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ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Polícia Federal descobre “tropa” do PCC atuando na fronteira de Mato Grosso do Sul

Relatório foi feito depois que documentos foram encontrados durante a Operação Exílio
27/01/2021 09:00 - Daiany Albuquerque, Thais Libni


Um "quartel-general", 174 criminosos foi organizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre as cidades de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero na fronteira do Brasil com o Paraguai foi descoberto pela Polícia Federal (PF), conforme apurado pelo portal de notícias da UOL.  

Foi durante a Operação Exílio realizada pela PF em 25 de junho de 2020 para desarticular integrantes da organização no Paraguai, que foi obtido o número de envolvidos com PCC na fronteira dos países.  

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Durante o cumprimento dos 10 mandados de busca e apreensão conduzido pelos agentes federais, sendo nove em Ponta Porã e um em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.  

Um aparelho celular foi apreendido durante as operações em Ponta Porã com Edimar da Silva Santana de 37 anos, conhecido por Arqueiro, um dos presos na operação, apontado como traficante de drogas e armas.  

No dispositivo havia um arquivo denominado "Levantamento dos Irmãos no Paraguai". Segundo a PF, trata-se de um cadastro com os nomes de 174 integrantes do PCC que se encontravam na fronteira.

O arquivo mostra como primeiro da lista Giovanni Barbosa da Silva, vulgo Coringa, preso durante os desdobramentos da Operação Exílio, no último dia 9 em Pedro Juan Caballero.  

O delegado da Policia Federal e coordenador-geral de Repressão à Droga e Facções Criminosas, Elvis Secco, disse a reportagem que a PF ainda não tem a informação sobre a divisão por estado de cada um dos 174 criminosos do PCC no Paraguai.  

No entanto os policias deduzem que os criminosos sejam de São Paulo, seguindo os quatros primeiros nomes apontados no arquivo. 

Coringa também conhecido por Bonitão, Arqueiro, da Baixada Santista, Jhony da capital paulista e Japa de Araçatuba, município do interior do Estado de São Paulo.  

Ainda de acordo com as informações obtidas pelo UOL, a lista arquivada no aparelho celular continha nome de todos os integrantes atuantes, informações do lugar de origem, e função de cada um na organização.

Coringa era o principal nome da facção paulista no Paraguai. Após sua prisão uma onda de violência foi registrada na fronteira, e ao menos 40 criminosos armados de fuzis e pistolas tentaram resgatá-lo, durante o confronto dos criminosos com a polícia oito indivíduos foram mortos.  

Coringa foi expulso do Paraguai por determinação do presidente Mario Abdo Benítez e está recolhido na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR).

LÍDERES

Um dos membros citados no documento era Giovanni Barbosa da Silva, conhecido como Bonitão do PCC ou Coringa. Ele era um dos líderes da facção criminosa na região e foi preso no dia 9 deste mês, em Pedro Juan Caballero, e extraditado para o Brasil no dia 10.

Após a prisão, enquanto ainda estava no Paraguai, um grupo de cerca de 40 criminosos armados com fuzis atacou a sede da polícia paraguaia, na tentativa de resgatar o líder. Duas pessoas foram presas após o ataque, que durou cerca de 30 minutos. 

Silva não conseguiu ser resgatado e foi entregue às autoridades brasileiras no dia seguinte, na cidade de Foz do Iguaçu (PR).

Um dia depois do ataque, um confronto entre policiais civis e suspeitos de participarem da ação terminou com oito mortos em Ponta Porã, todos os óbitos seriam de integrantes do PCC.

O confronto ocorreu no dia 11 deste mês, entre policiais do Setor de Investigações Policiais (SIG) de Ponta Porã e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestro (Garras) e o grupo de suspeitos.

Segundo a polícia, com informações do local onde o grupo se reunia e guardava armamento, os policiais passaram a monitorar a região. Em rondas no Bairro Julia Cardinal, próximo à Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), os militares encontraram uma casa com intensa movimentação de pessoas armadas e membros de facções.

Ainda de acordo com a polícia, as equipes entraram no local e foram recebidos a tiros e houve intensa troca de disparos. Seis integrantes do PCC foram baleados no local e dois conseguiram fugir. Os policiais socorreram os feridos e chegaram a encaminhá-los ao Hospital Regional de Ponta Porã, mas todos morreram.

Depois disso, o confronto se deu nas ruas. Após a fuga, os agentes iniciaram a perseguição e conseguiram localizar os desertores. Houve nova troca de tiros, e os últimos dois integrantes do PCC foram atingidos e não resistiram.

Por causa de risco de novas tentativas de resgate, no dia 13, a Justiça Federal de Ponta Porã determinou a transferência emergencial de Giovanni Barbosa da Silva para uma penitenciária federal. 

A decisão de transferência para o sistema penitenciário federal atendeu ao pedido do Ministério Público Federal, que se baseou na importância de Giovanni entre os membros do PCC e no histórico de tentativas de resgate dos líderes da facção. O local de custódia do criminoso é mantido sob sigilo.

POLO DO PCC

Há tempos que Mato Grosso do Sul tem se tornado um polo importante para o PCC. Inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual de São Paulo de 2018 já apontava o crescimento da organização criminosa no Estado.

Mato Grosso do Sul, considerado posição estratégica pela alta cúpula da facção e um dos pontos cruciais de conflitos com quadrilhas rivais, como o Comando Vermelho, tinha, naquele ano, cerca de 2,5 mil dos quase 20,4 mil integrantes rastreados do PCC em todo o Brasil, exceto São Paulo, local de origem do grupo, que tinha mais de 10 mil integrantes ativos.

SEGURANÇA

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso do Sul (Sejusp) para comentar o relatório e saber se ações serão tomadas para reforçar a segurança na fronteira, mas até o fechamento desta matéria nenhuma resposta foi dada pela Pasta.

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