O vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB) será o encarregado de abrir as portas do Palácio do Planalto para o governador André Puccinelli (PMDB). Desde que se aliou ao tucano José Serra na corrida presidencial, André ficou sem contato com a sua ex-fada madrinha Dilma Rousseff, e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De aliado, o governador passou a fazer oposição aos dois em Mato Grosso do Sul.
Mesmo com Dilma declarando, no seu primeiro discurso depois de eleita, de não fazer perseguição a adversários políticos, André vai depender do apoio de Temer e dos adversários petistas (deputados e senador) para se reaproximar de Dilma. O senador Delcídio do Amaral (PT) é hoje o maior aliado de André no Estado. Portanto, fará de tudo para ajudá-lo. Mas também não deverá encontrar resistência dos deputados federais reeleitos Vander Loubet (PT) e Antonio Carlos Biffi (PT) para articular na reabertura das portas do Planalto. Biffi é considerado um petista simpático a André. Os dois se dão muito bem até por conta da afinidade política do seu líder no PT, Delcídio, com o governador. Vander já é do grupo do ex-governador José Orcírio dos Santos, rival da corrente do senador. Mas não pretende atrapalhar o governador.
A avaliação de Vander é que as eleições se encerraram no dia 3 de outubro e o momento é dos políticos se unirem por Mato Grosso do Sul, sem ferir a independência do PT e de outros partidos de fazer oposição ao governador reeleito.
Outra arma de André será o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), que foi o primeiro peemedebista de Mato Grosso do Sul a declarar apoio a Dilma. Isso aconteceu quando a ex-ministra-chefe da Casa Civil ainda estava em baixa nas pesquisas eleitorais.
Com esta atitude, Nelsinho é hoje o político do PMDB de Mato Grosso do Sul que mais terá proximidade com Dilma. Os dois se falam sempre pelo telefone. O que não acontece com o senador eleito Waldemir Moka (PMDB), que nunca gostou do PT e nem faz questão de fazer entendimento político. Se depender exclusivamente de sua vontade, ficaria na oposição à presidente eleita.
O PMDB, no entanto, seu partido, é o principal aliado nacional do PT e os dois formarão a base de sustentação política de Dilma no Congresso Nacional. Por causa de seu perfil, Moka poderia se juntar a Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcellos (PE), que são dissidentes do PMDB e opositores ferrenhos do presidente Lula. E não será diferente na administração de Dilma. O que pode acontecer é Moka ser forçado a mudar de posição e integrar a base de apoio da presidente eleita para não prejudicar a administração de André Puccinelli.
Mesmo sendo oposição a Dilma na campanha presidencial, o governador André Puccinelli não pretende continuar combatendo-a. Ele já deixou bem claro que não ficou com Serra porque quis; foi por circunstâncias políticas. Não dava para apoiá-la tendo o ex-governador José Orcírio dos Santos no ataque à sua candidatura a reeleição em Mato Grosso do Sul. A ideia era montar dois palanques para Dilma no Estado. André foi veementemente contra, porque poderia levar a pior na campanha eleitoral.
Outra questão que levou André a ficar com Serra foi para impedir uma terceira via na disputa da sucessão estadual. A senadora Marisa Serra (PSDB) estava se preparando para concorrer ao Governo do Estado não por desejo próprio, mas para garantir palanque a Serra em Mato Grosso do Sul. A candidatura de Marisa poderia atrapalhar o projeto de André de ser reeleito no primeiro turno, além de correr o risco de perder as eleições enfrentando dois rivais de peso eleitoral.
Era um risco que André não desejava correr. Ele sabia muito bem dos efeitos de Marisa colar a sua candidatura em Serra para conquistar votos. Neste caso, o governador não teria um palanque presidencial, porque a Dilma estaria vinculada à candidatura de José Orcírio.
Relações institucionais
Com o fim das eleições, André pretende reatar as relações com Dilma para não prejudicar a execução de seus projetos de obras no Estado. O desejo dele é ser o melhor governador da história de Mato Grosso do Sul. Para isto, vai precisar de esforço e sacrifício de aliados políticos.
É o caso do senador eleito Waldemir Moka. Ele até pode não gostar e ser contra Dilma. Mas o governador precisa do apoio dele a Dilma no Senado para ajudar na reabertura das portas do Planalto. E a futura presidente não vai criar obstáculo à adesão de Moka, porque não pretende passar pelo mesmo sufoco do presidente Lula no Senado, onde sofreu duras derrotas por falta de uma base política sólida.
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