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POLÍCIA

Vizinho de Carla confessa, mas diz não lembrar do crime

Ele escondeu o corpo da vítima embaixo de sua cama e continuou rotina normalmente
15/07/2020 13:00 - Gabrielle Tavares


O homem de 21 anos, que confessou ter matado Carla Santana Magalhães, 25, alegou não se recordar de ter cometido o crime. 

Segundo ele, que era vizinho da vítima, teve um apagão de memória. 

Ele foi descrito como um sujeito tranquilo, que não levantava suspeitas. Suspeito foi preso na noite se segunda-feira (13) e vai responder por feminicídio.  

“Ele diz que estava na frente da casa dele, que é ao lado da casa da vítima, bebendo e viu ela passando pela rua. Depois disso teve um apagão na memória e a próxima imagem da qual ele se lembra já é do dia seguinte, na quarta-feira, ele acorda e ela está no chão do quarto dele, morta, com vários cortes no pescoço”, explicou o delegado da Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios (DEH), Carlos Delano.

Depois dele ter acordado e visto o corpo, ele o escondeu embaixo de sua cama e continuou com sua rotina normalmente, indo e voltando do trabalho de servente de pedreiro. 

Segundo o delegado, ele também não se lembra de ter retirado o cadáver dela da residência.

“Mas é possível deduzir que a mesma facilidade que ele teve de pegar a vítima e a levar, em poucos segundos para dentro da sua casa, também pode ter tido para levar o corpo até a varanda onde foi encontrado”, acrescentou Delano.

 
 

Arma do crime

O delegado ainda afirmou que mesmo o acusado não se recordando de cometer o crime, confessou sua culpa. “Perguntei o que ele sentiu quando ele viu o corpo lá e ele disse: ‘fiquei arrependido. Mesmo eu não lembrando só pode ter sido eu, porque ninguém entrou na minha casa’”, disse Delano.

O único momento em que o homem se lembra da noite em que o crime aconteceu é de quando ele jogou uma faca embaixo da cama. 

O objeto, de 35 a 40 centímetros, foi encontrado pela polícia e é a principal suspeita de ter sido a arma do crime. 

 

Carla não respondeu ao “bom dia”

O único contato em que vítima e acusado tiveram nos dias que antecederam o crime, segundo a DEH, foi em um dia que o homem estava voltando do trabalho, com roupas de servente, e cruzou com Carla. 

O suspeito teria cumprimentado a jovem, dando bom dia, o qual ela não teria respondido. 

Ele disse que isso o fez se sentir diminuído, mas relatou em depoimento que a raiva que sentiu na hora do ocorrido já havia passado.  

“Ele disse que era um acontecimento irrelevante, mas consideramos importante para o caso.

Mas a princípio não dá para saber se isso é verdade, ou se a atitude da Carla realmente foi essa”, ressaltou o responsável pelo caso.

 
 

Perícia  

Policiais fizeram exames periciais na terça-feira (14) na casa do suspeito, onde foi localizado através do luminol, diversas áreas com sangue oculto. 

Segundo Delano, foi possível analisar que o corpo de Carla foi arrastado pela residência do sujeito.  

“Ali houve algo que confirma a confissão, mas não dá todos os detalhes sequencialmente, em uma linha temporal, sobre o que aconteceu. Mas temos a confissão dele que é confirmada pelos elementos objetivos coletados principalmente no exame de luminol coletado ontem”, relatou o delegado.

As roupas de Carla não foram encontradas. O sangue presente no lençol apreendido ainda vai ser examinado pela perícia, para analisar se de fato é da jovem. 

O caso ainda está em aberto, e a polícia vai investigar os detalhes que aconteceram na noite, assim como se ele realmente agiu sozinho. 

Delano disse que acha improvável envolvimento do suspeito com facções criminosas, mas não descarta a linha de investigação.

“Estamos tratando como feminicídio, porque se trata de uma prática direcionada a mulher por um desvalor à condição feminina. 

Pode responder por ocultação de cadáver”, concluiu Delano.

 
 

“Tranquilo, recluso e de poucos amigos”

Assim é descrito o homem de 21 anos que confessou ter matado Carla Santana. O servente de pedreiro já tinha conversado com a polícia antes de o corpo da vítima ser encontrado, quando ainda estava embaixo de sua cama.  

“Era considerado sim que alguém ali da mesma rua, das redondezas pudesse ter praticado. Ele chegou a ser entrevistado pela polícia, apesar de não ser naquele momento a linha de investigação mais forte. A maneira dele de conversar com a gente no primeiro momento não levantou nenhuma suspeita, não tinha nenhuma evidência que apontava o envolvimento dele naquele momento”, comentou o delegado.  

De acordo com a DEH, o homem não é usuário de drogas, mas consome, em grande quantidade, bebidas alcoólicas. 

O único antecedente criminal que ele tem é por ter plantado pés de maconha no seu quintal em Bela Vista, onde morava quando adolescente. 

 

Felpuda


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