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OPERAÇÃO OMERTÁ

Passos disse a conselheiro do Tribunal de Contas que plano para matar promotor é "inadmissível"

Ao procurador-geral de Justiça, conselheiro Jerson Domingos negou envolvimento em plano
18/03/2020 16:40 - Eduardo Miranda


O conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, no fim de fevereiro, foi consultado sobre a existência suposto plano para matar um promotor de Justiça, um delegado de polícia e um defensor público, pelo chefe do Ministério Público Estadual, o procurador-geral de Justiça Paulo Passos. A consulta, conforme Passos, foi protocolar e institucional, e foi deliberada em conjunto entre eles e os procuradores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco).  

“Este PGJ e a Coordenação do Gaeco deliberaram em conjunto, e em respeito ao próprio Tribunal de Contas, estabelecer contato pessoal para esclarecer os fatos”, afirmou o chefe do Ministério Público.  

No encontro, Passos afirmou a Domingos que “é inadmissível qualquer ato que atente à integridade física de membro do Ministério Público ou agente do Estado em razão da sua atuação, uma vez que este PGJ entenderia tal ato como uma ameaça a sua própria integridade”.

Conforme Paulo Passos, no mesmo encontro, Jerson Domingos negou a participação em qualquer um dos fatos imputados a ele.  

A resposta de Passos surgiu depois de o advogado de Jamil Name, David Moura de Olindo, ter insinuado, em entrevista ao site Região News, que o procurador-geral de Justiça Paulo Passos de  ter vazado informações sigilosas da investigação ao conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos, um dos alvos da operação comandada pelo Gaeco.  

“O Jerson me disse há alguns dias, logo depois da audiência de instrução e julgamento (do processo em que Name é acusado de ser mandante do assassinato do estudante Matheus Xavier), que o procurador-geral do Ministério Público Estadual, Dr. Paulo Passos havia chamado ele no Ministério Público Estadual, e relatado que em uma gravação ambiente, em um presídio desses aí, que tinham mencionado o Jerson e uma terceira pessoa. Sei que o Jerson me contou que estavam engedrando a morte de um promotor e de um delegado”, revelou Olindo à equipe de reportagem do Portal Região News, de Sidrolândia.

 
 

PLANO

Um plano para matar um defensor público, identificado como Rodrigo, o promotor de Justiça Thiago de Giulio Freire e também o delegado do Grupo Armado de Repressão a Assaltos e Sequestros (Garras) Fábio Peró e a família dele foi o que motivou a segunda fase da Operação Omertá.  

Um bilhete escrito por um presidiário da penitenciária federal de Mossoró, que ouviu diálogos entre Jamil Name e Jamil Name Filho, presos na mesma penitenciária, denunciou o plano. O bilhete, escrito em folhas de papel higiênico, ainda denuncia que o guarda municipal Marcelo Rios, receberia R$ 100 mil para assumir os crimes atribuídos a Jamil Name e Jamil Name Filho.  

Rios também está preso em Mossoró (RN). O guarda municipal foi o primeiro do grupo a ir para atrás das grades. Em maio do ano passado, foi flagrado em uma casa do Bairro Monte Líbano, em Campo Grande, com um arsenal dentro de um baú. Até mesmo fuzis AK-47 foram apreendidos.

Uma mulher identificada como Cíntia e um homem identificado no bilhete como Jerson, seriam os responsáveis para levar o plano adiante, conforme o bilhete. Antônio Olindo, e outro advogado, o ex-delegado Adailton Raulino, seriam os mensageiros.  

Na operação desencadeada no dia 17, foram cumpridos mandados contra Olindo, Adailton, Jerson Domingos e também em endereço da irmã de Jerson e esposa de Jamil Name, Tereza Name.

 
Alvo da operação Omertá,, que apura plano para matar autoridades, advogado David Olindo disse que conselheiro do TCE já sabia da investigação - Reprodução Facebook Região News
 

Felpuda


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