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ENTREVISTA: “O (a) vice será o melhor nome possível para a cidade dentro da conjuntura política”, diz Marcos Trad

Prefeito da Capital concedeu entrevista exclusiva ao Correio do Estado
08/06/2020 05:30 - Yarima Mecchi


 

No último ano de seu mandato como prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD) ainda não escolheu o nome que deve compor sua chapa na campanha de reeleição. No meio político, é esperado quem poderá ser o próximo ou a próxima vice no Paço Municipal. Em entrevista exclusiva para os assinantes do Correio do Estado, o chefe do Executivo afirma que vai escolher o melhor para a cidade. “O (a) vice será o melhor nome possível para a cidade dentro da conjuntura política”. 

Além de falar sobre a campanha de reeleição, Marcos Trad fez uma avaliação dos três primeiros anos de seu mandato e ressaltou que, antes da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), estava com o projeto pronto para a construção do Hospital Municipal da Capital, porém, precisou adiar o plano. O projeto foi orçado em R$ 200 milhões e já tinha terreno reservado, na saída para Três Lagoas, em uma das entradas do Parque dos Poderes.

Sobre a crise do Consórcio Guaicurus e uma possível paralisação do serviço, Trad afirmou que não teme nenhum tipo de colapso no serviço público e age dentro das normas contratuais.

Confira a entrevista:

Antes de assumir Campo Grande, você foi vereador e deputado estadual. Como analisa sua trajetória na política? 

Um caminho de constante aprendizado. A política é uma ciência social, mas enraizada nas relações humanas. Não vejo meu percurso como carreira, mas como uma feliz coincidência de vocação e destino, que me impõe o dever de estar em constante aprimoramento para enfrentar e superar os constantes desafios da atividade pública. 

Você pretende disputar a reeleição e muitos dos pré-candidatos ao Executivo da Capital ainda não tiveram nenhum cargo eletivo. Na sua visão, é importante ter passado pelo Legislativo antes de concorrer ao Executivo?

Não me parece ser um requisito essencial, mas agrega valor, desde que, obviamente, se tenha a capacidade de aprender com esta experiência. O Legislativo é uma escola política por excelência, já que as deliberações decorrem da convivência com a pluralidade, essência da democracia. Devo aos anos de legislativo a força que me faz respeitar e ouvir quem pensa diferente de mim. Isso, sim, é essencial. 

Campo Grande tem crescido cada vez mais e, com isso, vêm os obstáculos de toda cidade populosa. Como preparar a Capital para absorver as demandas que possam vir no futuro? 

Planejando e executando. Planejar para não padecer de gigantismo com crescimento desordenado e desigual. Executar para sintonizar a cidade com as demandas. Acredito que, com planejamento, o crescimento se alinha ao conceito de harmonia e funcionalidade dos espaços públicos. Não há crescimento com bolsões de pobreza e pessoas desassistidas pelo serviço público. Por isso, a nossa gestão procura se antecipar, prevendo e planejando, e Campo Grande já é uma das melhores capitais do País para se viver.

Vindo de uma família de políticos e com uma trajetória no meio, como avalia as mudanças que estão acontecendo na sociedade? Essa polarização política, os debates inflamados e alguns até antidemocráticos.  

Não venho de uma família de políticos, mas de pessoas que acreditaram na democracia, se prepararam para o debate público e se submeteram ao sistema eleitoral como milhares de outras pessoas. Se diferença houver, destaco o fato de que a semente da vocação tenha brotado mais naturalmente em pessoas da família. E isto não é raro. Exemplos temos aos montes no jornalismo, na música, na medicina, no ministério religioso e em milhares de outras atividades. Neste contexto, confesso que não tenho nenhuma razão para não me orgulhar daqueles que, reverentes às urnas, se dedicam ao debate público e trabalham com devoção à causa pública. A polarização atual é filha daquela que opunha PT e PSDB, só que agravada pelo discurso radical de extremistas amplificado pelas redes sociais. Preocupa-me pelo fato de já constar na agenda política pautas antidemocráticas. Acredito, porém, que vamos superar esta fase sem traumas maiores.

 
 

O seu primeiro mandato como prefeito está se encerrando. Você conseguiu concluir o que desejava? O que ficaria para um segundo mandato? Quais os planos e projetos que não conseguiu executar? 

