O juiz Marcelo Andrade Campos Silva negou recurso movido pelo prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), e sua advogada, Jaqueline Hildebrand Romero, que queriam Justiça gratuita para cobrar honorários advocatícios da ex-catadora de recicláveis Dilá Dirce de Souza.
Bernal, cujo salário beira a casa dos R$ 16 mil mensais, dono de R$ 1,3 milhão em bens declarados, disse no recurso não ter dinheiro para bancar a causa. “A própria qualificação dos requerentes, um prefeito municipal e outra como advogada militante na comarca, demonstra que, até prova em contrário, possuem condições de arcar com as custas processuais, retirando assim a possibilidade de se ter como verídica a declaração de hipossuficiência [pobre]”, escreveu o juiz, ao justificar a razão de indeferir o pedido do prefeito e da advogada.
O prefeito e Dilá vivem um dilema judicial: a ex-catadora foi atropelada por um caminhão de lixo, quebrou a perna, braço e bacia e nunca mais pôde trabalhar. Ingressou com ação contra a Vega Sopave, dona do veículo, ex-concessionária da prefeitura, ganhou a causa, mas nunca viu a cor do dinheiro.
Dilá acusa o então advogado Alcides Bernal, defensor da ex-catadora de 1999 até maio deste ano. A mulher diz que em 2002, 11 anos atrás, a Vega fez um depósito, cujo valor reajustado hoje alcançaria a cifra de R$ 150 mil.
Ocorre que, segundo Dilá, Bernal abandonou a questão e se recusava a atendê-la desde que virou deputado estadual [2011]. Ela contratou outro defensor em maio passado, no entanto, até agora, a mulher de 65 anos de idade, que se locomove com ajuda de muletas ou cadeira de rodas, nada recebeu.
Dilá contou sua história à imprensa, Bernal se irritou e agora ele quer receber os honorários da ex-catadora. Duas semanas atrás, ela disse ao Correio do Estado que o dinheiro que tem de receber é o mesmo que um “prêmio da Mega Sena”. Com o recurso ela vai bancar uma cirurgia, do contrário, pode perder o movimento das pernas.