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MORTO A TIROS

Na despedida a colega policial, centenas viraram poucos e sentimento é de dor

Policiais de várias forças, como PM, PRF e Guarda Municipal se juntaram aos civis e familiares do investigador
10/06/2020 17:03 - Nyelder Rodrigues


 

A dor era visível a cada lágrima que escorria pelos rostos dos que acompanhavam o enterro de um colega de trabalho. Para alguns ali, era mais que isso. Era uma questão de dignidade, já que Jorge Silva dos Santos, policial civil de 50 anos, não teve sequer tempo para reagir à morte. Casado, sem filhos e investigador desde 2002.

Durante investigação sobre um roubo de joias, Jorginho, como era carinhosamente chamado pelos amigos e familiares, acabou sendo morto por Ozeias Silveira pelas costas. Um tiro na nuca igual ao que vitimou seu companheiro de trabalho Antônio Marcos Roque, de 39 anos. Ozeias estava no banco de trás da viatura, fugiu, mas também foi morto.

O caso mudou a rotina da cidade na noite de terça-feira (10), 'forrada' de policiais pelas ruas em busca do autor dos disparos. Assim foi encontrado Ozeias durante a madrugada e, para a maioria, fechado mais um caso trágico na cidade.

Conversar com amigos de Jorginho era inviável, muitos alegando comoção pelo momento, como o delegado e então chefe do investigador, Reginaldo Salomão. "Me desculpa por não falar e obrigado por compreender", disse, em tom embargado e olhos vermelhos.

Esses mesmos olhos e tom de voz eram facilmente percebidos pelo cemitério Jardim da Paz, onde o Jorginho foi enterrado sob esses mesmos olhares, transitando entre as tristeza e revolta. Era o olhar de toda uma corporação enlutada.

O silêncio dos que não queriam comentar o caso ou falar sobre o dia a dia com Jorginho, ao menos com a imprensa, era compreensível. Quantos as familiares, obviamente, esses eram os que mais sofriam, a ponto de precisarem de auxílio do Corpo de Bombeiros.

Policiais civis, militares, rodoviários, guardas municipais, em peso, levaram o corpo de Jorginho do Centro de Campo Grande para a saída de Sidrolândia, local do sepultamento. A fila de veículos no cortejo foi grande, mas pequena se comparada ao que ficou claro ali ser a dor da perda de um colega, um amigo, um familiar, um policial.

No fim de tudo, não houve retorno. Jorginho foi carregado em seu caixão sob aplausos e um corredor extenso. Ainda foi homenageado por uma salva de tiros. "Era um policial extremamente dedicado e comprometido com o trabalho", explanou o delegado Marcelo Vargas, um dos únicos dispostos a falar sobre Jorge.

 

Felpuda


Entre sussurros, nos bastidores políticos mais fechados, os comentários são que história apregoada por aí teria sido construída para encobrir o que realmente foi engendrado em conversa que resultou em negociata. 

O script foi na base do “você finge que é assim, e nós fingimos que acreditamos”. 

Batido o martelo, a encenação prosseguiu e, conforme o combinado, deverão ser apresentados novos episódios.

Ah, o poder!