No último e mais esperado debate entre os candidatos à Presidência da República, que acontece hoje à noite, na TV Globo, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vão para uma arena cercados por 80 eleitores indecisos e sem poder fazer perguntas um para o outro. As regras estabelecidas pela emissora preveem que apenas os convidados – todos selecionados pelo Ibope e vindos de diferentes estados do País – encaminharão as questões.
Os embates entre Dilma e Serra se limitarão aos comentários. Depois de cada resposta de um candidato, o adversário poderá fazer ponderações sobre o que foi falado. Em seguida, vem a tréplica. Resposta, comentário e tréplica terão dois minutos de duração, cada um. O programa terá três blocos. No último, os candidatos farão suas considerações finais, que também terão dois minutos.
Os eleitores indecisos que participarão do debate tiveram que elaborar cinco perguntas por escrito sobre temas específicos: saúde, educação, meio ambiente, políticas sociais, previdência, investimento em infraestrutura, política econômica, agricultura, saneamento, política externa, corrupção, transportes, desemprego, segurança, habitação, funcionalismo público, impostos, legislação trabalhista e energia. Das 400 questões, serão selecionadas as 12 mais representativas sobre cada tema.
O cenário do debate foi montado de forma que Dilma e Serra possam caminhar pelo estúdio e até se aproximar dos convidados. O sistema, que já foi usado em 2006, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disputaram o segundo turno da eleição, deixa os candidatos mais expostos.
Para o candidato a vice na chapa de Serra, o deputado federal Índio da Costa (DEM), as perguntas encaminhadas por indecisos vai expor melhor as ideias dos candidatos e ajudar os eleitores a se definir.
"A estrutura do debate não nos atrapalha. Quanto mais for esclarecedor o debate e quanto mais a população perguntar para os candidatos o que realmente quer saber, melhor. Porque sai de uma guerra entre um candidato e outro, e o contraste vai para o campo das ideias", argumentou Índio.
O secretário de comunicação do PT, deputado federal André Vargas, também acredita que o sistema estabelecido vai facilitar o eleitor saber o que cada candidato pensa. Ele afirma que a campanha tucana apenas confundiu o eleitor.
"Nós pensamos de um jeito e eles de outro. Nossa opinião sobre privatização e políticas sociais, por exemplo, são completamente diferentes e, no debate, teremos a chance de deixar isso ainda mais ficará claro para o eleitor", explicou Vargas.
A previsão era que Dilma chegasse ao Rio ainda ontem. Ela terá uma agenda leve na cidade ao longo do dia e deverá se concentrar na preparação para o debate. Serra deve chegar na cidade hoje pela manhã. Também terá agenda leve ao longo do dia para se resguardar para o debate.