A tranquilidade com que os profissionais falam do presente se converte em preocupação quando tratam do futuro. Sozinho, o tripé macroeconômico não garante um crescimento adequado para um País como o Brasil no longo prazo. “Temos de retomar uma política fiscal mais dura”, afirma, por exemplo, o economista-chefe do Barclays Capital, Marcelo Salomon.
Para ele, o governo brasileiro ganhou uma espécie de licença para gastar nos últimos dois anos por causa das políticas de reação à crise e porque, comparada com vários países (inclusive desenvolvidos), a situação fiscal brasileira é melhor. Mas ele alerta que tal cenário não vai durar para sempre.
Salomon vê outro grande desafio: como equacionar a valorização do real que deve seguir-se ao forte ingresso de divisas no País para bancar os investimentos em infraestrutura dos próximos anos “Podemos manter por alguns anos um déficit em conta corrente alto, desde que os investimentos sejam orientados para financiar a infraestrutura, não o consumo”, afirma.
Os especialistas também criticam a pouca atenção dada, durante a campanha, às reformas que podem aumentar o potencial de crescimento do País. Entre elas, a tributária, a previdenciária e a trabalhista.
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