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PAGADOR DE PROMESSAS

Viagem Santa: traficantes enganavam passageiros e transportavam drogas junto com fiéis

Traficantes diziam que a viagem para Aparecida era custeada por um “pagador de promessas”. Mas os fiéis estavam viajando com malotes de maconha e cocaína
21/01/2021 11:03 - Gabrielle Tavares


A Polícia Federal deflagou operação na manhã desta quinta-feira (21) contra organização criminosa que transportava fiéis de Dourados para Aparecida (SP) junto com tabletes de maconha e cocaína.

Para a polícia e para os passageiros, traficantes diziam que a viagem para Aparecida era custeada por um “pagador de promessas”. Desse modo, transporte, hospedagem e alimentação eram custeados pelo religioso e os passageiros não precisavam arcar com os custos da viagem.

O que os fiéis não sabiam era que, na verdade, estavam viajando junto com malotes de maconha e cocaína e que toda as despesas eram pagas com o dinheiro do tráfico. A PF batizou a operação como “Viagem Santa”.

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Os agentes sequestraram e bloquearam mais de R$ 10 milhões em imóveis e bens materiais da organização criminosa e de valores depositados em contas bancárias dos investigados. Os ônibus usados nas viagens também foram apreendidos, os 12 veículos foram avaliados em mais de R$ 11 milhões de reais.

Os 86 policiais federais e servidores da Receita Federal cumprem 10 mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão nos municípios de Dourados e Deodápolis. Ao todo foram cumpridas 44 ordens judiciais. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal da Cidade de Durados.

Os policiais federais só conseguiram descobrir a organização depois que apreenderam em 2019, com o apoio da Polícia Rodoviária, um ônibus de turismo mais de meia tonelada de cocaína transportada em um compartimento oculto de tal veículo de transporte de passageiros.

Depois que as investigações começaram, os servidores ainda conseguiram localizar outros dois veículos com destino a São Paulo capital, com quase 400 quilos de maconha. Todas as empresas envolvidas nas apreensões são sediadas na cidade de Dourados.

Nas oportunidades em que ocorreram as apreensões, apenas os motoristas de tais veículos foram responsabilizados pelo transporte da droga.

A organização criminosa montou ainda uma rede de empresas de fachada para lavar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas, além de empresas de transporte de passageiros, cujos veículos eram utilizados para transportar a droga.

O grupo era dividido em três núcleos, um era responsável pela logística de carregamento e transporte da droga; outro pelo agenciamento das viagens e pelo recrutamento dos passageiros e o outro pela lavagem de dinheiro.

“Em razão da situação de pandemia da Covid-19, foi planejada uma logística especial de prevenção ao contágio, com distribuição de EPIs a todos os envolvidos na missão, a fim de preservar a saúde dos policiais, testemunhas, investigados e seus familiares”, acrescentou a Polícia Federal.

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