O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, criticou ontem (03) a falta de "pluralismo" e a "fraca diversidade política e ideológica" na imprensa brasileira.
Barbosa falou em um evento sobre liberdade de imprensa organizado pela Unesco, na Costa Rica.
"Eu não seria sincero que eu concluísse essa apresentação sem trazer para esse público desvantagens que vejo no meu país acerca da informação, da comunicação, da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa."
Para ele, o "problema está basicamente na falta de um pluralismo forte". Ele fez a ressalva que estava expressando seu ponto de vista pessoal, como "cidadão livre e consciente".
"No Brasil, negros e mulatos representam de 50% a 51% do total da população, mas
não-brancos são bem raros nas redações, nas telas de TV, sem mencionar a quase abstenção deles nas posições de controle ou liderança na maioria dos veículos de comunicações. É quase como se eles não existissem no mercado de ideias."
"Raramente eles são chamados para expressar seus pontos de vista. Esse é o maior problema para nós, no meu ponto de vista", disse.
E continuou: "Eu apontaria a fraca diversidade política e ideológica na imprensa. O Brasil tem hoje três principais jornais nacionais impressos, todos eles mais ou menos inclinados para a direita no campo das ideias".
O único veículo que o ministro citou em seu discurso feito em inglês foi o "Jornal do Brasil", lamentando que a edição impressa saiu de circulação em 2010. Para ele, o surgimento da internet foi um dos fatores responsáveis pela crise na imprensa.
Apesar de ter dito que não acredita na existência de democracias perfeitas -"e o Brasil está longe de ser uma"-, o presidente do Supremo disse que "não poderia negar as conquistas formidáveis que alcançamos em nosso país no campo da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, especialmente depois da redemocratização". "Avançamos muito nas questões relativas à liberdade de imprensa, especialmente após 1985".
Barbosa citou duas questões decididas pelo Supremo e consideradas por ele como positivas.
Uma foi o fim da Lei de Imprensa, que vigorava desde 1967, nos primeiros anos da ditadura, e a outra o caso de um editor gaúcho que publicava livros contra os judeus e não obteve habeas corpus no STF para trancar o processo contra ele.
Barbosa disse que não existe censura no Brasil. "A imprensa tem o papel central de prover informações e controlar os atos do Poder".
Um dos pontos mais criticados por participantes do evento foi a violência contra jornalistas. Barbosa lamentou a morte de quatro jornalistas no Brasil neste ano.