A presidente Dilma Rousseff procurou justificar em seu discurso em Serra Talhada (PE), hoje, a inauguração de uma obra que ela mesma já havia inaugurado parcialmente no mesmo município e que já funciona desde o ano passado.
Há pouco mais de um ano, Dilma esteve em Serra Talhada para lançar o primeiro dos três trechos da primeira etapa da adutora do Pajeú, inaugurada por completo no final desta tarde. "Poucas vezes um presidente esteve tantas vezes num município", disse a presidente ao justificar a "importância" de sua presença.
O segundo trecho da obra, entre os municípios de Flores e Calumbi, foi inaugurado em setembro do ano passado pelo então governador Eduardo Campos (PSB-PE), virtual adversário de Dilma nas eleições deste ano, e por Fernando Bezerra (PSB-PE), que na época ainda ocupava o cargo de ministro da Integração.
O terceiro e último trecho desta primeira etapa da obra começou a funcionar ainda no final do ano passado, entre Carnaíba e Afogados da Ingazeira. De acordo com o Ministério da Integração Nacional, isso aconteceu de forma emergencial por causa da seca, mas, somente neste ano, teve início o pleno funcionamento da obra.
"Havia risco forte de colapso. Aceleramos as obras e a entrada em operação foi decisiva para evitar a falta d'água para a população", afirmou a presidente.
Dilma também aproveitou a cerimônia para assinar a ordem de serviço da segunda etapa da adutora do Pajeú, que deve ficar pronta em dois anos e depende da conclusão da transposição do rio São Francisco para operar.
"Antes, as pessoas simplesmente entregavam a primeira etapa e ficava por isso mesmo. Agora, sempre que você entrega uma obra, tem que pensar assim: é só o começo, tem de vir mais, não pode parar por aí. Assim a gente entrega a primeira etapa e já começa a outra. E é isso que precisa ser feito no nosso país", disse Dilma para centenas de sertanejos que, de pé, assistiram ao ato iniciado com uma hora e meia de atraso.
Dilma aproveitou seu discurso para elencar o conjunto de obras "de tirar o chapéu" que o governo federal tem executado durante esta que é a pior seca das últimas cinco décadas na região.
"Falta de chuva vai haver. O que não pode haver é falta de políticas adequadas para que a gente conviva com a falta de chuva", declarou.
"Cada centavo [investido nas obras hídricas] vale a pena. Cada centavo é dinheiro da União, portanto, dinheiro do imposto arrecadado do imposto de cada um de vocês, portanto, está voltando para vocês", disse a presidente.
Dilma citou diversas vezes o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor e padrinho político, e não fez nenhuma menção ao ex-aliado Eduardo Campos, atual desafeto.
"A sorte do Nordeste não depende do clima. A sorte do Nordeste depende dos investimentos que o governo federal, junto com o governo do Estado, com os municípios, tem que fazer para proteger a população desta região", disse. "A maior seca na vida de um sertanejo sempre foi a seca da falta de oportunidades", completou.
"Sabemos que a pior estiagem é a estiagem de direitos, a estiagem do direito a saúde, educação, terra, moradia, ao crédito. E direito não é favor. Direito é cidadania, é justiça", disse a presidente, que deixou Serra Talhada sem conceder entrevistas.