Na manhã desta quarta-feira (6), a sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul foi marcada pelo embate entre tucanos e petistas sobre a suposta farsa na CPI da Petrobras, denunciada pela revista Veja. De acordo com a reportagem, o senador e candidato ao governo do Estado, Delcídio do Amaral (PT), teria combinado as respostas e perguntas que seriam feitas a Nestor Cerveró (ex-diretor da Petrobras) e Graça Foster (atual presidente) em depoimentos à CPI.
Os deputados do PSDB pediram apuração dos fatos e demonstraram revolta com publicação de Delcídio no Facebook, trazendo à tona o pleito eleitoral ao comentar a representação do partido adversário contra ele. “Duas horas depois de puxar para a questão eleitoral, ele postou que o MS não aguenta mais o jogo sujo 'deles'”, disse o deputado Márcio Monteiro (PSDB), que colocou o assunto em pauta na Assembleia. Ele também criticou a resposta através de nota à imprensa. “O que nós aguardamos é que o senador venha a público para explicar de uma forma convincente à população de MS o que realmente aconteceu”, comentou.
Carlos Marun (PMDB) ratificou as palavras de Monteiro, dizendo não concordar com “a tentativa de transformar esse caso em uma querela eleitoreira”. Ele também deu razão ao PSDB por manifestar revolta com as declarações do petista. “Em defesa de Delcídio, digo que ele está sendo citado através de terceiros. Não se ouviu até agora a voz do senador. Mas isso não quer dizer que se deva jogar para o PSDB. Isso aí é coisa de PT x PT, é fogo amigo, é tiro dentro de casa, é marido brigando com a mulher. E é necessária uma investigação profunda. Delcídio pleiteia ser governador do Estado e é justo que a população de MS queira conhecer quem é o verdadeiro Delcídio do Amaral”, finalizou. Onevan de Matos (PSDB) também se manifestou. Segundo ele, o seu partido não pode aceitar esse tipo de insinuação.
Amarildo Cruz, líder do PT na Assembleia, leu as declarações de Delcídio e discordou que ele estaria se referindo ao PSDB, quando mencionou “o jogo sujo deles” na rede social. Pedro Kemp (PT) também defendeu Delcídio, afirmando que o partido recebeu esclarecimentos do parlamentar e, até o momento, está satisfeito com as explicações dele. “O senador Delcídio não pode ser crucificado antes que o processo todo seja verificado”, opinou.
Em seu discurso, Cabo Almi (PT) pediu "muito cuidado" na abordagem do assunto. O deputado lembrou que Ari Artuzi, ex-prefeito de Dourados, e Fernando Collor, ex-presidente do Brasil, tiveram as vidas políticas arrasadas após denúncias e depois acabaram inocentados.