Depois de "abandonado no altar", o governador André Puccinelli (PMDB) aguarda ser chamado pela presidente eleita Dilma Rousseff (PT) para discutir projetos em benefício de Mato Grosso do Sul. No último processo eleitoral, ele repetiu ser o noivo à espera da noiva (Dilma). A declaração era para manifestar seu interesse em firmar aliança com a petista, que acabou apoiando seu correligionário José Orcírio dos Santos na disputa pela sucessão estadual.
"Ela que me abandonou no altar. Eu estou esperando que ela reconheça que o noivo correto é o que venceu", disse ontem, após a cerimônia de entrega da obra de contenção de enchente na Rua Ceará com a Avenida Ricardo Brandão.
Na mesma ocasião, o governador revelou acreditar no fim das richas eleitorais e no bom relacionamento com o Planalto em seu segundo mandato. "Nunca nenhum governo discriminou. O governo anterior deu até uma peninha de caburé para o Fernando Henrique (Cardoso). Dizem que é pró-namoro ou afrodisíaca", comentou.
Indagado se também ofertará algo para a presidente eleita, Puccinelli disse pretender presenteá-la "com a competência da equipe do Estado de Mato Grosso do Sul, com projetos para que eles digam: tem intervenção do governo federal, em parceria com o governo estadual, porque lá tem gente competente, que ganhou no primeiro turno".
Dourados
Sobre a disputa pelo comando da Prefeitura de Dourados, o governador destacou que deixará nas mãos do PMDB da cidade a decisão sobre o futuro do partido na eleição, previsto para o início de março. "O diretório regional do PMDB de Dourados é soberano", ressaltou.
Para reforçar sua intenção de ficar de fora das articulações políticas, ele remeteu a responsabilidade do resultado do pleito aos eleitores: "o povo é soberano. Eu fui na eleição passada e disse que o povo tinha que votar no outro. Não atenderam ao pedido, foi soberano e deu no que deu. Deu uma Arizona". Em 2008, Puccinelli apoiou o vice-governador Murilo Zauith (DEM) na disputa pela Prefeitura de Dourados. Ari Artuzi foi eleito, mas renunciou depois de denúncias de chefiar esquema de fraudes em licitação e corrupção.