A cidade é um ser vivo. Pulsa. Não há de se dizer que tenha um fim, mas constantes recomeços para sempre avançar. Qualquer retrospectiva da nossa gestão revelará avanços estruturantes muito significativos em quase todas as áreas. Se isto é o suficiente, afirmo que nunca haverá suficiência para uma cidade com as características de Campo Grande, que tem no seu DNA o código do desenvolvimento. E isto não para. É ad eternum. Neste enfoque, agora, sim, acredito que importa enfatizar que o ritmo e a sequência de ganhos para a cidade estão sendo gerados por uma equipe técnica altamente profissionalizada, que atua em fina sintonia comigo e que ainda tem muito a contribuir para a cidade, até porque foram três anos de esforço para remover os entulhos de erros do passado, mas que agora já nos habilita a pisar fundo no acelerador do crescimento sustentável e socialmente justo. Um que projeto que eu não consegui foi o Hospital Municipal, estava tudo preparado e com a ajuda do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, íamos executar. Quando trocou o ministro chegamos a falar com o Nelson Teich, mas com esse que está agora não conversamos. Tudo está parado em Brasília por conta da pandemia.

Você assumiu a cidade em um momento em que a prefeitura estava em descrédito com o eleitor e em dívidas com bancos, prestadores de serviços, hospitais. Qual foi a sua primeira medida ao saber a realidade que a Capital estava passando? 

Trabalho. Harmonia. Transparência. Não deixamos a cidade sangrar com a política da perseguição aos adversários. Foco direto na resolução dos problemas. E não foram poucos. Superamos todos eles. Nossa gestão não gasta energia com as miudezas da política mesquinha. Acredito que este norte nos impulsionou para um patamar que qualificou até a agenda política da cidade, priorizando o debate e a solução dos principais problemas de Campo Grande. 

Muito se especula sobre seu possível vice-prefeito na chapa que deve concorrer este ano. Você tem algum nome em mente? Como estão as conversas políticas para alinhar a disputa? 

O (a) vice será o melhor nome possível para a cidade dentro da conjuntura política. Isso eu posso garantir. 

Neste momento de pandemia, não se pode fazer pré-campanha, como éramos acostumados, reuniões e encontros não estão sendo realizados. Você considera que está favorecido por estar no cargo de prefeito e conseguir ter trânsito livre para falar com a população?

Se deixar de trabalhar por conta disso, estaria descumprindo meu dever. Aliás, este é o momento em que mais peço a Deus para me dar mais forças para proteger a população. E acredito que estamos sendo abençoados.  

No seu primeiro ano de mandato, você disse que não ia ter Refis todos os anos, mas estamos no último e aconteceu o contrário, em todos os anos o Refis foi realizado. Por que essa medida? Por que essa mudança?  

Porque se mostrou benéfica não só para a cidade, mas para os que precisavam de uma oportunidade para quitar suas dívidas. A conjuntura política e econômica nos impôs esta decisão e, graças a ela, estamos honrando fielmente as obrigações financeiras da municipalidade.  

Na área da saúde, muito se fala sobre a construção de um hospital municipal. É possível que a Capital tenha em breve uma unidade própria de saúde além das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs)? Tem algum projeto? Se sim, para quando? Qual seria o local e a capacidade?  

Estávamos prontos para termos nosso primeiro hospital municipal. Esse coronavírus e as mudanças constantes no comando do Ministério da Saúde nos fizeram adiar para um futuro breve nosso hospital municipal.

O consórcio que administra o transporte coletivo na cidade tem dado declarações de um possível colapso. Como resolver este problema? O campo-grandense precisa se preocupar com a possibilidade de parar o coletivo?

A nossa gestão não se preocupa com nenhum tipo de colapso no serviço público. Agimos dentro dos mais rigorosos padrões de respeito aos contratos para que a segurança jurídica seja prestigiada. Por isso, tudo o que for direito da população nesta relação contratual será incessantemente buscado para que a bilateralidade do contrato não seja apenas uma cláusula formal, mas efetiva realidade.

 

Felpuda


Figurinha está trabalhando intensamente para tentar eleger a esposa como prefeita de município do interior.

Até aí, uma iniciativa elogiável. Uns e outros, porém, têm dito por aí que seria de bom tom ele não ensinar a ela, caso seja eleita, como tentar fraudar folha de frequência de servidores. 

Afinal, assim como ele foi flagrado em conversa a respeito com outro colega, não seria nada recomendável e poderia trazer sérias consequências. Só!