Nas batalhas eleitorais de 2012 e 2014, os partidos da base do futuro governo sairão em vantagem: quase todos ganharam vagas na Câmara dos Deputados e, com isso, mais tempo na propaganda eleitoral de rádio e televisão.
As legendas que estiveram coligadas na campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), ganharam, em conjunto, 14% a mais de tempo com o resultado da eleição para a Câmara. Já os partidos que apoiaram José Serra (PSDB) tiveram, juntos, uma perda de 24%, segundo cálculos feitos pela reportagem.
O cálculo se refere à parte do horário eleitoral (dois terços do total de 50 minutos por dia) que é dividida de acordo com o tamanho das bancadas de cada partido na Câmara. Outra parte é distribuída de forma igualitária entre todas as legendas que lançam candidatos.
O tempo maior no rádio e na televisão não significa apenas vantagem no horário fixo de propaganda eleitoral: também as inserções de 30 segundos, distribuídas ao longo da programação das emissoras, são distribuídas de acordo com o tamanho das bancadas, além do número de candidatos. Por alcançar até mesmo os eleitores que evitam assistir ao horário eleitoral, as inserções são consideradas as peças mais eficazes do marketing político.
Mesmo partidos que não costumam lançar candidatos a cargos executivos têm interesse direto no rateio da propaganda - seu tempo de TV é o principal ativo na negociação de coligações, pois pode ser repassado para terceiros.
Na última eleição, pequenas legendas protagonizaram um "leilão" de seu tempo na propaganda. O PSC, que chegou a aprovar o apoio a Serra em convenção, mudou de lado após assédio de governistas. Com isso, Dilma ganhou 35 segundos por dia.
Sobe e desce
O PT, cuja bancada cresceu de 83 para 88 deputados entre 2006 e 2010, ultrapassou o PMDB e terá o maior tempo no horário fixo de propaganda. Serão 5 minutos e 43 segundos por dia, 20 segundos a mais do que na eleição passada.
O PR, outro partido integrante da base governista, teve o maior ganho entre as 22 legendas com representação na Câmara: passou de 1min37s para 2min39s, graças a sua estratégia de lançar "puxadores de votos" em diversos Estados.
Na base dilmista, o PMDB foi o único partido que perdeu cacife no chamado palanque eletrônico: terá 39 segundos a menos do que na campanha passada.
Dos antigos aliados de José Serra (PSDB) na campanha presidencial, somente dois "nanicos" tiveram ganhos: o PT do B (que passará de 3 para 11 segundos) e o PMN (de 11 para 15 segundos). O partido de Serra terá direito a 3min26s, 51 segundos a menos do que em 2010. O DEM protagonizou o maior tombo: caiu de 4min13s para 2min47s.