Um dia depois de ser denunciado pela Procuradoria-geral da República (PGR) pela tentativa de obstrução de investigações relacionadas à Operação Lava-Jato, o senador Delcídio do Amaral (PT), preso há 13 dias, estaria iniciando as negociações para uma delação premiada. As informações são da jornalista Vera Magalhães, da coluna Radar On-line, do site da revista Veja.
Na peça, a PGR acusa o petista pelo crime de impedir e embaraçar a investigação de infrações penais que envolvem organização criminosa (com pena de 3 a 8 anos) e exploração de prestígio (com penas de 1 a 5 anos).
NOVAS DENÚNCIAS
Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou que Delcídio recebeu US$ 10 milhões em propina, o equivalente a quase R$ 40 milhões.
Diante de todos indícios de recebimento de propina, que dessa vez tem relação com compra de turbinas para termoelétricas envolvendo a multinacional Alstom, fica cada vez mais claro que parte da fortuna do petista deve mesmo estar fora do Brasil.
A suspeita fica ainda mais crível em razão do projeto mirabolante criado por Delcídio para repatriar dinheiro do exterior. No ano passado, inclusive, o juiz federal Odilon de Oliveira classificou o projeto do senador como incentivo a lavagem de dinheiro.
A proposta de Delcídio extingue a punibilidade dos donos dos recursos remetidos para outros países. Outro ponto polêmico é a proposta para o Estado conceder 5% de imposto para esse dinheiro repatriado, enquanto o trabalhar chega a pagar até 27,5%. O projeto ainda segue em tramitação.
O que não se sabe até agora é se o senador, quando solto, ou parentes deles terão de recorrer aos valores no exterior para se manter.