Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

COMBATE AO TRÁFICO

Eduardo Bettini: “A Operação Horus é permanente, e este é o trunfo dela”

Secretário de Operações Integradas do Ministério da Justiça avisa: ação de combate ao crime veio para ficar
31/08/2020 05:30 - Eduardo Miranda


Na quarta-feira, 26 de agosto, uma apreensão de maconha ocorrida na zona rural de Maracaju ganhou o Brasil. Tratava-se da maior retenção de droga por policiais da história do País: 33 toneladas em um caminhão.

Se sozinho, o número impressiona, a operação que deu causa a esta ocorrência já gerou a apreensão de 352 toneladas de droga neste ano. Trata-se da Horus, ação policial coordenada pelo Ministério da Justiça por meio do Programa Vigia, e que reúne em uma integração inédita, todas as policiais - ostensivas ou judiciárias - estaduais e federais.  

O entrevistado da semana é o Secretário de Operações Integradas do Ministério da Justiça, Eduardo Bettini, que atua na coordenação da Operação Horus em todo o Brasil, e não pouca elogios aos policiais de Mato Grosso do Sul, onde já atuou há quase duas décadas. 

 

Neste mês de agosto, no dia 26, equipes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) realizaram a maior apreensão de maconha da história do Brasil em Maracaju. Neste ano, as polícias que atuam em Mato Grosso do Sul realizaram três das quatro maiores apreensões da história. O que está havendo?

De fato, esta apreensão de 33 toneladas em Maracaju é uma marca histórica, muito difícil de ser batida, até porque a capacidade da carreta era de 30 toneladas. Ela estava carregada, praticamente, só com maconha.  

Quer dizer então que o motorista, se estivesse em uma rodovia pavimentada, também poderia ser enquadrado por excesso de peso?

Sim, certamente. Mas voltando à primeira pergunta, é um conjunto de fatores que levou a esta apreensão, sobretudo a ação integrada das instituições, por meio do Programa Vigia e da Operação Horus, que decorre deste programa.  

A partir desta operação integrada, o efeito que tem surtido é muito bom. A cooperação das diferentes forças de segurança, e o apoio que uma têm dado uma a outra é algo nunca antes visto.  

 

A gente percebe, que até mesmo na divulgação dos feitos, os policiais tem demonstrado uma grande satisfação a cada prisão ou apreensão, e muito mais liberdade e desenvoltura para transmitir as informações. Isso também está relacionado com a atuação do programa Vigia?

Sim. Este é um dos eixos do programa, que é a valorização profissional. Todo o Vigia tem como fundamento o forte apoio às unidades que estão na ponta. Acreditamos que os policiais, de fato, estão se sentindo mais cuidados, apoiados e encorajados a realizar as apreensões e prisões.

O que muda com a Operação Horus em relação às outras ações do passado, é que a sensação de pertencimento do policial é muito grande. Isso sem dúvida é importantíssimo. E o pertencimento vem, justamente, do alinhamento de todas as forças que atuam, as estaduais e federais.

 

Voltando as volumosas apreensões de drogas, o que explica Mato Grosso do Sul já ter retido 352 toneladas desde o início do ano?

É um número impressionante. Eu me lembro que em 2003, quando atuava na linha de frente da polícia aí em Mato Grosso do Sul, participei de uma incineração de drogas apreendidas, de aproximadamente 130 toneladas. Era considerado um número recorde. Neste, em julho o total de 2019  - que já foi um ano de quebra de recordes - foi superado.  

Mas o grande volume de drogas apreendidas neste ano está diretamente ligado à metodologia de trabalho da Operação Horus e do Programa Vigia. O trabalho tem de ser sistêmico e progressivo.  

E o grande diferencial tem sido conectar as unidades de inteligência e de operação. As células do Programa Vigia atuam em perfeita harmonia. O pessoal que faz o trabalho, que integram forças diferentes, tem feito um excelente trabalho.  

Contamos com a inteligência das polícias judiciárias, como Federal e Civil, e com a atuação de forças ostensivas, como a Polícia Rodoviária Federal, o Departamento de Operações de Fronteira e a Polícia Militar. Esta última, sobretudo, é muito numerosa, tem uma presença muito forte e uma capilaridade muito grande.  

 

A Operação Horus é somente uma das frentes no combate ao tráfico, como funciona?

Temos várias células que estão em constante troca de informações. As instituições atuam dentro de suas finalidades, mas a diferença é justamente essa: a conexão entre os policiais.  

Existe o trabalho investigativo, existe o trabalho com alianças internacionais, como por exemplo, o da Polícia Federal com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) para destruir plantação. Existe o trabalho de combate e investigações aos chefões das quadrilhas, feito pela Polícia Federal e as polícias civis. Destacamos também trabalhos muito positivos, feitos com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e com o DOF na região de fronteira, o que tem permitido aumentar o poder de ação das forças de seguranças em várias frentes.  

 

A Operação Horus foi instituída em Mato Grosso do Sul em setembro de 2019. Ela é permanente?

Sim, a Operação Horus é permanente, e este é um dos trunfos dela. A maioria das operações, por serem temporárias e incidentais, embora tenham sucesso no combate às organizações, abre brecha para que elas, eventualmente, venham a agir no intervalo entre as ações. A Horus é permanente, constante e progressiva. Ela não tem interrupção. É uma ação contínua: 24 horas por dia e sete dias por semana. Isso tem ajudado a gerar bons resultados.  

 

Esta ação integrada do Ministério da Justiça e das Secretarias de Segurança Pública reduziram o ciúme entre as polícias. Isso veio para ficar?

Sim, esta disputa por reconhecimento e divulgação que já existiu em outras ações era muito nociva. Ela gerava uma cisão depois das ações policiais conjuntas, e que impactava nas operações futuras. Atualmente, todos temos um cuidado muito grande em prestigiar todas as forças envolvidas nas ações e apreensões. Nenhum de nós é tão bom, quanto todos nós juntos. Esse é nosso lema no Programa Vigia. 

 
 

Felpuda


Questão de família acabou descambando para o lado da política, e a confusão já é do conhecimento público. 

A queda de braço tem como foco a troca de apoio político que, de um, foi para outro. Sem contar as ameaças de denúncia da figura central do imbróglio. 

A continuar assim, há quem diga que nenhum dos dois candidatos a vereador envolvidos na história conseguirá ser eleito. Barraco é pouco!