Política

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Manifesto abre guerra entre líderes católicos

Manifesto abre guerra entre líderes católicos

Redação

17/10/2010 - 02h56
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São Paulo

A direção da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não gostou da chancela do Regional Sul 1 — congrega 41 dioceses de São Paulo — ao manifesto, pelo fato de o texto dirigir um apelo “a todos os brasileiros e brasileiras”, quando se deveria restringir aos eleitores paulistas. Segundo a CNBB, quem fala em nome dos bispos em nível nacional é a presidência, a assembleia-geral ou o conselho permanente da entidade. Assim, em relação às eleições, vale a posição tomada na última assembleia realizada em Brasília, em maio, quando o episcopado recomendou aos católicos que votassem em candidatos comprometidos com a defesa da vida, com os valores éticos e com a dignidade humana.
“Foi uma posição coerente com tradição da Igreja, que sempre falou em princípios, sem tomar partido por esse ou aquele candidato”, observou d. Pedro Luiz Stringhini, bispo de Franca. A maioria das dioceses se alinha com essa orientação, conforme lembrou o bispo de Registro, d. José Luiz Bertanha. É essa a posição adotada, por exemplo, pelo cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, pelo arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, e pelo de Belo Horizonte, d. Walmor Oliveira de Azevedo, em entrevistas e artigos na imprensa.
O bispo de Limeira, d. Vilson Dias de Oliveira, responsável pelo setor de comunicação do Regional Sul 1, não gostou de d. Luiz Gonzaga Bergonzini, da diocese de Guarulhos, ter vetado explicitamente a presidenciável Dilma Rousseff e todos os candidatos do PT, porque em sua opinião ele poderia condenar defensores do aborto sem citar nomes.
No caso do apoio do Regional Sul 1 ao apelo da Comissão em Defesa da Vida — em nota assinada por d. Nelson Westrupp, bispo de Santo André (presidente), d. Benedito Beni dos Santos, de Lorena (vice-presidente), e d. Airton José dos Santos, de Mogi das Cruzes (secretário-geral) —, argumenta-se que deveria ter reafirmado a declaração “Votar Bem”, aprovada por todo o episcopado paulista em 29 de junho. O texto apresenta aos eleitores um decálogo com orientações para “participação consciente e responsável no processo eleitoral”.
As divergências levantadas pela nota contra Dilma e sua distribuição à porta de igrejas, sem autorização, como aconteceu na Festa da Padroeira, no Santuário Nacional de Aparecida, no dia 12, foram mais acirradas entre d. Luiz Gonzaga e d. Luiz Demétrio Valentini, de Jales. Os dois trocaram cartas violentas, cujas cópias foram enviadas ao episcopado de São Paulo e a outras dioceses.

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