O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que faça uma convocação à bancada federal de deputados de Santa Catarina e prefeitos das cidades atingidas pelas enchentes de 2008. O objetivo é apurar a aplicação dos cerca de R$ 1,3 bilhão em recursos federais destinados ao Estado devido à catástrofe climática que atingiu, principalmente, a região do vale do rio Itajaí. Lula fez o pedido público nesta quarta-feira, na cidade de Itajaí, durante sua última visita ao Estado como presidente da República. Lula foi ao município catarinense para a inauguração do berço 2, representado pela última fase de reconstrução do cais do Porto de Itajaí, parcialmente destruído por ocasião da enchente há dois anos.
Do volume de recursos, Lula quer apurar a responsabilidade pelo seu verdadeiro destino. "Trata-se de uma obrigação política antes de terminar nosso mandato. Se o dinheiro chegou até eles ou se alguém ficou com o dinheiro no meio do caminho. Vamos apurar cada centavo destinado para este Estado", afirmou para uma plateia de aproximadamente 600 pessoas. Muitos prefeitos das cidades atingidas até hoje questionam o governo federal quanto ao montante prometido e o que foi recebido. "Se a gente tiver culpa, devemos pagar. Mas se a culpa for de alguém por aqui, tem que ter seu nome publicado. Não dá pra ficar brincando de esconde-esconde quando se trata de pessoas que sofreram com as enchentes", afirmou Lula, sugerindo que se faça o mesmo nos Estados de Pernambuco e Alagoas, atingidos este ano por enchentes.
Minuto de silêncio
Antes do pronunciamento, Lula pediu um minuto de silêncio pela morte do senador Romeu Tuma. Lembrou de sua época como militante na greve dos metalúrgicos do ABC nos anos 80, motivo pelo qual foi preso por Tuma e que o então delegado de São Paulo o soltava da cadeia, geralmente à noite, para visitar sua mãe em tratamento de um câncer. Durante seu discurso, Lula não poupou os adversários políticos de Santa Catarina que o criticaram por inaugurar uma obra inacabada na sua última visita ao porto há dois meses. "A obra está ficando pronta no tempo possível. Não adianta fazer um trabalho meia boca e na primeira chuva destruir tudo de novo. São as pessoas do discurso fácil", alfinetou.