Uma fonte próxima à presidente eleita, Dilma Rousseff, afirmou ontem que ela deve anunciar na próxima semana os nomes dos chamados “ministros palacianos”. O cronograma esboçado por Dilma previa, inicialmente, o anúncio da equipe econômica e, na sequência, dos nomes com assento no núcleo duro do governo. De acordo com a assessoria de imprensa da petista, ela passará o fim de semana se dedicando a conversas internas para completar a equipe de governo.
As peças ainda estão sendo dispostas no tabuleiro, mas a formação mais provável indicada pela fonte sustenta a hipótese de que Antonio Palocci vá para a Casa Civil e Gilberto Carvalho para a Secretaria-Geral da Presidência. O esboço formulado por Dilma – que ainda pode sofrer modificações – mantém a pasta de Relações Institucionais sob o comando do ministro Alexandre Padilha.
A se confirmar esse desenho, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já certo na nova equipe de ministros, assumiria uma pasta fora do Palácio do Planalto. A bolsa de apostas acomoda Bernardo na Previdência Social ou na Saúde. Dilma gostaria de manter Bernardo próximo a ela no Planalto, mas tem dificuldades de recusar eventual pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para nomear Gilberto Carvalho para a Secretaria-Geral.
Nos últimos dias, ganharam força os rumores de que o PT cogita retomar o Ministério da Saúde e reivindicar a pasta das Comunicações, ambos com o PMDB. Além disso, o PMDB trava nos bastidores uma queda de braço com o PSB, que pleiteia o Ministério da Integração Nacional.
A cúpula do PMDB fez uma divisão interna para encaminhar nomes para o ministério da presidente eleita: a bancada da Câmara indicará o deputado Marcelo Castro (PI) para eventualmente assumir o Ministério da Integração Nacional e pedirá a manutenção do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, no cargo.
Por sua vez, a bancada do Senado também indicará dois nomes. Um deles é o do senador Edison Lobão (MA), para retornar ao posto de ministro de Minas e Energia. Da cota pessoal do vice-presidente eleito, Michel Temer, deve ser indicado o ex-governador do Rio de Janeiro Moreira Franco.
Uma das possibilidades em estudo é de que Dilma acomode o ex-governador – que participou da elaboração de seu programa de governo, por indicação do PMDB – no Ministério das Cidades. Neste caso, Dilma compensaria o PP, atual titular da pasta, com outro ministério.
São apenas hipóteses, num momento em que Dilma prioriza a escalação do time palaciano. Na sequência, ela deve definir os nomes dos chamados “ministros de Estado” (Justiça, Defesa e Relações Exteriores). Somente então a presidente eleita se debruçará sobre as demandas partidárias.
Portos e aeroportos
A presidente eleita também estuda a ideia de criar um ministério específico para tratar dos aeroportos. Num dos desenhos em exame, segundo fontes da equipe de transição, a nova pasta cuidaria também de portos.
A ampliação da capacidade de receber passageiros é um dos grandes desafios do futuro governo, por causa dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
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