Com a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional nesta segunda-feira, o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), anunciou que irá apresentar requerimentos para a convocação dos ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, de Minas e Energia, Edison Lobão, do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e da Agricultura, Wagner Rossi.
A ideia do partido de oposição é também propor convites para que sejam ouvidos o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, e o presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Celso Lacerda.
Os esclarecimentos pedidos pela oposição levam em conta quatro denúncias veiculadas ao longo de julho, época de recesso no Congresso Nacional. A última delas inclui revelações, publicadas pela revista Veja, em que o ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, denuncia a existência de um consórcio entre o PMDB e o PTB para controlar a estrutura do Ministério da Agricultura com o objetivo de arrecadar dinheiro e favorecer aliados.
Em outra denúncia, uma reportagem da revista Época mostra um vídeo em que dois funcionários da ANP cobrariam propina de R$ 40 mil para resolver pendências de empresas do ramo de combustíveis junto ao governo.
No caso do Ministério dos Transportes, alvo de denúncias que já levaram à queda de mais de 20 funcionários da pasta ou de autarquias ligadas ao setor, o PSDB defende o depoimento de Passos para que ele preste esclarecimentos no Congresso sobre aumento do número de contratos aditivos e do volume de recursos liberados em obras de infraestrutura.
Na gestão de Dilma Rousseff (PT), as primeiras denúncias no ministério, que envolviam um suposto esquema de superfaturamento de obras e de cobrança de propina de empreiteiras, levaram à queda do então titular dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM). No caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário, as denúncias tratam de negociatas com lotes para fins de reformas agrária envolvendo ocupantes de cargos de confiança do governo.
O requerimento para a instalação da CPI dos Transportes tem atualmente 23 das 27 assinaturas necessárias. Ao todo, já confirmaram o apoiamento dez senadores do PSDB, quatro do Democratas, dois do PSOL, três do PMDB, além dos senadores Pedro Taques (PTB-MT), Ana Amélia Lemos (PP-RS), Sergio Petecão (PTC-AC) e Kátia Abreu (sem partido-TO).
(Com informações do Terra)