O senador por Mato Grosso do Sul e líder do governo, Delcídio do Amaral, foi citado pelo delator Fernando Baiano como beneficiário de propina na compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras. Delcídio já foi mencionado no esquema, mas em março deste ano o Supremo Tribunal Federal não encontrou base legal para prosseguir com a investigação contra ele e arquivou o caso.
Essa é a primeira vez que o nome de Delcídio é citado como beneficiário de propina por conta da compra de Pasadena.
O relato de Baiano que respingou na imagem do senador foi veiculado na noite desta sexta-feira (16) pelo Jornal Nacional. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, também citou Delcídio em delação premiada.
Segundo a reportagem, Baiano disse que "ouviu dizer" que Delcídio teria recebido propina quando era diretor de gás e energia da Petrobras, de 2000 a 2002.
Fernando Baiano contou que Delcídio recebeu US$ 1 milhão ou US$ 1,5 milhão de dinheiro desviado do contrato da refinaria de Pasadena, divulgou o Jornal Nacional. Essa quantia serviu para financiar a campanha do senador ao governo do Estado, em 2006.
A negociação entre a Petrobras e os ex-proprietários de Pasadena causaram um prejuízo que ultrapassa os US$ 790 milhões, conforme apurou o Tribunal de Contas da União.
A delação de Baiano está sendo acompanhada por delegados da Polícia Federal e por procuradores do Ministério Público Federal. Ele ainda acrescentou que Delcídio também estaria em esquema de contrato entre a Petrobras e a compra de navios-sonda. Além do senador por MS, o presidente do Senado, Renan Calheiros, o senador Jader Barbalho e o ex-ministro Silas Rondeau, todos do PMDB, teriam sido beneficiados, afirmou o delator.
Nesse caso dos navios-sonda, US$ 4 milhões do contrato seriam desviados para pagamento de propinas. O valor final desse negócio ficou em US$ 6 milhões. O operador desses pagamentos foi o lobista Jorge Luz, segundo Baiano.