Política

OPERAÇÃO LAVA JATO

Governo não vê necessidade de outra CPI da Petrobras, diz ministro

A discussão de uma nova CPI deve ocorrer em fevereiro, quando o Congresso retoma as atividades

Redação

08/01/2015 - 21h00
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O ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) afirmou nesta quinta-feira (8) que o governo não vê a necessidade de se instalar outra CPI (comissão parlamentar de inquérito) para que deputados e senadores investiguem as denúncias de corrupção na Petrobras.

Segundo o ministro, o país possui órgãos públicos de investigação que são mais eficientes que uma CPI. "Nós entendemos que em um país que tem um Ministério Público que atua, que tem uma Controladoria-Geral da União que atua, que tem um Judiciário que atua e uma Polícia Federal que atua, isso é muito mais eficiente e não há necessidade de CPI. Achamos que elas funcionam e por isso elas estão sendo eficientes", disse.

Contrariado por ter tido seu nome envolvido no esquema de corrupção da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), escreveu nesta quinta em sua página do Twitter que irá atuar para que a bancada do partido assine o pedido de criação imediata de uma nova CPI da Petrobras no Congresso.

A declaração é um recado ao Palácio do Planalto, que privilegiou na reforma ministerial indicações políticas com maior trânsito no Congresso numa tentativa de ter maior controle sobre a base governista e impedir inclusive a instalação de uma nova comissão para tratar dos desvios da empresa.

Setores do PMDB interpretaram o gesto como uma movimentação para enfraquecer o partido, maior aliado do governo.

Além disso, a citação do nome de Cunha na Operação Lava Jato pode complicar a sua candidatura à Presidência da Câmara. Conforme a Folha de S.Paulo publicou, um policial federal preso na Operação Lava Jato citou o peemedebista como destinatário de recursos do esquema montado na estatal.

A reportagem apurou que, em sua delação premiada à Força Tarefa do Ministério Público, o doleiro Alberto Youssef também mencionou Cunha como beneficiário do esquema. Cunha nega as acusações.

O Ministério Público Federal pedirá ao Supremo Tribunal Federal para investigá-lo. Cunha nega qualquer ligação com o esquema de irregularidades e defende que a citação ao seu nome é frágil.

Independência

Apesar de o governo temer problemas caso Cunha seja eleito como presidente da Câmara, Pepe Vargas afirmou que o Executivo não irá interferir em assuntos administrativos do Legislativo "por respeitar a independência e a harmonia dos poderes".

O PMDB é a segunda maior bancada da Câmara, com 66 deputados. Além do controle da bancada, Cunha tem forte influência em outras legendas. Alguns parlamentares dizem inclusive que ele comanda uma bancada suprapartidária. O líder do PMDB enfrenta resistências do Palácio do Planalto.

A discussão de uma nova CPI deve ocorrer em fevereiro, quando o Congresso retoma as atividades após o recesso. No ano passado, o governo conseguiu controlar a CPI que tratou das denúncias de corrupção na empresa, mas teme os desgastes políticos de uma nova investigação e prefere deixar os desdobramentos com a Justiça.

Cunha responsabiliza adversários pela divulgação de seu suposto envolvimento com a operação Lava Jato. Ele disputa a presidência com Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Júlio Delgado (PSB-RJ).

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