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NÃO FOI AFASTADO

Tenente que agrediu mulher algemada é transferido para Campo Grande por "inconveniência"

Andre Luiz Leonel Andrea era comandante da Polícia Militar em Bodoquena, município próximo de Bonito, onde aconteceram as agressões
24/11/2020 13:23 - Gabrielle Tavares


O policial militar denunciado por espancar uma mulher algemada dentro do quartel militar do município de Bonito foi transferido para Campo Grande. A portaria foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (24).

A ordem foi assinada pelo comandante da PMMS, Marcos Paulo Gimenez, com justificativa de “inconveniência da permanência” no 3º Pelotão da PM em Bodoquena, onde Andre Luiz Leonel Andrea exercia o cargo de 2º Tenente.

Lotado para o Batalhão da Polícia Militar de Guarda e Escolta (BPMGdaE) e para a Central de Processamento Eletrônico de Feitos Judiciais (CPE), Andrea fará serviços administrativos e de guarda e escolta.

A transferência acontece um dia após a ordem de afastamento imediato publicada pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB).  

A nota assinada por Azambuja, diz que “ainda que tenha havido ocorrência de desacato e agressões aos policiais, são inadmissíveis a violência extrema e a conduta empregada na ação policial nestes casos”.

 
 

As agressões, que aconteceram no final de setembro, foram filmadas pelo circuito interno do local e divulgadas somente no último sábado (21).

Em entrevista para o Correio do Estado na segunda-feira (23), a vítima, que preferiu não se identificar, relatou alívio ao saber da ordem de afastamento do governador.

“Eu fico feliz porque não vai ter mais pessoas para sofrer na mão dele. Depois do que aconteceu comigo, aconteceu com outras pessoas também, então não sou só eu a vítima. Ele está acostumado a usar o poder dele como polícia para desferir a raiva e o despreparo que ele tem, então ele não teria honra de vestir a farda ainda mais porque se diz proteger”.

A mulher foi presa após confusão em um restaurante na frente da pousada onde estava hospedada em Bonito. Ela discutiu com a dona do estabelecimento após a demora em um pedido, que era para sua filha autista de 3 anos.

A proprietária chamou a polícia e a mulher foi presa. Ela disse que as agressões físicas e verbais começaram ainda no camburão e que foi impedida pelo tenente de ligar para seu marido e que teve seu celular quebrado.

A Constituição Federal garante sem seu artigo 5º, LXII, que “a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada”.

Nos fatos narrados pela vítima, seu marido só ficou sabendo do ocorrido quando acionado pela filha mais velha, que ligou para ele do abrigo do Conselho Tutelar, onde foi levada com os irmãos pelos policiais.

Com a violência comprovada pelas imagens, a mulher ficou com hematomas no peito, nas costas, no braço. Ela relatou sentir dores até hoje, dois meses depois, por causa dos chutes do policial.  

“Ninguém me bateu a não ser o Leonel, ninguém encostou em mim a não ser o Leonel. Ele que a todo momento me espancou, nem me bateu, me espancou. Foram os piores momentos da minha vida”.

Assista o vídeo:

 
Agressões aconteceram no dia 26 de setembro - Reprodução