O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela confirmou que iniciará nesta segunda-feira (29) os procedimentos para auditar os resultados das eleições presidenciais de 14 de abril, mas não nos termos do líder e ex-candidato opositor Henrique Capriles.
“Depois de uma longa análise no Conselho Nacional Eleitoral, pudemos constatar que é impossível aprovar o pedido nos termos apresentados, já que não estão no ordenamento jurídico”, anunciou a presidente da entidade, Tibisay Lucena, confirmando o que já havia sido antecipado por vários reitores do CNE ligados ao chavismo.
Capriles, que na quinta-feira (25) advertiu que impugnará os resultados eleitorais ante o Supremo Tribunal Justiça (TSJ) e que não irá participar de uma revisão de votos mal feita, exigia que a auditoria incluísse abrir as urnas, contar os comprovantes (cédulas) e comparar o resultado da recontagem com a ata de apuração do CNE.
“O próximo passo é a impugnação, que tem que ser nos próximos dias. Vamos impugnar as eleições com todas as provas, com todos os elementos que já temos”, anunciou Capriles na noite de quinta-feira (25) em uma entrevista concedida à rede “Globovisión”. Segundo Lucena, o pedido de Capriles, que acusa o governo de “roubar as eleições”, constitui por si só uma tentativa de impugnação.
Sem investigação
Ela acrescentou que o pedido do opositor foi acompanhado de documentos que não permitiram ao Poder Eleitoral realizar nenhuma investigação porque não assinalam de forma clara e precisa quais foram os fatos que supostamente vulneraram as normas ou representaram uma fraude.
No entanto, Lucena confirmou que será realizada a auditoria dos 46% restantes das urnas eleitorais, como anunciou em 18 de abril, sendo que o CNE já auditou os outros 54%. Ela enfatizou que este procedimento “em caso algum se trata de uma nova apuração e, por isso, não afeta os resultados eleitorais emitidos em 14 de abril”.
Lucena explicou que o processo de autoria ampliada começará na segunda-feira (29) com a seleção de uma amostragem aleatória de 12 mil das 16 mil urnas que constituem esses 46% e será realizada uma revisão de três ciclos de dez dias, de 6 de maio a 4 de junho.