Figura central da Operação Uragano da Polícia Federal, o jornalista Eleandro Passaia abriu a temporada de interrogatórios na 1ª Vara Criminal de Dourados e foi saravaido por dez advogados de defesa, que tentaram desqualificar as afirmações e gravações feitas por ele com orientação da PF.
Além de responder à juíza Dileta Terezinha de Souza Thomaz, Passaia foi sabatinado pela defesa da primeira dama Maria Aparecida de Freitas Artuzi, dos ex-secretários municipais Maria Ignes Boschetti Medeiros (Finanças), Tatiane Moreno (Administração), Alziro Arnal Moreno (Procuradoria-Geral do Município) e Dilson Cândido de Sá (Obras e Planejamento) e de vereadores.
Nenhum advogado do prefeito afastado Ari Artuzi (sem partido) participou porque ele tem foro privilegiado e só pode ser processado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS).
"O que eu posso dizer é que eles (os advogados) trabalharam no sentido de invalidar as provas, ficaram me sabatinando para que eu tropeçasse nas palavras. Em alguns momentos chegamos a discutir porque eles tentavam evitar que eu concluísse meu raciocínio, mas em nenhum momento eu vacilei e confirmei tudo o que já havia dito para a Polícia Federal", relatou Passaia à reportagem.
O jornalista afirmou que alguns advogados questionaram, por exemplo, o fato de ele ter procurado a Polícia Federal e não a Polícia Civil para fazer as denúncias. Quiseram saber também qual foi a orientação da PF sobre o pagamento das propinas aos acusados. "Eu disse que eles estavam errados e que a Polícia Federal só me orientava sobre as gravações, quem me orientava sobre os pagamentos era o Ari Artuzi. Sobre o fato de ter procurado a Federal é porque a Polícia Civil embora tenha policiais sérios, seu comando é subordinado à forças políticas do Estado.", disse.
Eleando Passaia classificou o interrogatório como tenso. Além da juíza e dos dez advogados de defesa dos acusados, ainda acompanharam o depoimento os promotores de justiça Paulo César Zeni, Cláudia Loureiro Almirão Ocariz e Amilcar Araújo Carneiro Júnior. A audiência foi realizada na terça-feira (16), a portas fechadas, devido ao segredo de justiça.
O jornalista era secretário de Governo da gestão de Ari Artuzi e delatou o esquema de corrupção na Prefeitura de Dourados. A denúncia resultou na investigação da Operação Uragano, levando 29 pessoas à prisão, entre elas o prefeito Ari Artuzi (sem partido), o vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), nove vereadores, ex-secretários municipais, servidores públicos e empresários.
Passaia chegou ao Fórum, para a audiência, em um carro da Polícia Federal, acompanhado do delegado Bráulio César Galloni, que também prestou depoimento como testemunha de acusação. "Estou tranqüilo e do lado da verdade, por isso, não cedi às pressões, finalizou.