Projeto piloto em Mato Grosso do Sul abriu possibilidade de votação para detentos que aguardam julgamento no Presídio de Trânsito em Campo Grande. Vinte presos se habilitaram há alguns meses para participar do pleito, mas apenas 13 votaram – os outros sete foram julgados e não estavam mais no local. A votação aconteceu no primeiro horário da manhã na recém-criada seção 485, da 8ª zona eleitoral. No Brasil, as regras eleitorais preveem que os presos em institutos de trânsito têm o direito ao voto, diferentemente daqueles que já integram o sistema prisional, depois de condenados, que não votam.
O estabelecimento penal de trânsito comporta uma média de aproximadamente 400 internos. “Como é a primeira experiência para os presos, tivemos poucos interessados”, analisou Deusdete Souza de Oliveira Filho, diretor da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) no Estado. “A previsão é de que esse número aumente nas próximas eleições. A primeira votação é um laboratório”, completou o secretário estadual de Justiça, Wantuir Jacini.
Depois de se manifestarem voluntariamente, a Agepen teve de viabilizar a documentação para os eleitores encarcerados: título de eleitor e documento com foto. “Grande parte dos detentos não têm documentos, por isso tivemos de providenciá-los”, informou o diretor da Agepen.
Escolha dos candidatos
Não foi permitido propaganda política dentro do presídio. “Fiquei sabendo das propostas dos candidatos assistindo ao horário político da televisão”, disse Everton Melo, 25 anos, que aguarda julgamento há 5 meses por tentativa de homicídio. Outro interno que se habilitou ao voto, Daniel Sória, também de 25 anos, não havia decidido em quais candidatos votaria. “Acho que vou votar em branco, mas mesmo assim acho interessante votar”, disse o rapaz, que está há um ano e cinco meses esperando julgamento por tráfico de drogas.
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