Política

DIREITOS HUMANOS

Comissão da Verdade fará um relatório final contundente, diz coordenador

Comissão da Verdade fará um relatório final contundente, diz coordenador

Redação

13/05/2013 - 19h00
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 O coordenador da CNV (Comissão Nacional da Verdade), Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou hoje que, apesar das dificuldades, o relatório final do grupo será "contundente".

"Desde o início estava claro o sem-número de dificuldades. Muitos foram os obstáculos superados. A CNV através de seu trabalho, que necessariamente será um relatório contundente, reconstituirá a veracidade", afirmou Pinheiro, em um ato que prepara um balanço de um ano de trabalho do grupo.

A comissão vai terminar seus trabalhos em maio do ano que vem.

Pinheiro listou como realizações do grupo as parcerias com comitês da verdade criados pela sociedade civil, a construção de um "repositório de dados", o uso de softwares para a leitura de papéis e a iniciativa de digitalizar 16 milhões de documentos.

Segundo Pinheiro, a ouvidoria da CNV já contabilizou 56 pedidos de investigação e ouviu 220 depoimentos de vítimas e testemunhas.

De acordo com o coordenador, agora será dado prioridade a depoimentos públicos de vítimas e parentes.

Na sexta-feira passada, ocorreu o primeiro ato do tipo, mas foi ouvido um participante de órgão de repressão, o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra. A sessão acabou gerando situações tensas, bate-bocas e gritaria.

Pinheiro deixou claro que a comissão fará, ao final, um relatório que demonstre a responsabilidade de autoridades --incluindo membros do Judiciário e empresários-- nas mortes, torturas e desaparecimentos.

Segundo ele, esses responsáveis devem ser identificados --uma das polêmicas que cercam o grupo.

"Não é a 'tigrada' que por conta própria matava e torturava. Desde os altos escalões até o operador da 'maquininha', todos têm sua responsabilidade", afirmou.

"O Poder Judiciário gostosamente se integrou e coonestou essas ações. Muitos desses empresários e empresas continuam operando até hoje. Vamos tratar isso com delicadeza."

Antes dele, três ministros, José Eduardo Cardozo (Justiça), Gilberto Carvalho (Secretária-Geral da Presidência) e Maria do Rosário (Direitos Humanos) falaram. Todos reforçaram o apoio do governo de Dilma Rousseff ao grupo.

Nova coordenadora

Pinheiro confirmou, como a Folha de S.Paulo revelou, que a próxima coordenadora do grupo será a advogada Rosa Cardoso. Adepta de dar publicidade a todos atos da comissão, ela ficará no lugar de Pinheiro por três meses. A coordenação do grupo é rotatória.
 

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