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DEPOIMENTO

Guarda municipal não se entregou porque esperou salário para depositar para a filha

Valtenir afirmou que não tinha plano de cometer os assassinatos
06/03/2020 18:29 - Bruna Aquino, Fábio Oruê


Defesa do guarda municipal Valtenir Pereira da Silva alegou que o suspeito só se apresentou às autoridades seis dias depois do crime porque estava esperando receber seu salário para depositar uma quantia para um tratamento que sua filha faz. Ele matou a ex-namorada Maxelline da Silva dos Santos e Steferson Batista de Souza, além de ferir a amiga Kamila Teles Bispo, esposa de Steferson, no último domingo, em Campo Grande.

Segundo o advogado Wagner Batista de Souza, o guarda tem uma filha com problemas de saúde - não foi informado qual - e precisava enviar uma espécie de pensão. “Ele estava com medo de se entregar [...] Ele esperou cair o salário, que foi ontem, para poder depositar o dinheiro; ele disse que não aguentava mais ficar fugindo”, contou.

Valtenir entrou em contato com o profissional para combinar a apresentação à polícia e que queria que fosse às 8h15 desta sexta-feira. O ponto de encontro marcado entre os dois foi o estacionamento do Hospital Regional Rosa Pedrossian, no Bairro Aero Rancho, mesma região em que houve a operação policial, na manhã de ontem, para encontrá-lo, após denúncias anônimas. 

Então, o guarda e o advogado procuraram a base da corporação em que ele trabalhava, ainda no Aero Rancho, para se entregar. Posteriormente, ele foi encaminhado pelos próprios ‘parceiros de farda’ para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

 
 

DEPOIMENTO

Segundo informou a delegada responsável pelas diligências, Sueyli Araújo, ele afirmou, em depoimento, que ficou em estacionamento de mercados e de hospitais, sendo locais que ele poderia tomar banho, se alimentar e dormir no carro. Apesar de negar que se encontrou ou se abrigou com familiares, a polícia acredita que isto aconteceu. 

“Inclusive na residência, onde foram apreendidos objetos pessoais dele, ele fala que morou ali sim, mas depois do crime não voltou para lá, mas diverge com outros pontos da investigação, que a gente tem certeza que ele esteve ali sim”, explicou a delegada da Deam. 

A residência em citada por Araújo foi alvo, na manhã de ontem (5), de operação de equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), além de policiais à paisana e um helicóptero para tentar prender o autor do duplo homicídio.

De acordo com denúncia anônima, Valtenir estava na casa de um primo, na região do bairro Aero Rancho. Nas buscas pela residência foram apreendidos uniformes da Guarda Municipal, a carteira funcional do autor e outros pertences pessoais. A polícia acredita que ele fugiu momentos antes da chegada deles. 

 
 

DETALHES DO RELACIONAMENTO

Conforme ele afirmou à delegada, o ex-casal estava tentando reatar o relacionamento e inclusive passaram o carnaval juntos, mas sem que a família e as amizades de Maxelline soubessem, já que não apoiavam a volta.  

“Eles moravam juntos e dividiam as contas da casa; estavam em uma união estável de uns sete meses”, revelou a delegada. 

No sábado que antecedeu o crime, eles haviam almoçado juntos e a professora viu uma mensagem da ex-mulher no celular de Valtenir, o que teria motivado um desentendimento. Ele, que também é motorista por aplicativo, decidiu procurar a moça na casa de Kamila durante a noite porque queria se entender com ela e sabia que aconteceria o churrasco.

“Ele disse que não tinha intenção nenhuma de matar; queria apenas conversar”, disse a delegada. Eles conversaram por 40 minutos e que Kamila, por não saber que eles estavam reatando, estava preocupada indo a todo momento conferir como estava a conversa. 

Em certo momento, começou uma discussão entre os três quando Kamila tentou levar Maxelline para dentro da residência. Nessa hora Steferson saiu de dentro da casa e tentou separar os três que estavam brigando. Conforme relatado no depoimento, ele ficou com medo do homem, que “era maior que ele”, e efetivou o primeiro disparo direto no peito. 

“Ele disse que com tudo que aconteceu, perdeu o controle, atirou na Kamila e depois na cabeça da Maxelline. Depois ele fugiu do local e enterrou a arma no terreno baldio no Aero Rancho”, disse Araújo. 

 
 

REINCIDENTE E COM POSSE DE ARMA

O guarda é reincidente em crimes contra a mulher, segundo informou a polícia. Em 2014 ele ameaçou e agrediu uma outra ex-namorada, novamente porque não aceitava o término do relacionamento.

A Guarda Civil Municipal não foi informada sobre este caso, e consequentemente o mesmo não foi afastado e manteve o cargo e o porte de arma. 

Segundo o secretário de segurança do município, Valério Azambuja, em nenhum momento o guarda entrou em contato com a corporação durante a fuga e que ele terá punição administrativa. Além disso informou que dentro de 60 dias este processo vai para mesa do prefeito Marcos Trad (PSD) e “possivelmente pode ser demitido da guarda”. 

Ele foi encaminhado para o Centro de Triagem e permanecerá preso. 

 

Felpuda


Embora embalada por vários “ex”, pré-candidatura a prefeito de esforçada figura não deslancha. É claro que ninguém ousa falar em voz alta que o apoio, em vez de alavancar os índices com o eleitorado, está é puxando para baixo. Uns dizem que o título do filme “Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado” retrata bem a situação. Outros complementam: “... na primavera, no outono, no inverno...”. Como diria vovó: “Aqui você planta, aqui você colhe!”.