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Rumo da política externa será desafio político

Rumo da política externa será desafio político

Redação

31/10/2010 - 19h41
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Um dos itens do programa de 13 pontos apresentado pela presidente eleita, Dilma Rousseff, trata de política externa e diz apenas o seguinte: defender a soberania nacional e inserir uma presença ativa e altiva do Brasil no mundo.

A política externa do governo Lula buscou diversificar o relacionamento internacional do Brasil, ampliando o diálogo dentro do hemisfério sul. Mas a aproximação com países que não respeitam a liberdade de expressão, como a Venezuela; ou os direitos humanos, como o Irã, foi alvo de críticas dos partidos de oposição durante todo o governo. Também havia menção ao enfoque dado às relações do Brasil com países do hemisfério sul em detrimento ao relacionamento com países desenvolvidos como os Estados Unidos, com enfoque mais ideológico que financeiro às relações comerciais.

Para o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), integrante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o Brasil deveria condenar esses governos: "Em razão de um certo pragmatismo incompreensível, o governo Lula tem dado respaldo, nos fóruns multilaterais como a ONU, a essas mesmas ditaduras que violam os direitos humanos".

Já o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) afirma que o Brasil tem feito gestões em relação aos direitos humanos no mundo, respeitando a soberania dos países em matéria de política interna. Segundo ele, foi o bom diálogo do governo com os mais diversos países que permitiu ao Brasil sair da crise financeira mais rapidamente: "Como o Lula diversificou os importadores de produtos brasileiros, conseguimos com que o Brasil entrasse na crise de 2008/2009 e saísse dela sem nenhum problema de balança comercial".

Para o professor de Sociologia da USP Glauco Arbix, o Brasil tem sido pragmático em termos de política externa e teria dificuldades se não seguisse essa filosofia: "Nós teríamos uma dificuldade muito grande de desenvolver relações comerciais com uma parte significativa do globo, a começar pela China. Restrições muito fortes em relação à Rússia - não falo somente da Venezuela ou da Bolívia ou do Equador -, há países que são muito delicados. Trabalhar com a ideia de que nós não teríamos que nos aproximar da China hoje é colocar o Brasil de fora do cenário econômico internacional".

A presidente Dilma Rousseff também deve continuar a defender a inclusão do Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

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