O governador André Puccinelli (PMDB) admitiu ontem que seu partido poderá ter candidatura própria à Prefeitura de Dourados, enfrentando nas urnas um de seus principais aliados nos últimos anos, o vice-governador Murilo Zauith (DEM). O democrata já declarou publicamente que pretende entrar na disputa.
O prefeito Ari Artuzi (sem partido) e o vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR) estão presos e afastados dos cargos. Eles enfrentam duas comissões processantes na Câmara Municipal e podem ter os mandatos cassados ainda este ano, o que possibilitaria a convocação de eleições diretas pela Justiça Eleitoral.
"A autonomia é toda dada aos douradenses para que eles decidam seu destino. Se dois companheiros meus estiverem nesta situação (como adversários na disputa) eu tenho de atender o meu partido. E o meu partido é o PMDB. Mas, não destratarei de maneira alguma aliados e companheiros, como o vice-governador Murilo", afirmou Puccinelli.
Interferência
Perguntando sobre as declarações dadas por ele recentemente em Campo Grande de que não pretendia se envolver na disputa em Dourados, o governador afirmou que, naquele momento, limitou-se a fazer uma análise das pesquisas de intenção de voto. "Eu disse que, analisando as pesquisas, o vice-governador Murilo estava na dianteira. É a constatação de fatos, nada mais do que isso".
Puccinelli afirmou ainda que só vai participar do processo de escolha de candidatos em Dourados caso seja chamado a intervir. "Se me chamarem eu coloco o meu bedelho. Sempre agi desta forma", acrescentou o governador, afirmando que, nas eleições municipais em 2008, conseguiu demover o deputado federal Geraldo Resende (PMDB) da intenção de disputar a prefeitura para que o partido apoiasse a candidatura de Murilo.
O governador citou como prováveis candidatos do PMDB a vereadora e prefeita interina Délia Razuk, o secretário municipal de Obras Antônio Nogueira, o gerente regional da Sanesul Odilon Azambuja e os deputados federais Marçal Filho e Geraldo Resende. "Quem tem que decidir isso é o diretório municipal. O nome que eles escolherem, eu apoio", finalizou. O governador esteve ontem em Dourados, onde participou da inauguração de uma agência do Banco do Brasil.
À tarde, em Campo Grande, André fez elogios ao vice-governador, disse que não tem qualquer preferência sobre a situação política em Dourados, mas sugeriu que Zauith seja vice em um chapa com o PMDB. "Não falei que prefiro (candidatura própria): total autonomia ao diretório de Dourados para que achem o melhor caminho. Se eles indicarem, vou apoiar. Se o PMDB conseguir dobrar (Murilo) pra ser vice, ótimo. Se o PMDB decidir ser vice, ótimo também", afirmou. "Eu não poderia me desdizer do passado, eu estava certo na eleição passada", disse, elogiando Murilo, a quem classificou como companheiro e competente.