As redes sociais já ajudaram a incitar revoltas na Primavera Árabe e são peça fundamental do movimento "Ocupe Wall Street", que promove atos no mundo todo contra a crise financeira.
Mas têm funcionado também para mobilizações menores, em torno de questões mais pontuais: construir uma ciclovia, por exemplo.
Há dois anos, o estudante Luiz Ballas, 16, que participa de bicicletadas, usou o site Cidade Democrática para propor a construção de ciclovias em Jundiaí (SP), onde mora.
O deputado estadual Pedro Bigardi (PC do B) encampou a proposta e conseguiu aprovar emenda para financiá-la.
Questões do tipo são o filão do Cidade Democrática, site criado em 2009 em que usuários criam e apoiam propostas. As ideias são divididas por municípios, e Jundiaí é a cidade mais ativa.
Duas ferramentas na mesma linha, que apostam no engajamento em questões políticas e sociais, foram criadas no Brasil recentemente.
O MyFunCity, aplicativo para Facebook, iPhone, iPad e iPod touch lançado neste mês, permite que o usuário faça check-in em locais de sua cidade e avalie aspectos como quantidade de árvores, acessibilidade para deficientes, policiamento e limpeza.
Na interface, é possível enxergar um mapa cheio de carinhas representando avaliações feitas por usuários. Por enquanto, em São Paulo e no Rio, a tristeza predomina.
Alexandre Sayad, diretor-geral do MyFunCity, diz que o propósito da ferramenta não é ser "um reclamódromo simples e superficial". "Ela gera a possibilidade de levantar também as boas práticas."
O MyFunCity quer atingir o exterior: sua versão em inglês foi lançada ontem.
Questões políticas
O PoliticNote, lançado em julho deste ano, tem interface parecida com a de redes sociais convencionais, mas é voltado especificamente para questões políticas.
É possível participar da página de um partido, referendar causas e entrar em contato com políticos cadastrados, como a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP).
Um site com proposta mais simples, também voltado à participação política, é o Votenaweb, em que usuários votam em sim ou não (sem poder decisório) sobre projetos do Congresso Nacional.
Na quarta passada, milhares de pessoas protestaram contra a corrupção em capitais brasileiras.
Os protestos foram organizados no Facebook e integram o Movimento Contra a Corrupção, que começou com um evento criado na rede pelas irmãs Daniella e Lucianna Kalil. Giderclay Zeballos, organizador do MCC, diz que "a princípio elas nem tinham previsão de que o [primeiro] evento se tornaria real".
Zeballos, que é analista de sistema e não tinha envolvimento direto com política, criou um site para o MCC. Ele diz que só aceitou entrar porque "era um movimento apartidário, sem entidade por trás".