurípedes não estava armado na ocasião.  

A briga que ensejou o conflito que mudou a vida de Eurípedes, no fim de 2018, ocorreu quando ele se apoderou do telefone celular da esposa. Em processo de separação e em casas separadas, em um primeiro momento o professor de Educação Física recusou-se a devolver o aparelho, e por isso a ex-mulher dele acionou a PM. Depois da abordagem, quando seguia para casa, Eurípedes conta que recuou e decidiu retornar ao quartel da polícia para devolver o aparelho e pôr fim ao desentendimento. Foi aí que foi recebido a tiros.

 

CONSEQUÊNCIAS

Deste episódio, restou um processo por tentativa de homicídio contra Eurípedes Filho, movimento pelo Ministério Público, em que o policial militar Ramão Benedito Soares, que integrava a equipe de Leonel, consta como vítima. A tentativa seria no momento em que ele teria investido sua caminhonete contra e equipe de policiais.  

Apesar de uma briga de casal ter originado todo o conflito, não restou nenhum processo judicial ou acusação formal de violência doméstica. “Não teve violência doméstica, o Leonel pressionou, queria obrigá-la a fazer um boletim de ocorrência (...) e ela disse ‘como assim? Ele não me agrediu. Sempre foi um bom pai. Ele só pegou meu celular’”, conta o professor de Educação Física.

Eurípedes conta que, ao chegar perto de sua academia, depois de arrancar para tentar fugir dos policiais, ele foi cercado por duas viaturas. “O policial Ramão, ao descer do carro com um fuzil atravessado no pescoço, ele escorregou, caiu e bateu o joelho no asfalto ao descer da viatura. Gritaram para mim, deram ordem de prisão. Eu levantei os braços para cima, e foi desferido um tiro com bala de borracha na minha barriga – eu já havia me entregado. Me algemaram, me jogaram no chão, pisaram no meu pescoço, pisaram na minha cabeça, chutaram minha costela no chão, eu com a cara no chão”, relata.