TRIBUNAL DO CRIME

Réu muda depoimento em juízo e afirma que matou para vingar morte de primo

Esquema de segurança foi reforçado no Fórum devido a periculosidade
12/02/2020 16:38 - Fábio Oruê


Primeiro réu a ser ouvido no julgamento pelo homicídio de John Hudson dos Santos Marques - o “John John” -, de 27 anos, em fevereiro de 2018, Gabriel Rondon da Silva - o “Biel” - negou em juízo fazer parte do Primeiro Comando da Capital (PCC) e desconhecer que a vítima fizesse parte da facção Comando Vermelho (CV). 

Segundo disse o réu ao juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande,  ele participou da execução de John John porque a vítima havia participado do homicídio de um primo “mais ou menos um ano antes” do crime julgado, em 2016. Além disso ele afirmou ter sido coagido por policiais durante as investigações para falar que pertencia ao PCC e que John teria passado pelo tribunal do crime da facção criminosa por fazer parte da facção rival. 

Conforme apontam as oitivas da Polícia Civil, o rapaz foi sequestrado, questionado sobre envolvimento com o CV, e mantido em cárcere privado em um barraco localizado no Jardim Canguru, até a data do julgamento paralelo realizado pelo tribunal do crime, através de videoconferência com chefes. A sentença foi morte por decapitação. 

 
 

Contrariando seu depoimento inicial e a polícia, “Biel” disse que foram até a casa de John - depois de sair de uma festa de carnaval nas proximidades da Orla Morena, onde estavam bebendo - para comprar drogas. “Cocaína e maconha”, segundo ele, que estava com Maikon Ferreira dos Santos, de 30 anos, e Elionai Oliveira Emiliano, de 24. 

Da casa, conforme relatou Biel, todos os quatro foram até uma conveniência onde continuaram bebendo e consumindo drogas, onde John começou a relatar sobre o suposto assassinato do primo do réu. Saindo do local, os três suspeitos enganaram a vítima dizendo que iam levar ela até em casa, mas o levaram para uma estrada vicinal em Terenos, onde John John, que não foi acusado judicialmente pelo assassinato ocorrido em 2016, foi morto.

Biel confessou que deu o tiro na vítima com seu revólver calibre. 38 e que Eleonai o decapitou. Ao ser questionado sobre a foto da cabeça, o réu primeiramente ficou em silêncio e disse que após atirar entrou no carro. Eleonai decapitou e por exclusão só sobrou Maikon. 

No conhecido tribunal do crime do PCC, é comum documentar as execuções para comprová-las aos “chefões” da facção. Neste caso, a família recebeu a foto tirada de John, por uma vizinha que tem o marido preso em um presídio, segundo consta nos autos do processo. 

 
 

SEGUNDO DEPOIMENTO 

Logo após Gabriel falar, Maykon foi ouvido pelo júri. Ele negou qualquer envolvimento com o crime, mas confirmou conhecer “Biel” desde a infância. Ele alegou primeiramente participar da ação para proteger o irmão, Mackson Ferreira dos Santos - julgado e absolvido em novembro do ano passado, por ter cedido, em troca de drogas, a casa para o tribunal ser realizado. 

Ainda precisam ser ouvidos Tiago Rodrigues de Souza, de 37 anos, Elionai Oliveira Emiliano, 24, e Leonardo Caio dos Santos Costa, 31. Outro acusado de envolvimento no crime, Wellington Felipe dos Santos Silva, foi julgado com Mackson e condenado a 17 anos e 10 meses. 

 
 

SEGURANÇA REFORÇADA 

A Polícia Militar e o Batalhão de Choque estão no Fórum para fazer reforçar a segurança do local, devido à periculosidade dos acusados. Em virtude do grande número de réus, o julgamento deve se encerrar somente amanhã pela parte da tarde e exigirá a pernoite dos jurados em um hotel reservado pelo Tribunal de Justiça, permanecendo incomunicáveis durante o período de julgamento.

 
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Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".