O governo cancelou ontem R$ 12,1 bilhões em investimentos das empresas estatais federais em 2011. O corte ocorreu porque, por razões variadas, elas não conseguiram gastar os valores que haviam sido programados no início do ano.
Segundo técnicos, o corte é feito para adequar o orçamento ao que foi efetivamente realizado. Em outubro, as estatais informaram o governo sobre a impossibilidade de realizar a totalidade dos investimentos, por isso os valores foram adaptados à nova previsão.
No total, foram cancelados R$ 20,7 bilhões em créditos orçamentários das empresas estatais. Porém, parte deles, o correspondente a R$ 8,6 bilhões, foi realocada em projetos das estatais que estavam com bom ritmo e necessitavam de mais recursos.
De acordo com dados publicados na edição de ontem do Diário Oficial da União, o maior cancelamento, de R$ 5,8 bilhões, atingiu o programa de oferta de petróleo e gás natural. Foram afetados o desenvolvimento dos sistemas de produção de óleo e gás natural da Bacia de Campos e a recuperação dos sistemas de produção de óleo e gás natural na região Norte, por exemplo.
O segundo maior corte, de R$ 5,4 bilhões, foi na área de refino de petróleo, com projetos como a implantação de uma refinaria no complexo petroquímico do Rio de Janeiro. Em seguida, o programa mais afetado é o de transporte de petróleo, derivados, gás natural e combustíveis, com R$ 2,6 bilhões. Havia, por exemplo, a previsão de gastar R$ 854 milhões na reformulação da malha de dutos no Estado de São Paulo.
Redirecionamento. De acordo com técnicos, a Petrobrás, responsável pela área, reduziu o ritmo dos investimentos pela dificuldade de adquirir equipamentos, como sondas e plataformas. No total, a estatal teve cancelados R$ 10,8 bilhões de dotação orçamentária, mas parte desse valor, R$ 3,8 bilhões, foi direcionada a outros programas da própria empresa, como um reforço de R$ 1,8 bilhão para os investimentos na indústria petroquímica. Foram contemplados projetos para a produção de fertilizantes nitrogenados, parafina e amônia, entre outros.