Política

Três anos

Carlos Lupi é reabilitado após ’faxina ética’

Carlos Lupi é reabilitado após ’faxina ética’

Redação

27/07/2014 - 16h30

Quase três anos após sair do governo federal na "faxina ética" promovida pela presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro Carlos Lupi (PDT) se reabilita frente à candidata à reeleição. Disputando uma cadeira do Senado no Rio, o pedetista foi elogiado nesta semana pela presidente e será o principal candidato do Planalto para a vaga no Estado.

Lupi tornou-se candidato a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após o PMDB abrir a vaga em sua chapa para o vereador César Maia (DEM), que apoia o senador Aécio Neves (PSDB).

"O Lupi é uma pessoa muito especial. Ele é um coração bom, um homem de bem", disse Dilma, durante evento da campanha do governador Luiz Fernanda Pezão (PMDB), na última quinta-feira (25), na Baixada Fluminense.

O presidente do PDT foi nomeado ministro do Trabalho no início do governo Dilma, em 2011. Acabou demitido no fim do mesmo ano, após suspeitas de irregularidades em contratos com ONGs. Ele também foi acusado de ter acumulado dois cargos públicos irregularmente por cinco anos, prática vedada pela Constituição.

Ao analisar o seu caso, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República sugeriu, pela primeira vez, a exoneração de um ministro. Saiu em dezembro, sendo a última baixa da "faxina ética" no governo federal, como ficou conhecida a demissão de seis ministros suspeitos de corrupção.

Durante a crise que culminou em sua demissão, ele chegou a afirmar que só sairia do ministério "a bala". A declaração soou mal no Planalto, que viu a frase como um ultimato a Dilma. Dias depois, o então ministro buscou minimizar a saia justa.

"Presidente Dilma, desculpa se eu fui agressivo. Eu te amo. Desculpe", disse, em depoimento na Câmara dos Deputados.

Quase três anos depois, Dilma cobrou a manutenção da declaração de amor.

"O Lupi é nosso candidato ao Senado, que já fez várias declarações de amor. E eu espero que ele mantenha as declarações de amor que fez ao longo da vida", disse Dilma, durante evento na última semana.

O ex-ministro, em seu discurso, citou as origens brizolistas de Dilma, e afirmou que, "na política, é necessário lealdade e gratidão".

"Tenho muito orgulho, presidente Dilma, de ter sido seu ministro durante um ano. Foram os melhores dias da minha vida", disse o ex-ministro.

A candidatura de Lupi foi decidida nos últimos dias de prazo para registro de candidatura. O PDT fazia parte da chapa de Pezão, indicando inclusive o candidato a vice-governador, Felipe Peixoto (PDT). Após a entrada de Maia na chapa, em lugar do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), Lupi decidiu lançar uma candidatura "avulsa" ao Senado.

O movimento foi apoiado pelo ex-presidente Lula, preocupado com a falta de candidatos expressivos da base aliada para o cargo. O único que apoiaria Dilma seria o deputado Hugo Leal (Pros), na chapa do deputado Anthony Garotinho (PR), candidato ao governo do Rio.

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