O crescimento do PT nos últimos anos gerou “defeitos” no partido, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista publicada pelo jornal espanhol "El País" no fim de semana. Segundo o ex-presidente, “[o PT] era um partido pequeno, que depois passou a ser grande e, como tal, foram aparecendo defeitos”.
Na entrevista, Lula faz menção a “gente que dá muito valor ao Parlamento, outros aos cargos públicos” e diz que apareceu a “corrupção”, mas não chega a especificar casos.
— Eu queria dizer que as pessoas tendem a esquecer os tempos difíceis em que achavam bonito carregar pedra. A gente acreditava, era maravilhoso. Um grupo mais ideológico, as pessoas trabalhavam de graça, de manhã, à tarde e à noite. Agora você vai fazer uma campanha e todo mundo quer cobrar. Não quero voltar às origens, mas gostaria que não esquecêssemos para que fomos criados. Por que queríamos chegar ao governo? Não para fazer como os outros, mas para agir de maneira diferente.
Ainda sobre corrupção, Lula disse duvidar "que exista no mundo um país com a quantidade de fiscalizações que o Brasil tem” e, criticando a cobertura da imprensa sobre o julgamento do mensalão, defendeu as iniciativas do governo para coibir práticas condenáveis.
— Noventa por cento das denúncias que se apresentam são feitas pelo próprio governo. Contratamos policiais, reforçamos os serviços secretos, fortalecemos o controle das contas do Estado... Quanto mais transparência, melhor. Mas o que não se pode admitir é que depois de uma pessoa se submete a um processo e não se descobre nada, ninguém pede desculpas. Por isso me preocupam essas condenações a priori. No caso dos companheiros do PT, já foram previamente condenados. Alguns meios de comunicação o fizeram, independentemente da decisão da Justiça, como numa pena de prisão perpétua. Alguns não podem nem sair à rua. Insisto, devemos ser 150% corretos, porque se nos equivocamos em 1%, aos olhos de nossos adversários e de determinados meios de comunicação, levarão isso a 1.000%".
Manifestações
Ao comentar os protestos que tomaram o País nos últimos meses, o ex-presidente disse que a mobilização é “saudável” e normal, pois "um país que era a décima economia do mundo e que em 2016 será a quinta economia do mundo produziu uma sociedade que quer mais”.
— A sociedade descobriu que pode aspirar mais. Em dez anos, nós conseguimos passar de 3 milhões de formados em universidades para 7 milhões de estudantes. Temos que enaltecer a participação democrática, e não permitir que os jovens reneguem a política, porque quando isso acontece, o que vem é o fascismo. Queremos que os jovens discutam abertamente, para que sintam que fora dela não há outro caminho.